JBS pretende transferir sede para fora do Brasil, diz jornal; empresa afirma que “não há que se falar em mudança”

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 20 anos de atuação em veículos, como Agência Estado Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.

Crédito: Imagem/Reprodução/Infomoney

Maior empresa de carnes do mundo e envolta em uma série de polêmicas ao longo dos últimos anos, a JBS pretende transferir sua sede do Brasil para Luxemburgo ou Holanda – como parte do processo de abertura do capital na bolsa de Nova York –, segundo reportagem deste sábado do jornal Folha de S. Paulo.

Documento obtido pela publicação revela os detalhes do cronograma de toda essa migração, que começou no segundo semestre deste ano e segue no início de 2020, chamado de Projeto Hidra, alusão a figura mitológica com o poder de regenerar sua cabeça quando decapitada.

Pelo desenho da reestruturação, companhias em Luxemburgo ou Holanda – países conhecidos por possuírem sistemas tributários mais vantajosos, inclusive com tratados para evitar bitributação – assumiriam o comando de todas as operações.

Essa mudança é considerada a mais eficiente para o lançamento das ações da companhia na bolsa de Nova York, ainda de acordo com a Folha.

Atualmente, a JBS tem como principais acionistas a holding da família Batista, a J&F, com 41,8% do capital, e o BNDES, com outros 21,3%.

Da forma como opera hoje, a partir do Brasil, a companhia opera os negócios com carne bovina, controla a Seara e a JBS Global, que atua nos EUA, Austrália, Canadá e Europa.

Outro lado

Em comunicado enviado ao mercado, sobre a reportagem da Folha, a JBS afirmou que “conforme amplamente divulgado” vem realizando estudos para uma possível listagem nos EUA de seus ativos internacionais.

“Com isso, a companhia espera obter uma estrutura de capital que melhor represente a sua plataforma global de negócios e lhe permita competir em condições de igualdade com seus concorrentes internacionais”, afirmou.

Segundo a empresa, com uma possível listagem, pretende “destravar valor a todos os seus acionistas e não uma ‘blindagem de ativos’ como mencionado na matéria”.

Sede

Sobre a sede, a empresa diz que “não há que se falar em mudança de sede”. “Faz parte de processos de listagem no exterior a escolha de um país para constituição do veículo cujas ações serão listadas, principalmente no caso da JBS, que possui ativos operacionais distribuídos ao redor do mundo”, afirma.

Adicionalmente, a JBS ressalta que “estudos não estão sendo conduzidos com a finalidade de obtenção de benefícios tributários”.