‘Lado bom da crise é a conectividade’, diz Reichstul, da Indie

Osni Alves
Jornalista | oalvesj@gmail.com
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Crédito: ‘Lado bom da crise é a conectividade’, diz Daniel Reichstul, da Indie

Gestor e sócio fundador da Indie Capital, Daniel Reichstul lembra que toda crise acaba e que essa, em especial, tem um lado bom que é a conectividade.

Isso porque a gestora, fundada há oito anos, acabou ampliando sua produção de teses e conversas com executivos.

“Estamos fazendo muito mais reunião do que fazíamos antes. Esse formato tem muito mais produtividade, porque a gente não tem o deslocamento de ir até as empresas”, disse.

Significa dizer que os analistas da Indie trocaram a ponte aérea, bem como as rodovias do país, pelas reuniões por vídeo chamadas.

Para Reichstul, a pandemia acelerou o processo de digitalização das empresas e esse, possivelmente, será um caminho sem volta.

A Indie Capital administra R$ 1,4 bilhão. Reichstul conversou com Luis Fernando Moran e Elias Wiggers, da EQI Investimentos, na tarde de segunda-feira (25) por meio de rede social.

Reichstul: principais ativos da Indie

Dentre os principais ativos que a Indie mantém posição, destaque para o grupo Fleury (FLRY3) que, justamente por conta da crise, teve uma alavancagem em seus negócios.

Segundo Reichstul, a companhia se beneficiou de uma alteração na legislação que passou a permitir, provisoriamente, o tele atendimento médico.

A empresa já vinha digitalizando parte de sua atividade-fim por considerar que o ambiente online deverá crescer nos próximos anos, processo acelerado pela pandemia.

Veja o desempenho do FLRY3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

SULA11, GNDI3 e HAPV3

Conforme Reichstul, a Indie acompanha de perto o segmento de saúde, até porque mantém posição em Intermedica (GNDI3), Sulamerica (SULA11) e Hapvida (HAPV3).

“Estamos monitorando as discussões sore telemedicina, até por ser uma área que a gente investe bastante. A questão da digitalização vai afetar vários setores, no caso da saúde, é interessante que a regulação teve que dar um salto por causa da epidemia”, citou.

A SulAmérica Seguros é o maior grupo segurador independente do Brasil, com uma rede de distribuição de mais de 30 mil corretores.

BPAC5

Uma companhia que a Indie aguardava o momento para comprar era o banco BTG (BPAC5), cuja aquisição se deu em meio à crise do coronavírus.

“O BTG foi posição que não tínhamos e compramos na crise, porque o valuation parecia muito atrativo com a queda toda que sofreu no período”, disse.

E acrescentou: “é um banco que tem cultura forte e não é muito alavancado.”

Reichstul: MGLU3

Uma das queridinhas do mercado, a Magazine Luiza (MGLU3) despontou em meio à crise justamente por segurar o impacto da pandemia no balanço com sua atuação no digital.

“Quem não tem nenhuma estrutura online sofre. Em relação ao Magazine Luiza, a gente aumentou posição por causa do online”, frisou.

E disse mais: “houve mudanças no setor de varejo e a gente deu mais atenção a empresas com essas características.”

Entretanto, fez uma ressalva: “fizemos algumas mudanças de peso entre setores de nossa carteira, observando quem se beneficiava da crise, mas a gente não abandonou as empresas das quais gostamos”, disse, elencando Renner (LREN3), Centauro (CNTO3) e Rumo (RAIL3).

Veja o desempenho do MGLU3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

LCAM3

Para Reichstul, o tranco sofrido pela Unidas (LCAM3) foi motivo de espanto, visto se tratar de uma companhia mais protegida do que o varejo, na opinião do gestor.

“Quase 60% dos resultados dela vêm de frotas, que é uma área que vai sofrer, porém, a empresa está muito capitalizada, fez oferta antes da crise e está numa posição privilegiada. Nós reforçamos posição na Unidas”, declarou.

A Indie Capital

De acordo com Reichstul, trata-se de uma casa fundamentalista, que se utiliza de bottom-up, cuja dinâmica requer uma analise minuciosa da empresa, mas também de seus gestores.

“Nosso processo é muito calcado em análise de pessoas e, além disso, teses de investimento e teses de empresas de crescimento acelerado”, destacou.

Já o segundo bloco de teses, disse, visa empresas que tenham potencial interessante e passam por mudanças de gestão. “Então, aqui também tem relação com pessoas, com capital humano”, elencou.

Segundo ele, a Indie se propõe a ser uma casa onde a melhor ideia prevaleça sobre hierarquia. “Nossas análises são feitas por dois especialistas e depois apresentadas ao grupo”, disse.

A Indie Capital cobre 74 empresas listadas no Ibovespa. Antes da crise, a gestora contratou um seguro sem saber o que vinha pela frente.

“Compramos uma proteção de Ibovespa a 105 mil pontos e também uma do índice de Small Caps basicamente porque consideramos, à época, que esses seguros estavam baratos”, frisou.

E concluiu brincando: “não sei se foi sorte ou se foi competência.”