Joseph Safra, o banqueiro mais rico do mundo, morre em SP

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores

Foto: Joseph Safra

Joseph Safra, o maior bilionário brasileiro, morreu nesta quinta-feira (10). Com um patrimônio de US$ 23,2 bilhões, ele era o 63º mais rico do mundo e o maior do Brasil, segundo o ranking da Forbes. Era também o banqueiro mais rico do mundo.

Aos 82 anos, ele sofria de mal de Parkinson e vivia em uma mansão de 11 mil metros quadrados na capital paulista.

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Ele só circula de helicóptero e era conhecido por ser extremamente discreto. O silêncio sempre foi sua marca registrada.

Seu José, com era conhecido, fez fortuna no comando do banco Safra, fundado por seu pai em 1955. Hoje, a instituição está nas mãos dos filhos. 

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Libanês naturalizado brasileiro, Joseph Safra também era dono do banco J. Safra Sarasin, na Suíça, e do Safra National Bank, em Nova York. 

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Era sócio da maior empresa do mundo na produção de bananas, a americana Chiquita. Além disso, comprou, em 2014, o arranha-céu londrino “Gherkin”. O edifício é um dos mais conhecidos do bairro financeiro da cidade inglesa. 

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Família Safra conta com imóveis ao redor do mundo

Família Safra conta com imóveis ao redor do mundo

Também faz parte do portfólio imobiliário dos Safra o prédio Tower Bridge Corporate, em São Paulo. Estima-se que a família tenha mais de 100 imóveis, muitos de luxo, ao redor do mundo.

Nascido em família judaica, Joseph era muito discreto, não gostava de exposição, e foi dessa maneira que levou a vida pessoal e os negócios.

De certa forma, foi seu conservadorismo que o ajudou a criar a imagem de que o Safra é um banco sólido, e por isso um porto seguro para clientes endinheirados. De fato, o banco já atravessou uma série de crises, sem nunca precisar da ajuda do governo. 

A origem do império bancário de Joseph Safra 

Foi na Síria, e com o tio-avô de Joseph, que o império bancário dos Safra começou. Após a Primeira Guerra Mundial, o pai de Joseph, Jacob, mudou-se para o Líbano e fundou em Beirute o Jacob Safra Maison de Banque. Foi lá que o maior bilionário brasileiro nasceu, em 1938. 

Depois da Segunda Guerra, preocupado com a perseguição aos judeus, Jacob migrou com a família para o Brasil, em busca de um refúgio.

Em 1955, criou o Banco Safra. Atualmente, com 132 agências físicas no País, a instituição financeira  tem cerca de R$ 200  bilhões em ativos.

Banco Safra avenida Paulista

Banco Safra avenida Paulista

Além de administrar grandes fortunas, o Banco também empresta para empresas de médio porte e atua como banco de investimentos.

Embora fosse muito cauteloso, e tivesse uma vida repleta de vitória nos negócios, Joseph também se arriscou em empreitadas que não tiveram sucesso.

Por exemplo, em 1998, em parceria com a BellSouth, fundou a empresa de telefonia celular BCP. Considerado “mau negócio”, ela acabou vendida para a América Móvil em 2003.

Família Safra 

Joseph veio de uma família de oito irmãos, mas apenas ele, Moise, e Edmond tocaram os empreendimentos com o pai (e depois dele). 

Edmond Safra ficava à frente das operações internacionais da família. Ele faleceu em 1999, em Mônaco, de forma trágica, assassinado por um dos seus enfermeiros. 

Com a morte do irmão, Moise e Joseph começaram uma disputa pela herança da família. O desentendimento levou Joseph Safra, que comandava o negócio no Brasil, a abrir um novo banco. Era um concorrente, que atendia o mesmo perfil de clientes.

Só em 2006 os dois chegaram a um acordo e Moise aceitou vender sua participação. Oito anos depois ele morreu.

Joseph teve quatro filhos com a sua mulher Vicky Sarfati: Jacob, Alberto, David e Esther. Dos quatro herdeiros, apenas Esther não trabalha no mercado financeiro. Ele é educadora e diretora da escola judaica Beit Yaacov. 

Idas e vindas no processo de sucessão

Os três irmão se formaram em Wharton, a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, e gerenciam os negócios desde 2012. A sucessão, no entanto, não foi simples. 

