Levantamento mostra evolução da capacidade de investimento das empresas de capital aberto

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Foto: QuoteInspector.com

Levantamento feito pela Economatica mostrou a evolução da capacidade de investimentos das empresas de capital aberto brasileiras na última década. Segundo os dados, o Brasil tem melhor relação Capex/depreciação que Estados Unidos e México.

A Economatica usou dados dos demonstrativos financeiros apresentados pelas empresas de capital aberto à CVM entre os anos de 2011 e 2020 e considerou na amostra somente empresas com dados disponíveis em todos os anos da amostra.

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Capex/depreciação é o indicador que avalia o nível de investimentos que as empresas efetuam com relação ao nível de depreciação no mesmo período. A amostra conta com 220 empresas com dados disponíveis de 2011 a 2020. Foi excluída da amostra a Petrobras tendo em vista que a empresa distorce a pesquisa devido ao elevado nível de Capex e depreciação comparada com as demais empresas.

Índices menores nos últimos anos

De 2011 a 2017 a mediana do Capex/depreciação das 220 empresas caiu sequencialmente, com recuperação no ano de 2018. Nos anos de 2019 e 2020 o índice voltou a registrar queda.

O Capex/depreciação no ano de 2019 é de 90,6% contra 89,2% no ano de 2020, este último influenciado pela pandemia que assola o mundo, diz a Economatica.

O Capex/depreciação de 2011 é de 218,2%, o que significa que as empresas na mediana investiram 2,18 vezes a sua depreciação. Devemos lembrar que no ano de 2011 o mercado de commodities no comércio internacional atingiu o seu melhor momento desde 2003.

Os níveis de investimento a partir de 2011 começam a diminuir por seis anos consecutivos até 2017. No ano de 2018 o Capex/depreciação quebra a sequência de seis anos e nos anos de 2019 e 2020 torna a ter quedas, porém menos acentuadas.

Nos anos de 2017, 2019 e 2020 o índice é menor que 100%, o que significa que na mediana as empresas investiram menos que a depreciação.

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Gráfico 1 Capex/depreciação - Investimentos

Evolução de Capex e depreciação

Alternativamente a Economatica plotou o gráfico com a evolução do Capex e depreciação em valores nominais e a relação de Capex/depreciação das 220 empresas da amostra.

“Verificamos que o Capex tem certa volatilidade já que em alguns anos os investimentos são maiores que em outros e o maior valor é registrado no ano de 2012 com R$ 154,6 bilhões. O segundo maior valor ocorre em 2019 com R$ 151,1 bilhões, mas devemos alertar que no ano de 2019 o valor acumulado foi majorado pelo Capex da Suzano que nesse ano registrou R$ 30,7 bilhões, elevando a amostra significativamente; para comparação no ano de 2018 a empresa teve investimentos de R$ 2,3 bilhões”.

A depreciação tem comportamento de crescimento constante na década.

O ano de 2020 foi o primeiro em que o valor nominal do Capex de R$ 124,5 bilhões foi inferior ao da depreciação de R$ 133,3 bilhões.

Efetuando a relação entre o Capex e depreciação verifica-se que em todos os anos a relação é superior a 100%, exceto no ano de 2020 quando o índice cai para 93,4%.

A Economatica alerta que esta maneira de cálculo pode ter distorções por existirem empresas com investimentos ou depreciação completamente fora da normalidade.

Gráfico 2 Capex/depreciação - Investimentos

Brasil, México e EUA

A Economatica apresentou também a mediana do Capex/depreciação de empresas não financeiras do Brasil, EUA e México.

A amostra possui quantidade de empresas variável entre 2011 e 2020, tendo em vista que o levantamento calcula a mediana do indicador com todas as empresas com dados em cada um dos anos nos três países.

“Percebemos que pelo segundo ano consecutivo em 2020 a mediana das empresas de capital aberto brasileiras é superior à mediana das empresas dos EUA e México. A mediana das empresas brasileiras é de 97,0 % contra 77,6% das empresas nos USA e 72,9% do México”.

Na mediana da amostra móvel verifica-se que no Brasil a relação de Capex e depreciação é menor que 100 % em 2017 e em 2020.

Após o nível de 2017, quando as empresas brasileiras atingiram 99,6%, é possível ver recuperação nos anos de 2018 e 2019 para valores acima de 100%.

Gráfico 3 Capex/depreciação - Investimentos

Setores com maior nível de Capex em 2020

A tabela abaixo lista os setores com maior nível de Capex em 2020 e é liderada pelo setor de Petróleo e Gás com sete empresas com Capex de R$ 29,4 bilhões, seguido pelo setor de Energia elétrica com 35 empresas e Capex de R$ 21,2 bilhões.

Gráfico 4 Capex/depreciação - Investimentos