JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3) anunciam recompra de ações

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

Mais cinco empresas anunciaram essa semana a criação de programa de recompra de ações de sua própria emissão: Grendene, JBS, Gafisa, BRF, BMG.

A medida visa fazer frente à forte desvalorização dos papéis ocorrida nas últimas semanas em razão da pandemia do coronovírus, que abalou os mercados em todo o mundo.

Preço justo

Quando as companhias avaliam que seu papel caiu abaixo do preço justo, elas vão a mercado adquiri-las usando dinheiro do caixa.

Por lei, as empresas podem comprar até 10% do total de papéis em circulação. As operações são feitas na bolsa (B3) por intermédio de instituições financeiras.

Recuperação

As empresas fazem isso porque acreditam na recuperação dos seus papéis, acham que os preços vão voltar a patamares mais justos no longo prazo.

Para o investidor, isso é um sinal positivo em meio a uma forte turbulência.

Gafisa e BRF

Hoje a Gafisa e a BRF informaram que a proposta foi aprovada por seu conselho de administração.

As companhias ainda vão definir a quantidade de ações a serem adquiridas, o que deve acontecer em até 12 meses, a partir da aprovação das propostas. A Gafisa tem 67.798.040 milhões em circulação, enquanto a BRF tem 802.179.773 papéis no mercado e 713.446 em tesouraria.

Grendene, JBS e BMG

Mas, nessa semana, a Grendene informou que até 16 de setembro de 2021 irá adquirir até 25 milhões de ações, do total de 271.290.545 ações em circulação.

A JBS, que tem em circulação 1.568.354.415 ações e outras 63.227.754 em tesouraria, também ainda vai definir a quantidade a ser comprada. O prazo será de 18 meses.

O Banco BMG cancelou um plano de recompra em curso e abriu um novo para aquisição de até 10.700.112 ações preferenciais, de um total de 107.001.124 em circulação, o que deve acontecer até 18 de março de 2021.

Perdas

Todas as companhias registram uma desvalorização significativa de suas ações neste mês até o fechamento de ontem (26): Gafisa perdeu 45%; BRF, 43%; BMG, 38,30%; Grendene, -17% e JBS, 6,61%.

Além dessas cinco companhias, outras 14 comunicaram planos de recompra apenas no mês de março até a manhã desta sexta-feira, totalizando 19 empresas, contra cinco em fevereiro e quatro em janeiro.

Covid-19

O mercado acionário vem colecionando perdas desde que o Covid-19 se alastrou pelo mundo a partir da China, em meados de fevereiro.

No Brasil, o impacto foi sentido com mais força em março, após iniciar o ano com perspectivas bastante otimistas.

Desde 1º de janeiro, o Ibovespa já despencou 34,4%, saindo de 118.573 pontos para 77.709 pontos ontem, passando pelo fundo do poço no dia 23 de março, quando fechou em 63.569 pontos.

(com Natália Gomez)