Balanços: safra traz maioria de resultados abaixo do esperado

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Divulgação

Com metade da safra de balanços de empresas listadas no Ibovespa já encaminhada, os investidores podem ter uma prévia do desempenho das companhias.

Segundo um estudo da XP Investimentos, 41% das empresas registraram resultados abaixo do esperado, enquanto 35% reportaram desempenho acima.

Considerando o consenso do mercado e da XP, o universo de empresas com resultados abaixo do esperado soma 29% e, acima, 23%.consenso-min

Cabe ressaltar que o desempenho das companhias ainda não assimila dos efeitos do novo coronavírus, já que a pandemia afetou os desempenhos, sobretudo, a partir da segunda quinzena de março.

Veja abaixo os destaques na avaliação da XP Investimentos dos resultados divulgados na última semana.

Resultados positivos

Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3)

Conforme a XP, essas duas companhias reportaram fortes resultados referentes ao primeiro trimestre, em linha com as expectativas da gestora.

Apesar dos efeitos negativos da crise desencadeada pelo novo coronavírus, as vendas do Universo Americanas (faturamento combinado da Lojas Americanas e da B2W) apresentaram aumento de 17% na comparação anual.

Lojas Americanas

CCP (CCPR3)

Os resultados vieram acima do esperado, com Ebitda de aproximadamente R$ 91 milhões e lucro líquido de R$ 36 milhões.

Apesar dos resultados positivos de forma geral, as Vendas Mesmas Lojas dos shoppings diminuíram 13%, enquanto as vendas caíram 11% a.a., e as receitas de estacionamento caíram 3% a.a., indicadores que já refletem o impacto negativo das políticas restritivas de distanciamento social sobre as operações.

AES Tietê (TIET11)

A companhia obteve fortes resultados no 1T20, com Ebitda ajustado acima das expectativas e uma distribuição de 118% do lucro como dividendos (dividend yield de 1,55%).

A XP aguarda reação positiva e mantém recomendação de compra.

Sanepar (SAPR11)

A empresa divulgou resultados em linha com as estimativas a gestora, mas com forte geração de caixa, o que leva a uma avaliação ligeiramente positiva.

A XP mantém recomendação de compra com preço alvo de R$ 33 por ação.

Klabin (KLBN11)

Obteve números melhores que o esperado no primeiro trimestre, com Ebitda de R$ 1.028 milhão, 7%. O principal destaque foi o volume de papel mais forte, sinalizando uma recuperação da demanda doméstica melhor que o esperado, sem grande impacto da Covid-19.

Além disso, os volumes de celulose ficaram alinhados com a previsão e melhor implementação de aumentos de preços resultaram na receita líquida do segmento 2%.

Klabin

Raia Drogasil (RADL3)

A combinação de forte aceleração no ritmo de crescimento de vendas, acompanhada de expansão de margem e progresso importante na agenda digital são notícias positivas que devem suportar o otimismo em relação às ações.

Entretanto, a desaceleração a partir do final de março é um ponto chave a ser monitorado.

Santander (SANB11)

O lucro veio 11% acima das estimativas e 8% acima das estimativas de mercado em R$ 3,9 bilhões e um retorno sob patrimônio líquido alto de 22%.

O banco espanhol citou que o bom lucro reflete o fato de que os impactos da crise do coronavírus não foram sentidos intensamente no primeiro trimestre.

Santander compra Olé Consignado por R$ 1,6 bilhão

WEG (WEGE3)

O resultado veio acima das expectativas e acima do consenso de mercado. Os impactos da disseminação da Covid-19 ainda são incipientes, mas deverão se tornar mais visíveis a partir do próximo trimestre.

Apesar de a WEG estar bem posicionada para enfrentar o cenário de demanda global, contando com um balanço forte, o nível atual de valuation já reflete esses fatores.

Atualmente, as ações são negociadas a ~42x P/L 2021, acima da média histórica e também acima dos principais pares globais (cerca de 2-3x mais caras em termos de P/L).

A XP enxerga potencial de valorização limitado e mantém recomendação neutra.

