Latam e afiliadas pedem recuperação judicial nos EUA

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Facebook / Latam

A Latam confirmou na manhã desta terça-feira (26) que, junto com suas filiadas no Chile, Peru, Colômbia e Equador, entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. As unidades do Brasil, Argentina e Paraguai não fazem parte do pedido, de acordo com informaçoes da CNN e do Estadão.

O pedido seria consequência do forte impacto da crise do novo coronavírus no setor aéreo em todo o mundo, um dos mais afetados pela pandemia.

Pelo twitter, a companhia afirmou que continuará operando normalmente durante o processo. Para isso, deve receber um empréstimo de até US$ 900 milhões dos controladores, a chilena Cueto, que tem 21,5% de participação, a brasileira Amaro, dona de 2%, e a Qatar Airways, 10%, de acordo com o Estadão.

“Implementamos uma série de medidas difíceis para mitigar o impacto dessa interrupção sem precedentes do setor, mas, no final das contas, esse caminho representa a melhor opção”, afirmou o CEO Roberto Alvo.

A Latam é uma empresa chilena com a maior parte de suas operações no Brasil.

De acordo com a reportagem publicada no Estadão/Broadcast, ao acessar o Chapter 11 da lei de falências americana, a companhia aérea está tentando buscar uma saída para negociar compromissos com arrendadores de aeronaves, o que não é possível pela lei de recuperação judicial brasileira,

Socorro financeiro

A notícia já tinha sido aventada ontem por veículos de imprensa, mas a companhia tinha negado.

Com o pedido, a Latam pode encontrar dificuldades para conseguir acessar o plano emergencial do governo federal que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está elaborando.

No último dia 15 foi anunciado que as três principais companhias aéreas do Brasil, Azul (AZUL4), Gol (GOLL4) e Latam fecharam acordo para receber socorro de um sindicato de bancos.

Pacote de incentivo

Segundo o BNDES, o pacote de incentivo ao prejuízo causado pela pandemia do coronavírus ficaria entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões.

O apoio às empresas seria feito por meio de ofertas públicas de títulos de dívida e contemplaria a participação mínima de 30% de investidores privados, com BNDES (60%) e bancos privados (10%) garantindo a demanda da maioria de cada oferta.

Mas a Latam não tem capital aberto no Brasil. Precisaria, então, buscar uma alternativa.

Apesar de ser chilena, a empresa também teria dificuldade de conseguir auxílio no Chile.

Naquele país, diz o Estadão, “haveria uma dificuldade extra: o presidente Sebastián Piñera já foi acionista da companhia e é próximo à família Cueto, controladora da empresa. Uma ajuda financeira à Latam poderia, portanto, não ser bem recebida no Chile”.

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Demissões e dívidas

A reportagem do Broadcast do Estadão informa que a Latam já contratou recentemente o banco PJT Partners para ajudá-la na reestruturação de sua dívida.

“Há 10 dias, a empresa deixou de honrar o pagamento de uma parcela de um empréstimo de US$ 1 bilhão feito em 2015 para comprar 17 aeronaves”, pontua o Estadão.

“A dívida foi estruturada nos Estados Unidos – daí o pedido de recuperação no país.”

A Latam demitiu em maio 1400 funcionários, lembra o jornal.

Segundo a edição online do jornal Valor Econômico, a Latam encerrou o ano de 2019 com US$ 1,5 bilhão em caixa, além de uma dívida de curto prazo de US$ 1,8 bilhão. O total da dívida é de US$ 10,4 bilhões, acrescenta o Valor.

O Valor especifica, segundo fontes consultadas pela reportagem da edição online do jornal, que a empresa não quitou, no último dia 15 de maio, US$ 8,2 milhões da dívida total.

As dívidas da companhia em títulos, adiciona o Valor, incluem vencimentos em 2023 (de US$ 175,6 milhões) e 2027 (US$ 845,2 milhões).

Nova realidade econômica

No último dia 19, executivos da Gol, Azul e Latam participaram de uma live promovida pelo banco BTG Pactual.

O vice-presidente comercial do Grupo Latam Airlines, Michael Rutter, disse na ocasião que a empresa vinha “adaptando a oferta às exigências dos clientes nesse complexo cenário”, referindo-se à pandemia.

Entre as iniciativas, Rutter lembrou que a Latam “aumentaria voos, destinos e frequências, além de adotar ações concretas alinhadas à nova realidade econômica”.

Para ele, o novo cenário será marcado pela necessidade de oferecer aos clientes “passagens mais flexíveis e acessíveis, novas medidas sanitárias e um serviço de assistência ao passageiro durante a viagem”.

No dia 20, a empresa havia anunciado que pretendia retomar suas operações, ao longo dos próximos dois meses.

Lufthansa e governo alemão entram em acordo

O problema enfrentado pela Latam é mundial. Até mesmo as companhias do primeiro mundo estão afundadas em dificuldades e não sabem até quando poderão levantar voo.

A alemã Lufthansa e o governo de seu país acertam pacote de resgate de € 9 bilhões.

O acerto dá ao governo o controle de 20% das ações da companhia aérea, com bônus conversível de 5% para evitar a aquisição por outros interessados. O investimento do governo tem a intenção de manter os empregos do setor duramente atingido pela pandemia.

“Antes da pandemia de coronavírus, a companhia operava de modo saudável e lucrativo e tinha boas perspectivas para o futuro”, afirmou o Ministério alemão da Economia em nota.

O mercado respondeu bem ao acordo, fazendo as ações da Lufthansa subirem 7,5%.

Além disso, a aérea receberá empréstimo de três anos no valor de € 3 bilhões diretamente do banco estatal alemão KfW e de instituições bancárias privadas, tudo para evitar que a empresa precise ser vendida.

(com informações do Estadão/Broadcast e do Globo)