Juros futuros em alta: entenda o que é esta tendência

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Os juros futuros são acompanhados de perto pelos investidores do mercado financeiro. E não é para menos: eles representam a estimativa do mercado para o valor dos juros em algum momento no futuro.

Toda vez que ocorre uma crise ou instabilidade política, os juros futuros sobem. Isso ocorre porque a percepção de risco dos investidores aumenta. Nos últimos dias, por exemplo, os juros futuros estão em alta.

Há pouco, seguindo a tendência desta semana, as taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subia de 1,995% no ajuste anterior para 2,01%.

A do DI para janeiro de 2022 passou de 2,85% para 2,88% e a do contrato para janeiro de 2023 avançou de 4,11% para 4,12%. Já a taxa do DI para janeiro de 2025 escalou de 5,98% para 6,01%.

Isso ocorre devido ao maior nervosismo do mercado, em meio a divergências entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, sobre o anúncio do Renda Brasil.

Além do temor do mercado sobre o desequilíbrio fiscal brasileiro, uma possível saída de Guedes tem sido especulada nos últimos dias.

O mesmo movimento de juros futuros em alta ocorreu em maio deste ano, por exemplo. Naquele momento, o mercado reagia ao aumento de casos da Covid-19 em alguns locais que reabriram as economias.

Agora entenda o que isso significa e como impacta os seus investimentos.

Juros futuros são termômetro do mercado

Enquanto a Selic e o CDI representam a taxa de juros atual, existem outras taxas de juros para títulos com vencimento no futuro.

Por exemplo, títulos com vencimento em 2035 são remunerados por uma taxa maior que a Selic, já que o investidor enfrenta muito mais incertezas ao ficar com um papel por 15 anos.

Por isso, os juros futuros são mais altos que a taxa de juros atual.

No entanto, essa curva de juros se move ao sabor do mercado.

Quando existe tensão nos mercados, os investidores começam a pedir um prêmio de risco maior para ficarem com papéis, segundo a economista Andreia Fernanda, fundadora da consultoria de planejamento Rico Foco.

Ou seja, quanto maior a incerteza, mais os juros longos tendem a subir.

Oferta e demanda influencia os juros

Além disso, a curva de juros é afetada por oferta e demanda. Primeiramente, existem muitos estrangeiros que compram títulos públicos de longo prazo no Brasil.

Estes estrangeiros tendem a retirar o dinheiro do mercado brasileiro quando ocorre uma crise. Para citar um caso emblemático, foi isso que ocorreu quando o ex-ministro Sérgio Moro deixou o governo.

Em outras palavras, a oferta e demanda por títulos brasileiros impacta os juros futuros.

É por isso que as taxas pagas pelos títulos públicos brasileiros de prazo longo subiram muito no início da pandemia. Foi porque a demanda por estes ativos diminuiu em função das incertezas. Quando isso ocorre, os papéis têm que remunerar melhor os investidores.

Tensão mexe com retorno do Tesouro Direto

A grande elevação vista nas taxas do Tesouro Direto durante os primeiros meses da pandemia havia se atenuado nos últimos meses. No entanto, diante do nervosismo do mercado, o retorno pago pelos títulos do Tesouro Direto têm subido nesta semana.

O título prefixado com vencimento em 2023 paga um prêmio de 4,27% ao ano hoje, frente aos 4% na segunda-feira (24). No início do mês (dia 06), a taxa era de 3,75%.

O prêmio pago pelo mesmo papel com prazo em 2026 passou de 6,42% na segunda-feira para 6,73% ao ano. No dia 06, a taxa era de 5,92%.

O Tesouro IPCA+ 2026 foi de 2,28% na segunda-feira para 2,55% hoje. O mesmo papel com vencimento em 2035 tem taxa de 3,73%, ante taxa de 3,64% na segunda-feira. No começo do mês (dia o6), ele pagava 3,49%.

Como os juros futuros mexem com a sua vida

As maiores taxas nos títulos prefixados trazem oportunidades para quem tem dinheiro para investir.

No entanto, os especialistas destacam que os investidores devem tomar alguns cuidados.

Para você obter a rentabilidade prometida pelo título prefixado na hora da compra, você precisa ficar com o título até o final do vencimento.

Caso venda antes deste prazo, você corre o risco de perder dinheiro.

Isso ocorre porque os papéis de renda fixa passam por um processo chamado marcação a mercado.

Com isso, os preços mudam todos os dias para quem quer vender e comprar.

A variação de preço depende do patamar dos juros. Em momentos de queda nos juros, o seu título passa a valer mais.

Afinal, este papel passa a ser mais interessante para quem quer comprar, já que não vai encontrar o mesmo preço no mercado.

Em momentos de alta nas taxas, o valor do seu título diminui. Isso porque fica mais interessante para os compradores comprarem os títulos do mercado, e não de você.

Em outras palavras, você só deve comprar estes títulos se puder ficar neles no longo prazo.

Para quem compreende este mecanismo, também existe a possibilidade de lucrar ao vender antes do vencimento. Para isso, você terá que vender o título num momento em que as taxas estejam mais baixas do que a do seu papel.

É assim que investidores profissionais ganham muito dinheiro com o Tesouro Direto.

No entanto, o investidor comum precisa ter conhecimento prévio para fazer este tipo de operação. Outra alternativa é contar com orientação de um assessor de investimentos.

Conheça os benefícios de se ter um assessor de investimentos