CESP (CESP6)

Obteve fortes resultados no 1T20, com Ebitda e Lucro acima das estimativas, bem como elevada geração de caixa.

A qualidade do resultado se deveu a uma bem-executada estratégia de comercialização de energia da empresa durante o trimestre.

A gestora diz esperar reação positiva para as ações, e reitera recomendação de compra.

Resultados negativos

Itaú (ITUB4)

O banco reportou resultado abaixo das expecativas, com lucro de R$ 3,9 bilhões, queda anual de 43%, e um retorno sobre patrimônio líquido de 12,6%.

O lucro foi principalmente afetado por um maior provisionamento que visa enfrentar possíveis aumentos na inadimplência; o custo de crédito aumentou 165% anualmente para R$ 10,1 bilhões.

Porém, a gestora diz acreditar que as atitudes conservadoras adotadas pelo banco sejam necessárias, uma vez que 70% da carteira do banco é concentrada no mais arriscado segmento de varejo, e que agora o banco esteja mais preparado para os eventuais efeitos da crise.

A XP reitera a recomendação neutra e preço-alvo de R$ 30, uma vez que um eventual aumento na inadimplência já esteja precificado.

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Gerdau (GGBR4)

A companhia reportou Ebitda em R$ 1,2 bilhões. Os principais fatores para o resultado mais fraco foram os volumes menores nas unidades de negócios da empresa – exceto na América do Norte.

O FCF atingiu valor negativo de R$ 441 milhões no período devido à recuperação de capital de giro no 1T20.

Além disso, a empresa revisou sua expectativa para investimentos em 2020 de R$ 2,6 bilhões para R$ 1,6 bilhão, após os impactos da Covid-19 sobre a demanda de aço em suas unidades de negócios.

BB Seguridade (BBSE3)

O banco registrou fraco resultado neste primeiro trimestre de 2020, 12% abaixo das expectativas de mercado.

O resultado foi principalmente impactado pelo resultado financeiro dos negócios de seguro e de previdência, que sofreram com a menor SELIC e descasamento entre ativos e passivos.

Além disso, a seguradora descontinuou seu guidance para 2020 dada a incerteza causada pela pandemia do coronavírus.

Banco do Brasil (BBAS3)

A instituição reportou resultados abaixo do esperado em R$ 3,4 bilhões neste primeiro trimestre de 2020, 25% abaixo das estimativas de mercado e com um retorno sob patrimônio líquido de 12,3%.

A queda foi principalmente derivada de maiores custos de crédito que vieram em R$ 5,5 bilhões e uma maior taxa efetiva de imposto em 25%.

O resultado, desconsiderando imposto e provisões, veio 16% maior anualmente e 10% maior trimestralmente em R$ 12 bilhões.

Porém o maior nível de provisionamento não foi prospectivo, uma vez que a cobertura permaneceu inalterada trimestralmente em cerca de 200%.

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Porto Seguro (PSSA3)

A companhia acaba de postar lucro abaixo do esperado neste primeiro trimestre de 2020, caindo 24% anualmente para R$ 228 milhões.

O retorno sobre patrimônio líquido veio em 12,3%. A queda tem como fundamento o resultado financeiro que saiu de R$ 271 milhões no 1T19 para negativo R$ 2 milhões neste trimestre, impactado pelos investimentos em renda variável, que teve forte queda desde o início da crise do coronavírus.

EDP Energias do Brasil (ENBR3)

A empresa divulgou resultados do 1T20, com um Ebitda ajustado em linha com as expectativas, mas abaixo do consenso de mercado.

A principal surpresa negativa veio no segmento de geração hidrelétrica, reflexo da combinação de maior alocação sazonal de vendas no trimestre e da queda de preços de energia no mercado de curto prazo.

Independente da reação das ações no pregão com o resultado, continuamos a ter uma visão positiva da EdP dentre as elétricas integradas, e mantemos recomendação de compra.

Cielo (CIEL3)

A companhia reportou resultado negativo neste primeiro trimestre, com lucro de R$ 167 milhões.

Como a empresa mudou sua metodologia de incorporação da subsidiária Stelo, não foi possível consolidar estimativas.

