Letras de Câmbio (LC): uma das opções mais rentáveis de renda fixa

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Foto: letras de câmbio

Se você não abre mão da renda fixa, mas quer rentabilidade melhor do que a dos CDBs e de outras modalidades da categoria, precisa conhecer as Letras de Câmbio (LC).

Diferentemente do que muitos imaginam, a LC nada tem a ver com operações de câmbio. Continue a leitura e entenda como funciona esse investimento!

O que são Letras de Câmbio (LC)?

Assim como o CDB, as Letras de Câmbio são títulos de renda fixa emitidos e negociados por uma instituição financeira. Mas enquanto os CDBs são emitidos somente por bancos, o emissor da LC é normalmente uma financeira. Ou seja, ao adquirir uma LC, o investidor estará “emprestando” dinheiro à financeira em troca de uma remuneração.

De forma geral, as financeiras são instituições de menor porte se comparadas a bancos. Por isso, costumam oferecer rendimentos superiores a outros investimentos de renda fixa, como CDBs e Tesouro Direto.

Tipos de LC

Existem três tipos de LCs negociadas no mercado: as prefixadas, as pós-fixadas e as híbridas.

A LC prefixada, como o nome diz, é aquela que o investidor conhece o rendimento já no momento da aplicação. Já a pós-fixada fornece uma estimativa do ganho. Ou seja, ela é atrelada ao CDI, que varia de acordo com o mercado financeiro.

Por fim, a LC híbrida é aquela cuja rentabilidade é formada parte por uma taxa fixa e parte por um índice do mercado. Nesse caso, o indexador pode ser o CDI ou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial da inflação brasileira.

Características das Letras de Câmbio

Veja agora algumas características das Letras de Câmbio:

Risco da LC

Da mesma forma que a maioria dos investimentos de renda fixa, a LC conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Logo, caso a financeira venha a falir, o investidor terá garantidos até R$ 250 mil de sua aplicação.

Rentabilidade

Como vimos, a rentabilidade das Letras de Câmbio costuma ser superior à de outras modalidades de renda fixa. Inclusive, não é raro encontrar financeiras que paguem de 120% a 130% do CDI por esses títulos.

Valor mínimo de aplicação

O valor mínimo para investir em LC varia conforme cada financeira. Normalmente, esses valores partem de R$ 1.000. Porém há instituições que exigem aportes maiores. Esse é um dos motivos pelos quais o investimento não é tão popular. Nesse sentido, CDBs, Tesouro Direto e fundos DI, por exemplo costumam ter mais procura do que as LCs.

Liquidez das Letras de Câmbio

Nesse ponto, o investidor precisa ter atenção se está avaliando adquirir Letras de Câmbio. Isso porque esses títulos não costumam ter liquidez diária. Em suma, o mais normal é que tenham vencimento entre 2 e 3 anos.

Dessa forma, o ideal é investir em Letra de Câmbio somente quando se tem a certeza de não precisar contar com os recursos antes do vencimento. Caso isso não seja possível e o investidor precise de resgate antecipado, precisará vender o título no mercado secundário. Nessa situação, há o risco de que ele não consiga manter a rentabilidade contratada no início do investimento.

Custos

Em relação aos custos, não há nenhum tipo de taxa cobrado nas Letras de Câmbio. Assim, o único custo que o investidor tem é o da tributação do Imposto de Renda (IR). Em resumo, as alíquotas obedecem a tabela regressiva das aplicações de renda fixa:

PrazoAlíquota
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Há também a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na LC. Porém, isso só ocorre em resgates efetuados antes de 30 dias do início da aplicação.

Conclusão

Se você busca um investimento mais conservador e rentável ao mesmo tempo, as Letras de Câmbio podem ser uma boa opção. No entanto, não esqueça de que a maioria das Letras de Crédito são investimento de médio e longo prazo. Portanto, antes de pensar nesses títulos, certifique-se de ter formado a sua reserva de emergência, para não sacrificar os rendimentos da sua carteira.