JBS (JBSS3) vai acelerar automação de fábricas para se manter competitiva

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Veja

Maior produtor de proteína animal do planeta, o grupo JBS (JBSS3) deverá acelerar a automação de suas unidades industriais nos próximos anos, não apenas em razão dos efeitos da pandemia, mas como estratégia de competitividade no mercado.

Antes da crise

“Já estávamos nos preparando, antes da crise, para automatizar e investir na robotização de algumas áreas específicas em que a máquina, além de conferir mais segurança à produção, é mais precisa nas tarefas do que o homem”.

A explicação foi dada pelo CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, em live transmitida pelo jornal Valor Econômico, nesta terça-feira (2), ao comentar as mudanças adotadas pela companhia para se manter competitiva, face à pandemia e, principalmente, depois dela.

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‘Braço’ da automação

A prioridade absoluta conferida à tecnologia levou a JBS a adquirir, no ano passado, a neozelandesa Scott Technology, que passou a ser o ‘braço’ da companhia na área de automação.

‘Áreas críticas’ automatizadas

“Todas as áreas críticas da empresa vão ser automatizadas e isso vai ser mantido, tanto na robotização, automatização quanto digitalização, pois entendemos que o uso de tecnologia é fundamental para obtermos mais produtividade, efetividade e segurança para todas pessoas”, argumenta.

Talvez também por uma questão estratégica, Tomazoni não citou quais seriam essas “áreas críticas”.

“Vamos assistir a uma aceleração da indústria 4.0 (tecnologias digitais aplicadas a processos industriais) daqui em diante”, assegura.

Exemplo australiano

Como outro exemplo de automação, o CEO menciona o frigorífico de ovinos na Austrália, totalmente automatizado e digitalizado.

“Nessa unidade, utilizamos um scanner que, ao fazer a ‘leitura’ digital da carcaça, indica, em seguida, onde os cortes devem ser feitos”, conta.

Estudos de inovação

Ainda sobre o aspecto estratégico da tecnologia, Tomazoni destacou que a JBS montou um grupo permanente voltado a estudos sobre inovação, na cidade americana de Chicago.

Problema ‘bom’

“Passamos a observar se as novas tendências de consumo, em razão da pandemia, vão se manter ou se elas surgiram emergencialmente, por conta da crise. De qualquer forma, o problema viral acabou acelerando a introdução de inovações, o que é um fator muito positivo”, completa.

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Fábricas como UTIs

Ao destacar que as reuniões da diretoria sempre têm como pauta inicial a segurança,  o CEO da JBS diz que suas fábricas, a partir de agora, vão parecer mais com unidades de tratamento intensivo (UTI) ou hospitais do que unidades fabris, tal a preocupação com a integridade dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, Tomazoni tem o olhar atento para as mudanças de comportamento de consumo.

Migração geral

“Em razão do problema viral, houve uma migração para produtos de menor valor, em algumas categorias, mas isso está ocorrendo não só no Brasil, mas também na Itália”, aponta.

Mercado incerto

O CEO da JBS, entretanto, admite “ser difícil avaliar como o mercado se comportará, assim como o consumidor”, incógnita que persiste para a maior parte dos segmentos econômicos.

Enquanto a tendência do tipo de consumo pós-pandemia não fica clara, Tomazoni percebe a aceleração das vendas de produtos mais acessíveis, como salsicha, mortadela e aqueles da chamada “linha gourmet”.

‘Linha gourmet’

Ele explica que a linha gourmet corresponde aqueles alimentos consumidos mais rapidamente nos restaurantes, mas agora, pela quarentena, solicitados remotamente e consumidos em casa.

“Acredito que alguns hábitos vão se manter, como o de adquirir produtos congelados para preparo em casa”, conta.

Reforça essa opção ‘pelo mais em conta’ a grande demanda por produtos da marca Swift, controlada pela JBS.

“Tivemos um crescimento grande de vendas, nas lojas Swift, pelo sistema de food service (delivery), assim como na área de e-commerce”, explica.

