Juros sobem e títulos do Tesouro Direto têm perdas em agosto

Muitos investidores viram uma desvalorização no tesouro direto no mês de agosto e é importante entender porque isso acontece

Matheus Rosler
Eu Quero InvestirColaborador do

Crédito: Clker-Free-Vector-Images por Pixabay

Atualmente escutamos muito que Tesouro Direto é o investimento mais seguro do mercado financeiro, mas será que essa “regra” funciona em todas as situações?

Lembrando que Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional para a venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, via internet. Nessa plataforma são distribuídos diversos títulos de renda fixa, para financiamento da dívida pública, com diversos prazos e formas de rentabilidade diferentes.

Marcação a Mercado

Já explicamos, nesse artigo, o que é marcação a mercado de um título, seja ele privado ou público e, como isso pode impactar no valor investido, mas vamos relembrar alguns pontos. Marcação à mercado de um título, nada mais é que a precificação constante de um título caso ele seja resgatado naquele momento específico.

Quando investimos em um título de renda fixa, contratamos uma remuneração que será entregue, caso esse papel seja levado até o vencimento, isso se chama marcação na curva, ou seja, na curva contratada de rentabilidade. É assim que você vê um CDB rendendo na sua conta, marcado na curva.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Entretanto, o Tesouro Nacional via Tesouro Direto, garante a recompra de títulos de dívida do governo, isto é, o investidor não precisa leva-los até o vencimento. E é para isso que a marcação a mercado existe: quanto vale o meu título HOJE caso eu queira resgatá-lo e não levar até o vencimento?

Como funciona essa marcação?

Essa marcação toda é baseada na expectativa de juros futuros, precificados pelo mercado. Se existe um aumento de juros futuros, ou seja, expectativa de que a taxa SELIC seja maior daqui a alguns anos, novos títulos serão emitidos com taxas MAIORES e isso faz com que os títulos atuais se desvalorizem.

O contrário também é verdadeiro. Quando temos uma melhora no cenário e a expectativa é de que os juros futuros sejam menores, as taxas dos novos títulos caem e os atuais passam a ser negociados com mais valorização.

Os títulos, distribuídos pelo Tesouro Direto, que sofre messe fenômeno são: IPCA+, IPCA+ Com Juros Semestrais, Prefixado e Prefixado com Juros Semestrais. 

Sempre que as taxas diminuem, o PU (preço unitário) do título sobe, e consequentemente você consegue resgatar um PU maior do que o contratado para aquele dia. Da mesma forma o contrário. Esse efeito pode ser observado no gráfico abaixo, que mostra as taxas e preço de compra de uma NTN-F com vencimento em 2023.

Precificação da expectativa de juros

Agora que já recapitulamos o que é marcação a mercado, vamos entender como essa expectativa de juros é precificada e porque os títulos públicos tiveram desvalorização no mês de agosto.

Hoje temos uma taxa SELIC de 6% ao ano e um juros futuro para 2024 de 6,78% a.a. Entende-se que o futuro é apenas uma estimativa, mas como essa projeção é feita? Basicamente é o mercado acreditando que o país e/ou mundo vai melhorar ou não e, se sim, qual é o risco disso não acontecer.

Se a taxa de juros atual é de 6% ao ano, fixada pelo COPOM, e a expectativa de juros para 2024 é de 6,78%, mostra que o mercado acredita que o governo terá que subir os juros no futuro, precisamente em 2024.

Segundo a cartilha de política monetária, só sobe juros quando há aumento da inflação. Essa pode ser ocasionada por um crescimento no consumo interno, mas também por uma desvalorização cambial, já que o Brasil importa muitos produtos de consumo.

Quanto mais longo o vencimento dessa expectativa de juros,  maior é a incerteza do que acontecerá no futuro. Claro, é mais “fácil” prever o que vai acontecer no país daqui 12 meses, do que prever o que irá acontecer daqui a 60 meses. Principalmente em um país como o Brasil.

Desvalorização do Tesouro Direto e o mês agosto

Agosto seguiu o ditado popular e foi o mês do desgosto para muitos investidores, tanto no cenário do doméstico quanto no internacional. Guerra comercial entre EUA e China, tensões na União Europeia, resultados da desaceleração no crescimento dos países desenvolvidos, crise econômica na Argentina e algumas declarações, não muito oportunas, do nosso Presidente Jair Bolsonaro.

A rápida desvalorização do real frente ao dólar, respondendo a todo esse ambiente citado acima, foi a principal causa desse aumento na expectativa de juros. Já que mostra um ambiente desafiador para emergentes e exportadores de commodites, como o Brasil, que também foi afetado pela continuação da crise na nossa vizinha, Argentina.

Todos esses acontecimentos aumentaram as tensões e os riscos relacionados a velocidade de retomada do crescimento econômico. Fazendo com que as curvas de juros – expectativas –  futuros subissem e, consequentemente, gerassem uma desvalorização nos títulos de renda fixa.

O gráfico da expectativa de juros para 2025 pode ser conferido abaixo. Observe a volatilidade entre o início de agosto e final desse mesmo mês.

Títulos mais longos são precificados em curvas de juros mais longas, ou seja, menor previsibilidade sobre o que vai acontecer, ocasionando maior volatilidade. Quanto maior a duração de um título maior a sua volatilidade na precificação da marcação a mercado, já que o risco de mudança de cenário econômico é maior.

Tesouro Direto na prática

É muito importante entender essas oscilações para não investir em títulos que não fazem sentido para o seu perfil e seu objetivo. Fica claro aqui que títulos públicos que sofrem essa oscilação não devem ser utilizados para reserva de emergência, já que você pode precisar do capital justo em um mês com o de agosto.

É muito importante observar o momento certo de resgate, caso seja necessário, para não ter uma desvalorização no seu tesouro direto. Em resumo, o cenário no mercado financeiro pode mudar o tempo inteiro e por esse motivo é essencial contar com a orientação de um profissional.

Esta é a função de um Assessor de Investimentos

Entender o investidor em uma profundidade maior do que o gerente do seu banco ou corretoras digitais e monitorar o mercado em busca de oportunidades que se enquadram em sua realidade, são atribuições do Assessor de Investimentos.

O papel dele é unir seus objetivos pessoas e profissionais, momento financeiro, perfil de investidor e avaliar o mercado para te apoiar com os investimentos que estiverem alinhados com seu momento.

Disponibilizo abaixo, a oportunidade de você realizar um diagnóstico e tirar todas as suas dúvidas sobre investimentos, conversando com um especialista no assunto.