Klabin (KLBN11) tem alta de 30% no ano e pode subir mais: entenda

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Royalty da klabin desafia BNDESPar

A Klabin (KLBN11) é uma das empresas mais tradicionais do mundo no setor de papel e celulose, e também um dos pesos pesados da B3.

Até setembro, as ações subiram 31% em relação ao final de 2019. Além disso, em agosto, os papéis chegaram a atingir R$ 26,11, sua maior cotação desde que se tornou uma companhia de capital aberto.

Em 2020, a alta do dólar beneficiou a receita líquida da Klabin. Entretanto, outros fatores também contribuíram para o bom desempenho das ações da empresa. Entre eles, está o expressivo aumento do consumo de embalagens durante a pandemia, um dos carros-chefe do portfólio da companhia.

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Além disso, o megainvestimento de R$ 8,1 bilhões no aumento da capacidade produtiva também anima o mercado. Isso porque, após concluído, a companhia estará bem mais próxima de seus principais concorrentes mundiais em termos de volume de produção.

Atualmente, a empresa conta com 19 unidades fabris, distribuídas em 9 estados do Brasil e 1 da Argentina.

Quer conhecer melhor a Klabin? Esse texto detalha a história da empresa, resultados e perspectivas para a companhia.

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Histórico da Klabin

A empresa foi fundada há 121 anos, quando Mauricio Klabin, imigrante lituano, chega ao Brasil e dá início à parceria com seus irmãos, Salomão e Hessel Klabin.

A princípio, os irmãos importavam produtos de papelaria e produziam artigos de escritório. Logo depois, teve início a produção de papel com o arrendamento da primeira fábrica, em 1902.

No entanto, o primeiro grande boom da companhia veio durante o governo Vargas, marcado por uma política econômica de incentivo às indústrias. Dessa forma, em 1934, os irmãos adquiriram a Fazenda Monte Alegre, no Paraná, a primeira fábrica integrada de papel.

Anos depois, em 1941, foi constituída a primeira S/A do grupo, chamada Indústria Klabin de Papel e Celulose. Por fim, em 1947, a companhia consolida sua importância no mercado nacional ao começar a fornecer papel para a imprensa brasileira.

Por outro lado, a expansão das atividades para a América Latina ocorre em 1997. Nesse ano, a Klabin estabelece joint venture com a Kimberly-Clark, criando a empresa que se tornaria Klabin Kimberly S/A em 1999.

Em 2008, com a expansão de Monte Alegre, a unidade se posiciona entre as 10 maiores fábricas de papel do mundo. Por sua vez, a Klabin passa a figurar entre os 6 maiores produtores mundiais de fibras virgens.

Entretanto, o maior projeto de investimento da história da companhia veio em 2019, como veremos a seguir.

Projeto Puma II

No ano passado, a Klabin anunciou o Projeto Puma II, que contempla a construção de duas máquinas de papel para embalagens (kraftliner) no Paraná. Segundo a empresa, o projeto será dividido em duas partes. A primeira parte entrará em funcionamento em julho de 2021, e a expectativa é de que seja concluído em 2024.

Com esse investimento, a produção de kraftliner passará de 300 mil toneladas para cerca de R$ 1,2 milhão de toneladas. Dessa maneira, a Klabin ficará praticamente no mesmo patamar dos seus dois principais concorrentes mundiais (hoje ela é a terceira no ranking).

Mercados e portfólio da Klabin

Atualmente, 52% das vendas da companhia são para o mercado externo.

Em relação ao seu portfólio, a representação atual no faturamento é a seguinte:

  • Celulose – 44%
  • Embalagens – 21%
  • Cartões – 21%
  • Kraftliner – 13%

No Brasil, a Klabin é líder nos segmentos de papéis e embalagens. Segundo relatório do primeiro semestre, a companhia detém market share de 42% em kraftliner e 50% em papel-cartão no mercado nacional.

Novo negócio no radar

Em março deste ano, a Klabin anunciou a compra da International Paper no Brasil. A negociação, fechada por R$ 330 milhões, foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em meados de setembro.

Com essa aquisição, a Klabin se consolida na liderança do mercado de kraftliner. Isso porque agregará os 6,6% detidos pela concorrente americana, conforme dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO).

Resultados de 2020

No último trimestre, a empresa apresentou o maior Ebitda trimestral de sua história, de R$ 1,3 bilhão. Isso corresponde a um crescimento de 39% em relação ao mesmo período de 2019.

Segundo a companhia, o fato de 80% de seu portfólio representar produtos de primeira necessidade explica o bom desempenho do período.

Em relação às vendas, a receita líquida do semestre foi de R$ 5,5 bilhões, uma alta de 9% em relação a 2019. Nesse sentido, a variação cambial foi a principal responsável, já que, em volume físico, o crescimento foi de 7%.

Por outro lado, o resultado do semestre foi negativo, principalmente em função do aumento das despesas financeiras no período. Entretanto, a maior parte desse valor reflete somente a variação cambial, ou seja, não tem efeito caixa.

Quanto à alavancagem, a Klabin encerrou o semestre com dívida líquida de R$ 20,8 bilhões. Segundo a companhia, o aumento deve-se basicamente à desvalorização do real e aos investimentos no projeto Puma II.

O que mexe com as ações?

Historicamente, as ações do setor de papel e celulose sofrem oscilações por serem ligadas a  commodities. Além disso, no caso da Klabin, há forte influência do dólar no preço de seus papéis em função das operações com o mercado externo.

Em meados de setembro, o Credit Suisse elevou o preço-alvo da ação da Klabin em 23%, e manteve a recomendação neutra.  Segundo o banco, a revisão para cima teve como principal motivo a redução de custos nas divisões de papel e papelão da Klabin. Além disso, foi considerada a redução de 8% da projeção de investimentos da companhia para 2020.

Dessa forma, em 15 de setembro, a instituição passou o novo preço-alvo das ações para R$ 26,50.

A Mirae Asset também aposta na valorização dos papéis da Klabin, e os manteve na carteira recomendada de setembro.

Por fim, ainda segundo o Credit Suisse, a demanda por papel e celulose no Brasil cresceu em agosto. Além disso, também é esperado o aumento da demanda histórica do segundo semestre, o que tende a valorizar as ações do setor.