Juros semestrais ou no vencimento: o que vale mais a pena no Tesouro Direto?

Yolanda Fordelone
Colaborador do Torcedores
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Foto: Juros semestrais valem a pena?

O Tesouro Direto acaba sendo a porta de entrada no mercado financeiro para a maioria dos brasileiros. Ao mesmo tempo, em um cenário de alta de preços como o que vivemos agora, os títulos públicos ligados à inflação passam a ser bem buscados. Assim, surge a dúvida: é melhor aplicar e receber juros semestrais ou receber tudo no vencimento?

São muitas siglas e muitas datas, mas no artigo de hoje você encontrará muitas respostas. O texto irá explicar como funciona cada opção para você entender qual mais se adequa ao seu perfil.

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa do governo federal de venda de títulos públicos. Na prática, o investidor está emprestando dinheiro ao governo.

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Em contrapartida, ele se compromete a devolver os recursos acrescidos de juros, em uma data futura.

Toda a compra é feita por meio de um agente de custódia, a conhecida corretora. Por isso, é importante se cadastrar em uma, seja ela vinculada a um grande banco ou independente.

O investimento pode ser feito por meio do home broker das corretoras ou no próprio site do Tesouro Direto.

Hoje em dia, a maioria das corretoras não cobra taxa de custódia. É possível checar todos os agentes cadastrados e autorizados a operar Tesouro Direto no mesmo site acima.

Ainda que a corretora possa não cobrar taxas, há a cobrança da B3 para “guardar” os investimentos. Esta taxa é de 0,30% ao ano sobre o valor investido.

Além disso, no vencimento há incidência de Imposto de Renda, entre 15% e 22,5% do rendimento, a depender do tempo em que o dinheiro foi aplicado.

Quais são os títulos?

Em resumo, existem três grupos diferentes de títulos públicos. Os primeiros são os prefixados, chamados de Tesouro Prefixado. Ao investir em um título público deste tipo, o comprador já sabe quanto vai ganhar. Isso porque este papel possuem juros prefixados.

No home broker, aparecerá este juro, algo como: Tesouro Prefixado com 5% ao ano. Além disso, o investidor também já sabe a data de vencimento do título público. Tais títulos são interessantes para quem acredita que os juros da economia vão cair. Por isso. já quer garantir uma taxa de retorno prefixada no momento atual.

O segundo tipo é o pós-fixado atrelado a taxa Selic, conhecimento como Tesouro Selic. A taxa Selic, definida pelo Banco Central, é o juro de referência da economia e serve como base para o cálculo da maioria dos investimentos de renda fixa.

Este investimento paga a Selic do momento mais um ágil (acréscimo) ou deságil (desconto). Na plataforma da corretora, aparece algo como: Tesouro Selic mais 0,20% ao ano.

Neste caso, o investidor sabe a data final de recebimento, mas o valor dependerá da Selic. Se a taxa subir, o retorno aumenta. Se ela cair, o rendimento diminui.

Em geral, são indicados se o investidor acha que os juros da economia vão subir. Neste caso, o investidor acompanharia todo o movimento de alta

Por fim, há o Tesouro Direto atrelado a inflação ou Tesouro IPCA. O Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o principal índice de inflação do país. É o que o governo acompanha para entender se os preços estão subindo ou caindo.

O Tesouro IPCA para o IPCA do período do investimento mais um juro fixo. Por isso, na plataforma da corretora, o investidor vê algo como: Tesouro IPCA mais 5% ao ano.

Tais papeis são interessantes por garantirem um retorno real, ou seja, um rendimento acima da inflação. Ou seja, mesmo que os preços dos produtos e serviços subam, o investidor garante que o dinheiro está rendendo acima da inflação.

Quais oferecem juros semestrais

Dos três grupos de títulos acima, dois oferecem juros semestrais. Tanto no Tesouro Prefixado quanto no Tesouro IPCA há as duas possibilidades: ter juros semestrais ou receber tudo no vencimento.

Os títulos cujo pagamento ocorre no vencimento aparecem só com o nome acima. Já os com juros semestrais aparecem com essa descrição no nome. Assim, o investidor encontra: Tesouro Prefixado com Juros Semestrais ou Tesouro IPCA com Juros Semestrais.

Neste caso, o investidor recebe o dinheiro principal no vencimento, mas os juros a cada seis meses.

Em outras palavras, vamos supor um investimento de R$ 1 mil e que renda R$ 50 em seis meses. Se fosse um título público com o pagamento total no vencimento, nada mudaria. Depois de seis meses, esse investidor teria R$ 1050 aplicados, dinheiro que continuaria rendendo.

Como há o pagando semestral, este investidor recebe R$ 50, mas os R$ 1 mil aplicados inicialmente seguem ali rendendo. Depois de novos seis meses, ele recebe novamente os juros do período, mas, de novo, segue com o dinheiro principal aplicado.

Vantagens de ter juros semestrais

Como você já deve ter percebido, títulos com juros semestrais acabam sendo uma forma de antecipar o rendimento. Ao invés de receber tudo ao final, o investidor recebe aos poucos, a cada seis meses.

Por isso, títulos públicos com juros semestrais são opções para quem precisa complementar a renda. A cada seis meses, a pessoa pode contar com estes juros. É uma decisão dela pegar o dinheiro e gastar com algo ou reaplicá-lo.

O mesmo vale para pessoas que possuem um compromisso a cada seis meses. Vamos supor que o investidor tenha um filho que estude fora do país e envie dinheiro para ele periodicamente. Os juros semestrais podem ser uma alternativa para o dinheiro ir rendendo até a próxima remessa.

Desvantagens de aplicar com juros semestrais

Se o plano para o dinheiro é para o longo prazo não faz sentido adiantar o pagamento dos juros. Vamos pensar em alguém que pense em se aposentar daqui dez anos.

Ao receber os juros a pessoa pagaria o Imposto de Renda e reaplicaria o dinheiro já que não vai utilizá-lo agora.

Neste meio tempo, acaba perdendo um pouco de rentabilidade, de dias que seja. Isso sem considerar o risco de esquecer de reaplicar o dinheiro e ficar mais tempo com ele parado.

Por isso, vale a pena casar as datas de recebimento com os planos. Se o objetivo é usar o dinheiro daqui cinco anos, pegue um papel com vencimento próximo a isso, e assim por diante.