Demanda diminuiu

Na avaliação de Tomazoni, não é o consumo per capita que diminuiu, uma vez que “o food service abre a possibilidade de aproveitamento do alimento, não somente em uma refeição, mas nas posteriores, ao longo do dia”.

Driblando o protecionismo

Quanto à possibilidade de o mercado internacional tornar-se mais protecionista, após a crise, Tomazoni entende que “ainda é muito cedo para saber o que vai ocorrer”.

“Ainda não temos elementos para afirmar como será, mas pode mudar tudo se acharem outra vacina. De qualquer forma, nossa estratégia é produzir onde podemos ser competitivos”.

Dentro desse pensamento, o CEO diz que a ‘palavra-de-ordem’ “termos distribuição onde está o consumo”, pontua.

A paralisação total da atividade fabril, em razão da crise gerada pela pandemia, segundo Tomazoni, fez com que a cadeia ‘food service’ (que inclui o sistema delivrery e takeout) fosse afetado, não só no país, mas no resto do mundo.

Do food service para o varejo

A migração do food service para o varejo – sobretudo na indústria do frango — obrigou a JBS a priorizar este último, adequando a produção para atender com mais intensidade o segmento varejista.

Fenômeno semelhante se deu na Europa, assinala Tomazoni, em que houve incremento de produtos embalados na própria fábrica.

“Ao invés de as pessoas irem aos locais tradicionais de consumo, elas preferiram procurar o produto fatiado, na origem, nas fábricas”, talvez por acharem mais seguro em relação ao risco de contaminação.

Na França, por exemplo, as três fábricas da JBS já operam atualmente com 85% da sua capacidade.

Já na Inglaterra e Irlanda, não houve qualquer sequela da covid-19, onde as fábricas operam a plena capacidade e não houver problema de desabastecimento.

Ao contrário do ‘velho continente’, nos Estados Unidos, o drive thru opera a 90% da capacidade, mesmo em pleno pico da pandemia.

“Depois de uma queda acentuada, as vendas por food service estão começando a se recuperar, mesmo que gradualmente”, acrescenta.

Medidas de segurança

Para proteção de seus funcionários, devido à pandemia, a JBS adotou as seguintes medidas:

> Afastar grupos de risco (acima de 60 anos e grávidas).

> Entrevistas com os funcionários nas fábricas, fazendo triagens, mediante a medição da temperatura corporal.

> Orientação para evitar aglomerações.

> Troca de turnos para evitar maior contato entre as pessoas.

> Número de veículos foi dobrado, depois de passar por rigorosa higienização.

> Abertura de novos espaços nos restaurantes, preservando o distanciamento entre as pessoas.

> Uso obrigatório de máscaras.

> Instalação de barreiras de acrílico para maior proteção entre os funcionários.

> Doação de R$ 330 milhões para a área da saúde e outros R$ 50 milhões para a ciência, a 160 municípios, de 17 estados, com potencial de beneficiar cerca de 60 milhões de pessoas.

JBS comemora

O CEO comemora, ainda, a decisão judicial que evitou, na semana passada, o sacrifício de 650 mil aves, na cidade catarinense de Ipumirim, sob o argumento que a medida traria um sério problema ambiental à região.

“Vamos manter a produção local, sem precisar fazer um abate, o que seria muito ruim se ocorresse, pois temos como pilar de sustentabilidade garantir a saúde e a segurança do nosso trabalhador, depois o bem estar animal e a integridade do produto”, complementa.

No que toca às perspectivas de exportação de frango, a partir da retomada econômica mundial, o CEO da JBS evita arriscar uma previsão, mas dá uma dica.

Mercado interno

“Nossa política é de não deixar faltar (produtos) para o Brasil, mas podemos esquecer que o nosso país é um grande exportador e que o mercado externo é vital para manter nossa competitividade”, afirma.

Ainda sobre tendências no mercado nacional, pós-crise, Tomazoni destaca opções por pratos prontos, produtos congelados, além de alimentos orgânicos e mais saudáveis. “O e-commerce se acelerou em todas as cadeias”, reforça.

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