A primeira tentativa foi em 2008. Porém, a crise financeira global atravessou os planos da família. Na época, Jaboc, Alberto e David ainda eram muito jovens.

Joseph ficou apavorado com o caos se instalou no mercado e acabou reassumindo o negócio. Seu medo não era ter prejuízo, mas perder a confiança dos clientes. Na prática, em sua concepção, esse seria o fim da linha.

No mesmo ano, o nome do banqueiro foi envolvido em um escândalo internacional. Clientes do Safra tiveram seus recursos aplicados em um fundo americano, cujo gestor estava sendo acusado em um esquema ilegal de pirâmide.

Depois de algumas idas e vindas, a sucessão foi concluída em 2012. Os três irmãos tocaram o negócio juntos até 2019, quando Alberto se desentendeu com os outros sobre os rumos da operação digital.

Por fim, ele se desligou do Safra e fundou o ASA Bank.

Desde então, David e Jabob seguem juntos e estão tentando fazer inovações em um banco que foi sempre tão conservador e fechado.

Neste ano, em meio à pandemia de coronavírus, eles lançaram a plataforma SafraInvest. A ideia é montar uma rede de agentes autônomos.

Além do banco Safra

Antes de entregar o comando do banco para os filhos, Joseph Safra fez grandes negócios, bem ao seu estilo. Inesperadamente, em 2012, ele comprou o banco suíço Sarasin, por US$ 1,1 bilhão.

Foi um passo importante na expansão internacional, fazendo o grupo quase dobrar de tamanho.

Quase ao mesmo tempo, Safra entrou em uma disputa internacional para compra da Chiquita, uma das maiores produtoras de banana do mundo.

Ele e o empresário brasileiro José Luís Cutrale arremataram a companhia por US$ 1,3 bilhão. A disputa com acionistas e outros interessados durou quase três meses.

Banqueiro e filantropo

Joseph Safra tinha paixão por livros raros, e por isso acabou se tornando um dos maiores colecionadores de obras do país.

O banqueiro também esteve sempre ligado a projetos filantrópicos no Brasil e no exterior.

Além de patrocinar a escola da filha, era um dos maiores doadores dos hospitais Hospital Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês, em SãoPaulo. 

Foi Safra quem doou as esculturas de Rodin para a Pinacoteca de São Paulo.

Nota de falecimento

É com imenso pesar que comunicamos o falecimento, nesta data, do Sr. Joseph Safra, aos 82 anos, de causas naturais.

Seu José, como era chamado pelos mais próximos, nasceu em 1938 no Líbano e imigrou para o Brasil na década de 60, para dar continuidade aos negócios de seu pai, construindo os sólidos alicerces do Grupo Safra, mais conhecido no Brasil como Banco Safra.

Em 1969, casou-se com Vicky Sarfaty, com quem teve 4 filhos e 14 netos. Sempre foi um marido e pai muito carinhoso e sempre se preocupava com todos. Adorava brincar com os netos, sempre contando histórias de seus antepassados, transmitindo valores, tradição e cultura.

Homem afável e perspicaz, dedicou sua vida à família, aos amigos, aos negócios e causas sociais. Foi um grande banqueiro, um verdadeiro empreendedor que construiu o Grupo Safra no mundo, obtendo sucesso por sua seriedade e visão de negócios. Foi um grande líder e muito respeitado dentro e fora da organização.

Viveu uma vida exemplar, simples e reservada, sem ostentação, longe da exposição geral. Sempre dizia ter muito orgulho da cidadania brasileira e de torcer pelo Corinthians.

Ao longo da vida foi um amante das artes e um grande filantropo, sempre empenhado em manter a tradição de devoção a causas dignas, uma marca distintiva dele.

Ajudou muitas pessoas e apoiou inúmeras causas sociais, religiosas e culturais, tais como a construção e reforma de hospitais, creches, museus e templos religiosos de todas as fés.

Tinha uma enorme responsabilidade para com a sociedade. Liderou com coragem, sabedoria e determinação. Semeou profundas raízes de altruísmo, comprometimento e excelência.

Seu José deixa um legado a ser seguido por muitas gerações.

À família e aos amigos, Seu José deixa seus ensinamentos e grande saudade.