Secunho: Tesouro Direto está mais alinhado com outros investimentos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / YouTube

O Especialista Sênior de Dívida do Banco Mundial Leandro Secunho falou nesta quarta-feira (30) no Cognition, evento da Unisinos promovido pela EQI, sobre as “a democratização dos títulos públicos federais”.

O evento que começou na segunda-feira (28) e vai até sexta-feira (2) é virtual e pode ser acessado neste link.

Secunho, que trabalhou por 15 anos no Tesouro Nacional, trouxe de uma maneira simples e acessível um assunto que para muita gente é incompreensível: gestão de dívida pública e o próprio Tesouro Direto.

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“Atualmente, há um aumento no número de investidores, mas não há riscos de crédito. Isso significa o Tesouro não pagar. Há uma garantia do Estado”, lembra Leandro Secunho.

“Abriu a possibilidade para que esse produto Tesouro Direto esteja mais alinhado com outras alternativas de investimento, como CDB, fundos de investimentos, LCA, LCI, para que o investidor possa resgatar seu dinheiro no dia que ele quiser e a preço de mercado”, afirma Secunho.

Dívida Pública

Bastante didático, Secunho começou explicando que a Dívida Pública Federal (DPF) é aquela “contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal”.

Aí, inclui-se o refinanciamento da própria dívida.

O déficit é quando o governo gasta mais do que arrecada.

Segundo ele, a DPF é “muitas vezes sinônimo de má gestão ou descontrole fiscal”, mas “não necessariamente é verdade”.

Ela impacta em contribuintes, que pagam mais impostos; e na própria sociedade, que vê o governo tendo menos dinheiro para investir em serviços demandados.

Impacta, claro, quem investe em títulos públicos, que financiam a dívida.

Acrescentando dívidas de estados e municípios, e do Banco Central, temos a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), medida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

“É um componente mais amplo, que as agências de rating, a comunidade investidores internacionais e economistas, quando quer saber o tamanho da dívida, em geral, usa este indicador”, ele explica.

Impacto da Covid-19 nos preços dos títulos

“As taxas dos títulos públicos da maioria dos países sofreram elevação”, ele afirma.

Há uma recuperação gradual das taxas, apesar da volatilidade.

Essa volatilidade fez o Tesouro anunciar em março o cancelamento de leilões de compra e venda de títulos.

Em junho, teve que rever o cronograma de leilões e reprogramar o Plano Anual de Financiamento.

Vale lembrar que os títulos servem como referência no mercado.

O estoque acabou aumentando, diante dos desafios de gastos gerados pela pandemia, especialmente em títulos prefixados curtos, o que aumenta o risco de refinanciamento.

Há também uma menor participação de títulos atrelados à taxa Selic, que hoje está em 2% ao ano.

Tesouro Direto

Apenas 1,47% da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna é o estoque de títulos do Tesouro Direto.

Isso representa R$ 61,24 bilhões em agosto de 2020.

Há um expressivo crescimento do número de investidores, com grande concentração de pequenos, com valor médio de aplicação em torno de R$ 5 mil.

Secunho lembra que os títulos de maior prazo oferecem maior variação de preços para uma mesma mudança de taxa. O aumento das taxas reflete queda nos preços.

A rentabilidade é negativa apenas se o investidor optar por resgate antes do vencimento.

Os títulos são precificados ao menos três vezes ao dia, com base em taxas de mercado.

Antes, as operações de recompra pelo Tesouro eram só na quarta-feira. Hoje, são diárias.

Além disso, a recompra pode ser feita a partir de agendamento.

Secunho afirma que não há riscos

O Tesouro não pagar tem “consequências catastróficas”, Secunho sublinha.

Isso quer dizer perda de confiança do investidores e queda das notas das agências de rating, por exemplo.

É um investimento seguro, embora conservador, muitas vezes, especialmente na preferência por Tesouro Selic.

Vale perceber qual seu perfil antes de investir e, claro, a necessidade de liquidez.

Além disso, Leandro Secunho lembra que houve melhorias no programa do Tesouro Direto, de 2013 para cá, o que fez dele mais acessível e compreensível.

Tanto que há um aumento grande no número de novos investidores. Sem riscos para o Tesouro.