Juíza recusa relatório médico e dá ultimato para Bolsonaro mostrar exames

Rebeca Torres
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Crédito: Carolina Antunes/PR / Wikimedia Commons

A juíza Ana Lúcia Petri Betto resolveu na última quinta-feira (30) dar ultimato para que Bolsonaro mostre seus exames realizados para comprovar se ele de fato foi contaminado pelo novo coronavírus. Isso porque, para ela, o laudo apresentado à AGU ( Advocacia Geral da União), no dia 18 de março, não condiz com a determinação judicial da última segunda-feira (27), de acordo com informações do Blog do Fausto Macedo – Jornal O Estado de S.Paulo.

O Estadão assegurou no início desta semana o poder de adquirir com exclusividade os exames realizados por Bolsonaro. Assim, segundo o parecer da juíza, a União foi induzida a oferecer “os laudos de todos os exames” realizados por ele. Apesar de todo o burburinho, Bolsonaro já declarou que o resultado deu negativo, se recusando até hoje a mostrar os exames – tanto é que na última quinta-feira (30) ele confessou que “talvez” já tenha sido contaminado pelo vírus.

“Eu talvez já tenha pegado esse vírus no passado, talvez, talvez, e nem senti”, declarou o presidente na última quinta-feira (30) em entrevista concedida à Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Porém, há dois dias, o presidente contou que de fato não teve a doença e não mente. “Vocês nunca me viram aqui rastejando, com coriza… eu não tive, pô (novo coronavírus). E não minto. E não minto”, enfatizou.

AGU entrega relatório de março

Ao invés de passar os laudos mais recentes com todos os exames feitos pelo presidente, a Advocacia-Geral da União, enviou na última quinta-feira (30) à Justiça um documento médico datado de 18 de março, constando que Bolsonaro está “assintomático” e obteve resultado negativo nos testes feitos no mês passado.

O relatório foi escrito pelo assistente médico da Presidência, o especialista em ortopedia e traumatologia Marcelo Zeitoune, e o coordenador de Saúde da Presidência da República, o urologista Guilherme Guimarães Wimmer.

O Estadão chegou a procurar Zeitoune, que afirmou por telefone, não poder ofertar detalhes adicionais sobre o assunto, por se tratar de “ordens superiores”. O relatório foi publicado no site de notícias UOL no mês passado.

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”Considerando que o documento juntado pela parte ré (relatório médico, datado de 18.03.2020), não atende, de forma integral, à determinação judicial, renove-se a intimação da União, para que, em 48 (quarenta e oito) horas, dê efetivo cumprimento quanto ao decidido, fornecendo os laudos de todos os exames aos quais foi submetido o Exmo. Sr. Presidente da República para a detecção da covid-19, sob pena de fixação de multa de R$ 5.000,00 por dia de omissão injustificada”, ordenou a juíza.

AGU dá seu parecer à Justiça

Em parecer à Justiça, a AGU ressaltou que o relatório médico do mês passado deixou claro que Jair Bolsonaro, “vem sendo monitorado pela equipe médica”, chegando a conclusão que “não há, portanto, risco sanitário de contágio/disseminação por parte do Presidente da República, uma vez que o mesmo não demonstrou ser, até o presente momento, hospedeiro do novo coronavírus, por conseguinte, segue cumprindo a legislação Sanitária em vigor (Lei n° 13.979, de 06 de fevereiro de 2020)”.

”O relatório médico emitido pela Coordenação de Saúde da Diretoria de Gestão de Pessoas da Secretaria Especial de Administração da Secretaria-Geral da Presidência da República, assinado por dois médicos que compõem, atesta os resultados dos exames realizados”, informaram os advogados da União, Gustavo Vicente Daher Montes, Marcos Fujinami Hamada, Marco Aurélio Bezerra Verderamis e Luiz Carlos de Freitas.

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