O sócio e professor da Quantzed Trading, Marcelo Oliveira, avaliou o cenário em que o Brasil se encontra de Selic baixa e dólar em alta durante live da EQI Investimentos.
Segundo ele, com uma taxa de juros baixa (atualmente em 3%), o Brasil fica pouco atrativo para o investidor trazer capital para aplicar no país.
Cenário este que deve permanecer por um bom período, já que analistas projetam novos cortes da Selic até o final de 2020.
Ou seja, a tendência é de dólar mais caro e real ainda mais desvalorizado.
EUA
Com longa carreira no BTG, Oliveira iniciou, de Miami, onde reside, um curso totalmente online, o Quantzed, que ensina traders iniciantes ou avançados a operarem no Brasil e nos Estados Unidos.
Entre outras coisas, ele contou porque, particularmente, prefere investir apenas nos EUA. “O mercado brasileiro tem ineficiências e muita instabilidade política. Nos EUA, os movimentos são mais certeiros”, afirma.
“O investido americano não é como o brasileiro. Ele não quer ação barata. Ele quer um cenário macroeconômico favorável”, resume.
Veja a live na íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=DIOw8FTJ450
Por que o dólar não para de subir?
Para Oliveira, os fatores elencados abaixo explicam a desvalorização do real frente ao dólar.
Brasil é um país de commodity
“Com coronavírus e recessão global, os preços das commodities estão e vão continuar a ser pressionados para baixo. Produtores vão vender mais barato no exterior e receber menos dólares”, resume.
Risco político
“Passamos pela reforma da previdência, mas as demais reformas, administrativa e fiscal, principalmente, foram deixadas de lado por conta da pandemia. E isto representa um risco político”, diz.
Brasil perdeu grau de investimento
“As notas das agências de rating são fundamentais para os fundos de pensão norte-americanos. Se o Brasil perde grau de investimento, estes fundos obrigatoriamente deixam o país e vão investir em outro lugar. Ou seja, tiram dólares do país”.
Brasil está “atrasado” quanto a coronavírus
“A dificuldade do Brasil achatar a curva do contágio passa a impressão de que o Brasil está ‘atrasado’ em relação ao mundo na crise do coronavírus”, ele diz.
Além disso, ele aponta a demora do país, em comparação com os Estados Unidos, para socorrer, de maneira efetiva empresas e pessoas. “Nos EUA, antes da curva de contágio bater no pico, US$ 6 trilhões já estavam sendo colocados pelo Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) para auxiliar as empresas e comprar títulos”, afirma.
“Todo americano recebeu em casa, pelo correio, um cheque de US$ 3 mil, que garantiu o pagamento das contas, do aluguel. No Brasil, a pessoa passa a madrugada na fila para receber R$ 600 de auxílio”, compara.
Real desvalorizado interessa às exportações
“Ao Banco Central não interessa um real valorizado no momento. O foco é incentivar a exportação”, avalia.
Instabilidade política é grande
“Estamos no meio de uma pandemia e perdemos ministros a cada semana, isso gera mais instabilidade e insegurança para o investidor”, aponta.
Prática do carry trade
Todo este cenário desenhado por Oliveira incentiva o investidor estrangeiro a também abandonar a prática conhecida como carry trade no Brasil.
Esta estratégia de investimento consiste em pegar dinheiro emprestado em um país que tem taxas de juros baixas (como Europa e EUA, por exemplo) e aplicá-lo em outro país, com taxa de retorno maior nos investimentos.
Com Selic baixa, o Brasil também deixa de ser atraente para este investidor específico.
“Acabou o carry trade para o gringo. Com taxa de juros a 3%, a gente não tem mais nada atrativo”, conclui.
Brasileiros de olho em investimento nos EUA
Para Marcelo Oliveira, é cada vez maior o interesse dos investidores brasileiros nos EUA. Ele cita como boa opção aos interessados em começar no mercado norte-americano os bonds de empresas brasileiras. Azul e Gol, por exemplo, têm retorno de 10% em dólar, diz.
“Ao operar nos Estados Unidos, você não tem a variação cambial. E os bonds são conservadores, especialmente se você carregá-los até o vencimento. São quase uma renda fixa”, diz.
Leia também: Live XP: com provável Selic a 2,25%, como ficam os investimentos?
Com novo corte da Selic, dólar pode chegar à faixa dos R$ 6
Dólar: entenda o que faz a cotação subir ou cair frente ao real