Juros devem subir e chegar até 3% no segundo semestre, projeta Anbima

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Foto: Flickr

Os juros devem voltar a subir no segundo semestre deste ano, com o início da trajetória crescente, de acordo com os economistas que representam as instituições associadas à Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) no Grupo Consultivo Macroeconômico.

A projeção média é que a Selic passe dos atuais 2% para 2,25% em agosto. E deve continuar a ter altas subsequentes até dezembro. Assim, a projeção é que encerre 2021 em 3%.

“Na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que termina hoje já deve ser abandonado o forward guidance, um recurso adotado em agosto de 2020 para ancorar expectativas e limitar a alta da Selic. Assim, o Banco Central poderá ter mais flexibilidade para calibrar os juros”, afirma David Beker, vice-coordenador do Grupo Consultivo Macroeconômico na Anbima.

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Juros podem começar a subir em março

Alguns economistas do grupo acreditam ainda que o início do aumento dos juros pode, inclusive, ser antecipado para março, dependendo do andamento da pandemia e da campanha de vacinação.

Segundo eles, os juros em 2% não estão condizentes com os riscos vigentes na economia e a inflação mais alta pode persistir já que o processo de transmissão dos preços do atacado para o varejo ainda não foi concluído.

Para a inflação, a estimativa média dos economistas é de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerre o ano em 3,4%, abaixo da meta estipulada de 3,75%.

 

PIB de 3,4% em 2021

Quanto ao PIB (Produto Interno Bruto) de 2021, a projeção da Anbima que era de 3,5%, em dezembro do ano passado, caiu para 3,4%.

A expectativa do grupo é de recuperação gradual da atividade econômica ao longo dos próximos meses, ganhando mais força a partir do segundo semestre.

Em relação à política fiscal, os economistas apontam que o recente aumento dos casos de Covid-19 no Brasil deve contribuir para novos gastos do governo federal, o que pode postergar a recuperação das contas públicas.

As projeções para este ano são de déficit primário de 2,9% e de déficit nominal de 6,2% (em dezembro do ano passado, as expectativas eram de déficit de 3% e de 7%, respectivamente).

O agravamento da pandemia ao redor do mundo não deve reverter o processo de recuperação econômica global, segundo o grupo. Mas o crescimento deve, entretanto, se manter assimétrico, com destaque positivo para Estados Unidos e China.

Por fim, a projeção do câmbio para o encerramento de 2021 é de R$ 5,10. Ou seja, valorização de 1,86% do real no ano.