Linx (LINX3): acordo com Stone é “eficaz”, diz regulador de mercado nos EUA

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

A Linx (LINX3) comunicou, nesta segunda (5), que o registro de acordo com Stone foi considerado “eficaz” por regulador de mercado dos EUA.

Eis o comunicado da empresa: “Na operação da combinação dos negócios da companhia e da STNE Participações, objeto do acordo de associação, a Declaração de Registro no Formulário F-4, arquivada pela StoneCo Ltd. na Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos, foi declarada eficaz pela SEC.”

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Linx (LINX3): termos de incorporação com Stone

A Linx comunicou nesta sexta-feira (2) que fechou com a STNE Participações protocolo e justificação com os termos para a incorporação da totalidade das ações da companhia, anunciada em agosto.

Além disso, o conselho de administração da Linx aprovou a dispensa de realização de eventual oferta pública de aquisição de ações e a dispensa de ingresso da STNE no Novo Mercado.

Também aprovou a assinatura de um segundo aditivo entre as partes, para ajustar os números de ações de emissão da Linx e planos de opções.

Segundo comunicado da empresa, uma Assembleia Geral Extraordinária foi convocada para 17 de novembro para analisar as decisões.

Caso essas propostas autorizadas pelo conselho não sejam aprovadas pelos acionistas, a empresa poderá dar continuidade às negociações com a Totvs (TOTS3), que também manifestou interesse na fusão com a Linx.

Alteração acionária

A Linx informou, também nesta segunda, que a Stone atingiu participação correspondente a 5,81% do total de ações ordinárias de companhia.

Ela totalizam, atualmente, 11 milhões de ações, como consequência da recente aquisição de ações ordinárias da companhia em operações realizadas em bolsa de valores.

“Adicionalmente, a Stone não possui nesta data, direta ou indiretamente, outros valores mobiliários de emissão da companhia ou qualquer instrumento de derivativos”, ressalta a Linx.

“O acionista informou que essas aquisições de ações foram realizadas no contexto da proposta de incorporação de ações da companhia pela STNE Participações, como estipulado no Acordo de Associação entre a companhia e a STNE em 11 de agosto de 2020 e aditado em 1º de setembro de 2020,” acrescenta a nota da Linx.

“A Stone ressalta que as aquisições em bolsa de valores são independentes em relação à operação prevista no acordo de associação.”

Por fim, a Stone esclarece que o exercício de direito de voto, decorrente da aquisição de ações que excedam o percentual de 4,9% de participação no capital social da companhia dependerá, de prévia aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Disputa

No momento, a Linx tem na mesa duas propostas de fusão: uma da Stone e outra da Totvs.

“A Linx é uma ‘noiva’ bastante disputada faz tempo”,  diz Fabricio Winter, sócio e líder de projetos na consultoria Boanerges & Cia, especializada em varejo financeiro. “Isso porque, no negócio de automação comercial, de frente de caixa para o setor varejista, quando você tem uma solução muito bem amarrada, como é o caso, muito dificilmente o cliente troca de fornecedor.”

Segundo Winter, ao adquirir a Linx, tanto Stone quanto Totvs apresentariam aos seus clientes atuais e potenciais um portfólio de produtos muito mais atraente.

A decisão sobre quem leva a empresa é aguardada para os próximos dias, mas colocou as três empresas em um enredo que envolve até acusação de falta de ética nas propostas apresentadas.

Para entender a disputa pela Linx

Em dia 11 de agosto, quando a Stone, fintech de meios de pagamentos, anunciou que estava em negociação avançada para aquisição da Linx.

A oferta é de R$ 6 bilhões, sendo que 90% do pagamento seriam feitos em dinheiro e 10% em ações.

Para financiar a compra, a Stone emitiu, nos Estados Unidos, onde é listada, US$ 1 bilhão em ações.

O que acontece agora?

As ofertas feitas por Stone e Totvs serão levadas à aprovação dos acionistas. Segundo Winter, este processo não deve ser demorado e é aguardado já para os próximos dias.

“Essas propostas têm impacto imediato de fazer as ações subirem. Se os acionistas demorarem na decisão, as ações voltam ao patamar anterior de preço, o que não é interessante para eles próprios. Então, acredito que, em uma semana no máximo, teremos uma definição”, avalia.

No entanto, qualquer que seja a definição, a fusão teria potencial para mudar a dinâmica competitiva do setor.

Por isso, seja quem for que leve a Linx, a transação deverá passar ainda pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). E isto pode significar meses para uma conclusão definitiva.

Luis Sales, analista da Guide Investimentos, acredita que o período de avaliação será de três a seis meses, pelo menos.

Winter acredita, de toda forma, que o Cade não deve interferir negativamente no negócio.

Qual a tendência dos acionistas?

Podem pesar na decisão dos acionistas três fatores.

O primeiro é a questão de a proposta da Stone ser desvantajosa para os minoritários.

O segundo é a questão da lisura da negociação. Pode ser que o mercado não interprete com bons olhos a fusão com a Stone, depois das acusações feitas.

O terceiro é que, ao vender as ações para a Stone, o acionista abre mão de participar da Linx, já que as ações da Stone são negociadas em Nova York. Ao contrário, fechando com a Totvs, ele terá a possibilidade de participar da combinação das duas empresas.

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