A queda reflete tanto o aumento na competição, quanto os efeitos já esperados de queda do volume neste primeiro trimestre devido à pandemia do coronavírus.

A XP reitera recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5.

Cielo

Bradesco (BBDC4)

O banco registrou resultados abaixo do esperado neste primeiro trimestre, com o lucro 38% abaixo das estimativas de mercado em R$ 3,8 bilhões e retorno sob patrimônio líquido de 11%.

O resultado foi impactado principalmente por custo de crédito, que veio acima do esperado e cresceu 86% anualmente para R$ 6,7 bilhões e pelo segmento de seguros, que postou uma redução de 23% anualmente para R$ 2,9 bilhões.

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Embora o resultado tenha sido negativo, a XP reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 28, uma vez que o atual preço do banco é atrativo, com o papel sendo negociado a 1,4x seu valor patrimonial.

Bradesco

Resultados em linha

Ambev (ABEV3)

A companhia reportou resultado consolidado melhor do que o esperado, mas os volumes de cerveja no Brasil caíram 11,5% a.a.

Segundo a Ambev, o impacto total da pandemia nos resultados futuros permanece muito incerto, mas o impacto nos resultados do 2T20 será substancialmente pior do que no 1T20.

Em abril, os volumes consolidados caíram 27%. A gestora mantém recomendação neutra e espera que as ações permaneçam pressionadas no curto prazo.

Gol (GOLL4)

A companhia reportou resultados ligeiramente acima das expectativas no 1T20. Em geral os resultados refletem em parte os impactos referentes à redução da demanda e políticas mais restritivas de distanciamento social, bem como um câmbio desvalorizado.

A XP diz acreditar que o foco daqui para frente estará no gerenciamento da liquidez da companhia, bem como no fluxo de notícias relacionado à linha de crédito do BNDES e na evolução das políticas de distanciamento social no Brasil.

Gol

Copasa (CSMG3)

A XP diz ter avaliação neutra dos resultados do 1T20 da Copasa, por cota dos dados que vieram em linha com as estimativas.

Entretanto, a gestora enxerga cenário complexo para a concretização de uma eventual privatização da companhia nos ambientes federal e estadual.

Soma-se a isso o fato de a companhia ter aprovado para 2020 uma distribuição de proventos de apenas 25% do lucro, o que é abaixo do potencial previsto no estatuto da companhia e de sua capacidade de remuneração a acionistas devido ao baixo endividamento da companhia.

A XP diz acreditar que há poucos motivos para se investir nas ações da Copasa, e mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 53 por ação.

Vale (VALE3)

A mineradora reportou EBITDA ajustado de US$ 3 bilhões, uma queda de 35% no trimestre. A geração de caixa de US$ 380 milhões foi US$ 947 milhões abaixo do trimestre anterior devido ao menor Ebitda.

Apesar do menor investimento e pagamentos mais baixos relacionados a Brumadinho, a XP mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 61 por ação.

Vale

ISA CTEEP (TRPL4)

A empresa anunciou EBITDA ajustado de R$ 596,5 milhões. Na base anual, o Ebitda teve crescimento de 7,6% em função da variação positiva do IPCA na receita, da entrada em operação de novos projetos e de menores custos operacionais na comparação dos períodos.

Multiplan (MULT3)

A companhia reportou resultados recorrentes modestos no 1T20, já refletindo os impactos adversos do fechamento dos shoppings no final do trimestre, o que se refletiu em receitas de aluguel e estacionamento mais fracas, queda de 12% nas vendas mesmas lojas (SSS) e de 9% no aluguel mesmas lojas.

Apesar da performance fraca desses indicadores, em parte já esperada pelo mercado, a gestora diz acreditar que o foco a partir de agora estará no monitoramento do fluxo de pessoas e das vendas dos shoppings, uma vez que o funcionamento dos ativos for retomado, bem como na evolução da vacância e da inadimplência dos lojistas.

Apesar do curto prazo desafiador, a XP acredita que shoppings configurem um modelo de negócio mais defensivo em meio a um cenário de atividade incerta.

(Edição Rodrigo Petry)