Joseph Safra, o banqueiro mais rico do mundo 

Vitória Greve
Colaborador do Torcedores

Foto: Joseph Safra

Joseph Safra, o maior bilionário brasileiro, é também o banqueiro mais rico do mundo, com um patrimônio avaliado em US$ 21,9 bilhões, segundo o ranking de junho da revista Forbes. Aos 82 anos, diagnosticado com mal de Parkinson, ele vive  em uma mansão de 11 mil metros quadrados na capital paulista, só circula de helicóptero e é conhecido por ser extremamente discreto. O silêncio sempre foi sua marca registrada.

Seu Zé, com é conhecido, fez fortuna no comando do banco Safra, fundado por seu pai em 1955. Hoje, a instituição está nas mãos dos filhos. 

Libanês naturalizado brasileiro, Joseph Safra também é dono do banco J. Safra Sarasin, na Suíça, e do Safra National Bank, em Nova York. 

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É sócio da maior empresa do mundo na produção de bananas, a americana Chiquita. Além disso, comprou, em 2014, o arranha-céu londrino “Gherkin”. O edifício é um dos mais conhecidos do bairro financeiro da cidade inglesa. 

Família Safra conta com imóveis ao redor do mundo

Família Safra conta com imóveis ao redor do mundo

Também faz parte do portfólio imobiliário dos Safra o prédio Tower Bridge Corporate, em São Paulo. Estima-se que a família tenha mais de 100 imóveis, muitos de luxo, ao redor do mundo.

Nascido em família judaica, Joseph é muito discreto, não gosta de exposição, e é dessa maneira que leva a vida pessoal e os negócios.

De certa forma, foi seu conservadorismo ajudou a criar a imagem de que o Safra é um banco sólido, e por isso um porto seguro para clientes endinheirados. De fato, o banco já atravessou uma série de crises, sem nunca precisar da ajuda do governo. 

A origem do império bancário de Joseph Safra 

Foi na Síria, e com o tio-avô de Joseph, que o império bancário dos Safra começou. Após a Primeira Guerra Mundial, o pai de Joseph, Jacob, mudou-se para o Líbano e fundou em Beirute o Jacob Safra Maison de Banque. Foi lá que o maior bilionário brasileiro nasceu, em 1938. 

Depois da Segunda Guerra, preocupado com a perseguição aos judeus, Jacob migrou com a família para o Brasil, em busca de um refúgio.

Em 1955, criou o Banco Safra. Atualmente, com 132 agências físicas no País, a instituição financeira  tem cerca de R$ 200  bilhões em ativos.

Banco Safra avenida Paulista

Banco Safra avenida Paulista

Além de administrar grandes fortunas, o Banco também empresta para empresas de médio porte e atua como banco de investimentos.

Embora seja muito cauteloso, e tenha uma vida repleta de vitória nos negócios, Joseph já se arriscou em empreitadas que não tiveram sucesso.

Por exemplo, em 1998, em parceria com a BellSouth, fundou a empresa de telefonia celular BCP. Considerado “mau negócio”, ela acabou vendida para a América Móvil em 2003.

Família Safra 

Joseph veio de uma família de oito irmãos, mas apenas ele, Moise, e Edmond tocaram os empreendimentos com o pai (e depois dele). 

Edmond Safra ficava à frente das operações internacionais da família. Ele faleceu em 1999, em Mônaco, de forma trágica, assassinado por um dos seus enfermeiros. 

Com a morte do irmão, Moise e Joseph começaram uma disputa pela herança da família. O desentendimento levou Joseph Safra, que comandava o negócio no Brasil, a abrir um novo banco. Era um concorrente, que atendia o mesmo perfil de clientes.

Só em 2006 os dois chegaram a um acordo e Moise aceitou vender sua participação. Oito anos depois ele morreu.

Joseph teve quatro filhos com a sua mulher Vicky Sarfati: Jacob, Alberto, David e Esther. Dos quatro herdeiros, apenas Esther não trabalha no mercado financeiro. Ele é educadora e diretora da escola judaica Beit Yaacov. 

Idas e vindas no processo de sucessão

Os três irmão se formaram em Wharton, a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, e gerenciam os negócios desde 2012. A sucessão, no entanto, não foi simples. 

A primeira tentativa foi em 2008. Porém, a crise financeira global atravessou os planos da família. Na época, Jaboc, Alberto e David ainda eram muito jovens.

Joseph ficou apavorado com o caos se instalou no mercado e acabou reassumindo o negócio. Seu medo não era ter prejuízo, mas perder a confiança dos clientes. Na prática, em sua concepção, esse seria o fim da linha.

No mesmo ano, o nome do banqueiro foi envolvido em um escândalo internacional. Clientes do Safra tiveram seus recursos aplicados em um fundo americano, cujo gestor estava sendo acusado em um esquema ilegal de pirâmide.

Depois de algumas idas e vindas, a sucessão foi concluída em 2012. Os três irmãos tocaram o negócio juntos até 2019, quando Alberto se desentendeu com os outros sobre os rumos da operação digital.

Por fim, ele se desligou do Safra e fundou o ASA Bank.

Desde então, David e Jabob seguem juntos e estão tentando fazer inovações em um banco que foi sempre tão conservador e fechado.

Neste ano, em meio à pandemia de coronavírus, eles lançaram a plataforma SafraInvest, para concorrer com a XP Investimentos. A ideia é montar uma rede de agentes autônomos.

Além do banco Safra

Antes de entregar o comando do banco para os filhos, Joseph Safra fez grandes negócios, bem ao seu estilo. Inesperadamente, em 2012, ele comprou o banco suíço Sarasin, por US$ 1,1 bilhão.

Foi um passo importante na expansão internacional, fazendo o grupo quase dobrar de tamanho.

Quase ao mesmo tempo, Safra entrou em uma disputa internacional para compra da Chiquita, uma das maiores produtoras de banana do mundo.

Ele e o empresário brasileiro José Luís Cutrale arremataram a companhia por US$ 1,3 bilhão. A disputa com acionistas e outros interessados durou quase três meses.

Banqueiro e filantropo

Joseph Safra tem paixão por livros raros, e por isso acabou se tornando um dos maiores colecionadores de obras do país.

O banqueiro também está sempre ligado a projetos filantrópicos no Brasil e no exterior.

Além de patrociar a escola da filha, é um dos maiores doadores dos hospitais Hospital Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês, em SãoPaulo. 

Foi Safra quem doou as esculturas de Rodin para a Pinacoteca de São Paulo.

(Com edição Naiana Oscar)