Justiça homologa delação de suspeito de invadir celular de Moro

Weslley Almerindo
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Nesta terça-feira (3), foi homologada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal a delação de um dos suspeitos de invadirem celulares e aplicativos de autoridades. Nesse sentido, o delator prometeu entregar conversas privadas que estariam armazenadas em servidores fora do país e o celular que usava para vazar os dados.

Contextualização

Mensagens vazadas pelo The Intercept Brasil e a posição de Glenn Greenwald

O site The Intercept Brasil, do renomado jornalista Glenn Greenwald, vem divulgando a meses mensagens atribuídas ao atual Ministro da Justiça Sérgio Moro e outras autoridades, como Daltan Dallagnol, procurador da República.

Desse modo, o site, questionado diversas vezes sobre sua fonte, disse não poder revelá-la por se tratar de uma fonte anônima.

Além disso, Glenn Greenwald diz que não cometeu nada ilegal e que não sabia a origem das mensagem quando as publicou, embora tenha feito todo o apuramento necessário para comprovação de sua veracidade.

“Eu não procurei ninguém, essa fonte veio para nós sem pedirmos nada e disse que tinha um arquivo enorme que queria ceder aos jornalistas para ser reportado”, disse Glenn Greenwald em entrevista ao vivo para a rádio jovem pan.

“Meu interesse é muito simples, eu sou jornalista e quero informar o público  sobre o que as pessoas mais poderosas no país estão fazendo por trás dos bastidores, porque o público tem o direito de saber”, respondeu ao ser questionado sobre seus interesses com o vazamento das mensagens.

“Eu não sei quais os métodos a fonte utilizou para obter as informações, não me interesso em saber e se soubesse não falaria porque esse não é meu papel”, completou Greenwald, referindo-se ao compromisso jornalista fonte.

Nesse sentido, as mensagens vazadas continham conversas entre Moro e Dallagnol, o que configuraria um conluio nas operações da lavo jato em que participaram conjuntamente.

A possível ilegalidade apontada nas mensagens

Assim, sobre a relação entre magistrado e as partes envolvidas, o Código de Ética do Magistrado, disponível no site do Conselho Nacional de Justiça, diz o seguinte em seu artigo 8º:

“O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”

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Dessa maneira, os jornalistas do Intercept procuravam, por meio das mensagens, mostrar que essa “distância equivalente” não foi respeitada pelo então juiz federal Sérgio Moro e o procurador da República Daltan Dallagnol, haja vista suas conversas durante processos.

A homologação da delação

A investigação denominada de Operação Spoofing, da Polícia Federal, identificou o estudante de direito Luiz Henrique Molição, o especialista em informática Thiago Eliezer Martins Santos e o hacker Walter Delgatti Neto como suspeitos do hackeamento de celulares e aplicativos de autoridades.

Dessa forma, Delgatti é apontado como mentor do esquema nos ataques. No entanto, a 10ª Vara do Distrito Federal homologou a deleção de Molição, participante do esquema e estudante de direto.

Nessa perspectiva, Molição se comprometeu não só a entregar mais 3 pessoas que teriam participado dos ataques virtuais, como também a entregar conversas privadas e o celular que usava para o vazamento de dados.

Além disso, em um depoimento prestado à PF em setembro, Molição declarou que Delgatti tentou vender as mensagens que obteve a Greenwald, que se recusou a pagar por elas.

Por fim, o juiz Vallisney de Oliveira da 10ª Vara fixou o prazo de 15 dias, contados a partir da quinta-feira (28), para que a PF conclua o inquérito sobre o caso e ao remeta ao Ministério Público Federal, que decidirá se denuncia ou não os envolvidos.

Com a colaboração que foi homologada na noite de segunda (2), Molição deve deixar a prisão.