O que os investidores precisam saber sobre o rival de Trump?

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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As eleições americanas, marcadas para o dia 3 de novembro, prometem uma disputa acirradíssima entre Donald Trump e o democrata Joe Biden.

Joseph Robinette Biden Jr ou, simplesmente, Joe Biden, foi vice-presidente dos EUA entre 2009 e 2017, período em que Barack Obama liderou a nação.

O democrata tem 77 anos, é advogado e também tem no currículo seis mandatos consecutivos como senador por Delaware.

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Visto como o oposto de Trump, Biden não faz questão de esconder as críticas ao rival, a quem chegou a rotular de “bizarro” em algumas entrevistas.

“Eu acredito que a história vai olhar para trás, sobre os quatro anos desse presidente e tudo que ele representa, como sendo um período bizarro. Mas, se dermos a Donald Trump oito anos na Casa Branca, ele vai alterar para sempre o caráter desta nação, quem nós somos. Eu não posso ficar de lado e esperar que isso aconteça. Estamos em uma batalha pela alma dessa nação”, disse recentemente.

O discurso já conquistou uma boa parte do eleitorado americano. Por enquanto, as pesquisas mostram uma vantagem de 10 pontos percentuais para Biden.

Como são as eleições americanas?

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Nos Estados Unidos, mais importante do que ganhar o maior número de votos é conquistar os eleitores dos Estados-Chave. São eles que têm o poder de decidir a eleição.

Para ser presidente, o candidato precisa ter a maioria dos votos do chamado “Colégio Eleitoral”.

O Colégio Eleitoral é formado por 538 “delegados”, e são esses delegados (também escolhidos pela população)  que definem o novo presidente. O eleito precisa ter 50% + 1 voto para assumir a cadeira de presidente da República.

Os Estados-chave

Há vários Estados-Chave no país. O maior deles, com o maior número de delegados, é a Califórnia, que possui 36 milhões de habitantes e 55 delegados.

Vencer na Califórnia representa ter a seu favor aproximadamente 10% dos votos de todos os delegados do país. Isso significa uma vantagem e tanto para sair vencedor do pleito.

Também estão na lista de Estados-chave a Flórida e a Carolina do Norte. Além do chamado Cinturão da Ferrugem: Ohio, Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Iowa, Nevada, Colorado, New Hampshire e, principalmente, Texas.

Esse estado, em particular, é considerado um reduto republicado. Desde 1980, todos os candidatos do partido, incluindo Donald Trump, ganharam no Texas.

Em 2020, no entanto, Biden parece estar mudando até mesmo esse cenário. No momento, ele está somente um ponto atrás do atual presidente nas pesquisas.

O que os investidores podem esperar se Joe Biden vencer?

mercados

Uma eventual vitória de Joe Biden sobre Donald Trump nas eleições americanas certamente mexerá com o mercado financeiro global, e não somente nos EUA.

Para dar uma noção do que o democrata pensa sobre assuntos de interesse dos investidores, reunimos algumas de suas declarações  sobre impostos, bolsa, direitos trabalhistas e meio ambiente.

Confira abaixo os principais pontos:

Impostos

Donald Trump costuma se gabar de ter promovido “o maior corte de impostos da História norte-americana”, apesar de os números apontarem que a redução promovida por seu governo foi, na realidade, a oitava maior dos Estados Unidos.

Joe Biden, por sua vez, já avisou que pretende mexer na alíquota de impostos cobrada das empresas. Segundo o democrata, a fatia atual, de 21%, “é ridícula”. Por isso, pretende ampliá-la para 28%.

Em relação ao Imposto de Renda para pessoas físicas, o rival de Trump planeja elevar a alíquota máxima de 37% para 39,6%, além de taxar com mais força os ganhos de capital e reduzir brechas legais que permitam deduções pelas grandes corporações.

Bolsa de valores

bolsa

Esse tema em especial é motivo de preocupação para os investidores. Em declarações recentes, Biden deixou claro que, em caso de vitória, vai decretar “o fim da era do capitalismo dos acionistas”.

Ciente de que isso pode jogar contra Biden nas urnas, Donald Trump colocou mais pólvora no assunto. Ele afirmou que “investimentos em ações vão se desintegrar” caso o democrata saia vencedor das urnas.

De acordo com o Goldman Sachs, caso Biden coloque seu plano em prática, as ações das empresas formadoras do índice S&P 500 perderiam 12%.

Direitos trabalhistas

Na visão do democrata Joe Biden, os direitos dos trabalhadores freelancers precisam ser equivalentes aos dos formais.

Por conta disso, avisou que, se derrotar Trump, adotará lei similar à AB5, que já vigora na Califórnia desde o início deste ano.

De acordo com ela, as empresas são obrigadas a contratar os trabalhadores autônomos que executem tarefas relacionadas à  sua atividade-fim.

“Todos os trabalhadores têm o direito de negociar bons salários, benefícios e condições de trabalho, incluindo os gig workers”, decretou.

Meio-ambiente

A BBC mostrou recentemente que Joe Biden fará do meio-ambiente uma das prioridades de seu governo.

Segundo o candidato democrata, “nenhum acordo será fechado sem que haja um ambientalista na mesa das negociações”.

Essa posição pode afetar – e muito – a relação dos EUA com o Brasil. Isso porque o governo de Jair Bolsonaro vem recebendo críticas constantes pela forma como tem tratado questões ambientais.

Em março, durante um debate democrata, Biden foi questionado sobre o que faria para colocar em prática o plano de US$ 1,7 trilhão contra o aquecimento global. E citou textualmente o Brasil em sua resposta.

“Eu estaria agora organizando o hemisfério ocidental e o mundo para fornecer US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia.  Para que pudessem manter as florestas”.

Um pouco mais sobre Joe Biden

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Biden nasceu na Pensilvânia, mas criou raízes em Delaware, estado no qual chegou aos 10 anos e construiu boa parte de sua carreira política.

Na adolescência, chegou a trabalhar como salva-vidas em um bairro formado principalmente por pessoas afro-americanas. Segundo Biden, foi lá que começou a construir a base de seus futuros compromissos políticos.

Aprovado por Barack Obama, de quem foi vice-presidente, Biden tem mais de cinco décadas dedicadas à política.

Sua história familiar é dramática.

Biden perdeu a mulher e uma filha de pouco mais de um ano em um acidente automobilístico em 1973.

Em 2015, Beau, seu filho mais velho, faleceu de câncer no cérebro.

O outro filho de Biden, Hunter, não perdeu a vida tragicamente, mas foi o centro de uma das maiores polêmicas da vida política do democrata.

Hunter atuou no conselho de administração de uma empresa de gás ucraniana na época em que Biden era vice-presidente.

Por conta disso, Trump o acusou de ter sido corrupto e ter agido de forma a favorecer seu filho.

Trump supostamente teria pedido aos ucranianos para investigar a vida de Biden. Foi essa história que motivou o processo de impeachment de Trump, que acabou não dando em nada.

Um estigma: “muito velho para o cargo?”

Pessoas próximas ao democrata costumam dizer que ele foi forjado “à prova de balas”.  Mas isso não é suficiente para colocá-lo na Casa Branca.

Biden terá desconstruir a ideia de que é velho demais para o cargo. Se vencer, ele se tornará a pessoa mais velha a ocupar a presidência dos EUA. Estará prestes a  completar 78 anos.

Ao falar sobre o assunto, o rival de Donald Trump nem costuma pensar muito para responder.  “Eu me exercito todas as manhãs”, brinca. Trump, ao contrário, é fã de comidas tipo fast-food e nunca foi adepto de atividades físicas.

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