Lagarde publica artigo sobre resposta da UE à crise do Covid-19; incentivo é de € 870 bi

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Facebook Oficial Christine Lagarde

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), a francesa Christine Lagarde, publicou na noite dessa quinta-feira (19), em diversos jornais, os mais importantes dos países-membros, um artigo sobre como a instituição pretende lidar com a pandemia do novo coronavírus, o Covid-19.

Para ela, antes de tudo, trata-se não só de uma crise aguda de saúde pública mundial, mas também de um choque econômico extremo.

“A pandemia do coronavírus constitui uma emergência coletiva em termos de saúde pública sem precedentes na história recente”, ela escreveu. “Trata-se também de um choque econômico extremo, que exige uma resposta ambiciosa, coordenada e urgente em termos de políticas em todas as frentes, a fim de apoiar as pessoas e as empresas em risco”.

A resposta que a humanidade deu nesse momento tão difícil foi diminuir as atividades cotidianas e sociais, incluindo o trabalho.

“Essencialmente, durante um período temporário, uma grande parte da economia sofrerá uma interrupção”, disse.

“Em resultado, a atividade econômica no conjunto da área do euro diminuirá consideravelmente. As políticas públicas não podem evitar esta situação. Podem, contudo, assegurar que o abrandamento não seja mais prolongado e profundo do que o necessário. A atual situação cria pressões agudas ao nível dos fluxos financeiros das empresas e dos trabalhadores, ameaçando a sobrevivência das empresas e dos postos de trabalho. Compete às políticas públicas proporcionar-lhes apoio”.

Papel vital

“Cabe à política monetária desempenhar um papel vital”, nessa luta pela manutenção do modo de vida estruturado da União Europeia.

“A política monetária tem de preservar a liquidez no setor financeiro e assegurar condições de financiamento favoráveis para todos os setores da economia. Tal aplica-se do mesmo modo aos particulares, às famílias, às empresas, às instituições de crédito e aos governos”, ela afirmou.

Ela sabe o que diz, por certo. O setor público, que, na área do euro, representa praticamente a metade da economia, não pode ser restringido como o setor privado tem sido durante a crise.

Na última semana, as condições na área do euro deterioraram-se de forma considerável. A situação econômica tornou-se mais sombria, segundo ela.

Medidas de Lagarde

Assim, o Conselho do Banco Central Europeu anunciou um novo programa de compra de ativos devido a emergência pandêmica, com um aporte de € 750 bilhões até ao final do ano.

Esse valor seria acrescido aos € 120 bilhões decididos em 12 de março.

“No seu conjunto, o montante disponibilizado ascende a 7,3% do produto interno bruto (PIB) da área do euro. O programa é temporário e concebido para fazer face à situação sem precedentes com que se depara a nossa união monetária. Estará disponível para todas as jurisdições e permanecerá em vigor até termos avaliado que esta fase de crise do coronavírus chegou ao fim”, diz o artigo.

O novo instrumento apresenta três vantagens principais, defendeu a presidente do BCE.

“Em primeiro lugar, ajusta-se ao tipo de choque que enfrentamos: um choque exógeno, desligado dos fundamentos econômicos e que afeta todos os países da área do euro”.

“Em segundo lugar, permite-nos intervir na totalidade da curva de rendimentos, prevenindo a fragmentação financeira e as distorções na fixação do preço do crédito”.

“Em terceiro lugar, está concebido de forma a gerir a progressão faseada do vírus e a incerteza acerca do momento e do lugar em que as consequências serão mais gravosas”.

Além disso, Lagarde avança, “estamos disponibilizando liquidez num montante de € 3 bilhões, através das nossas operações de refinanciamento, designadamente à taxa de juro mais baixa fixada pelo BCE: -0,75%”.

Isso, de acordo com o BCE, amplifica o estímulo, canalizando-o diretamente para aqueles que mais podem se beneficiar.

Empréstimos

“As autoridades de supervisão bancária europeia também liberaram um montante estimado € 120 bilhões de euros em capital bancário adicional, o qual pode apoiar uma considerável capacidade de concessão de empréstimos por parte das instituições de crédito da área do euro”, escreveu Lagarde.

Encerrando, ela afirma que “todas estas medidas sublinham o compromisso do BCE em desempenhar o seu papel no apoio a todos os cidadãos da área do euro neste momento particularmente delicado. O BCE assegurará que todos os setores da economia possam beneficiar de condições de financiamento favoráveis, que lhes permitam absorver este choque”.

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