JBS (JBSS3) antecipa R$ 389,5 milhões em recebíveis no Banco Original

Marcello Sigwalt
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Crédito: JBS/Divulgação

Em  comunicado ao mercado, a JBS (JBSS3) anunciou, nessa terça-feira (25), a antecipação de R$ 389,5 milhões em recebíveis, referentes a transações realizadas no período de 18 de agosto a 24 de agosto deste ano.

O documento – que atende a Instrução CVM nº 480 – esclarece que as antecipações “correspondem a valores a receber, mediante cessão ao Banco Original, controlado pelo grupo JBS, dos recebíveis detidos contra determinados clientes, do mercado interno ou externo, sem coobrigação das cedentes”.

Custo efetivo para JBS

Se considerado apenas o custo efetivo das operações para a JBS (i.e.), a taxa de deságio aplicado sobre o valor total dos créditos cedidos – considerando o mesmo período descrito – atingiu R$ 1,9 bilhão.

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Essa taxa poderá ser reajustada trimestralmente, em caso de acordo entre as partes.

O diretor de Relações com Investidores da JBS, Guilherme Perboyre Cavalcanti, que assina o comunicado, explica que a “antecipação de recebíveis mediante cessão para o Banco Original é essencial para a gestão do fluxo de caixa da companhia”.

A nota explica, ainda, que o valor das transações pode variar, de acordo com “a necessidade de capital de giro da companhia, a demanda do Banco Original (do grupo) e a disponibilidade de recebíveis que atendam requisitos para sua cessão”.

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Sem coobrigação

A nota da JBS afirma que, de maneira geral, as cessões de crédito ocorrem por meio da formalização de termos de cessão, sem coobrigação da cedente.

Os créditos cedidos, por sua vez, derivam da venda de produtos e mercadorias pela JBS no mercado brasileiro e mercado externo.

Enquanto a cobrança dos títulos é de responsabilidade da JBS, o risco de crédito da operação é do Banco Original, por prazo indeterminado.

A JBS acrescenta não possuir obrigação de exclusividade com o Banco Original, no que toca à cessão de um volume mínimo de recebíveis em determinado período.

Já as sessões de crédito, prossegue a nota, são efetuadas sem coobrigação, mediante transferência definitiva dos riscos de não pagamento pelos clientes ao Banco Original.

Não há obrigação de exclusividade com o Banco Original, de modo que a JBS é livre “para contratar outras instituições financeiras para implementar o desconto de recebíveis”.

Vantagem original

Apesar disso, a companhia considera “mais vantajosa” a taxa de desconto praticada pelo Banco Original do que as demais alternativas disponíveis no mercado de antecipação de recebíveis.

Segundo o comunicado, o objeto das transações é a locação pela Meat Snack de duas fábricas da JBS no país, nas cidades paulistas de Santo Antônio de Posse e Lins, que dispõem de equipamentos para produção de beef jerky e snacks à base de proteína animal.

Processo de produção

A companhia e suas controladas fornecem matéria-prima a preço de mercado à Meat Snack que, por sua vez, a processa e vende os produtos finais à Link Snacks, para que esta reprocesse, embale e distribua nos Estados Unidos e para outros destinos, inclusive o Brasil.

A nota informa, também, que “a Link Snacks, parceira da JBS na JV, não é uma parte relacionada da JBS ou da J&F Investimentos, controladora da JBS”.

A Meat Snack Partners do Brasil (Meat Snack), é indiretamente controlada pela JBS e pela Link Snacks, sociedade norte-americana sediada no estado americano de Wisconsin – mediante termos de joint venture agreement realizado em 2010 (JV).

Especificamente com relação à Meat Snack, o valor total das transações, no período entre 22 de julho de 2020 e 24 de agosto de 2020 – considerando todos os diferentes produtos – foi de R$ 50.613.333,40.

Gestão de estoque

A Meat Snack é responsável pela aquisição das matérias-primas e arca com o custo de capital para gestão de estoque.

Também nesse caso, não há obrigação de exclusividade de venda das matérias-primas para a Meat Snack, mas seque serão vendidos (beef jerky e snacks à base de proteína animal) pela Link Snacks.

Ao final, o comunicado esclarece que, “tendo em vista que a Meat Snacké resultado de uma parceria, na qual a JBS detém 50% de participação, as condições comutativas serão sempre consideradas como premissas das transações”.

E conclui que “o desenvolvimento e a rentabilidade, por sua vez, constituem os resultados almejados pela companhia para esse investimento”.

Eneva (ENEV3): acordo de acionistas com Atmos, Dynamo e VELT

A Eneva (ENEV3) anunciou, nessa terça-feira (25), a celebração de acordo de acionistas com Atmos Capital de Recursos Ltda, a Dynamo Internacional Gestão de Recursos e a VELT Partners Investimentos Ltda, em que fixa direitos e obrigações da parceria.

Regras do acordo

Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Eneva, Marcelo Habibe, o acordo fixa os termos do relacionamento de Atmos, Dynamo e VELT, na qualidade de gestores de veículos de investimento titulares de ações de emissão da Eneva, com as seguintes regras:

  • No exercício de seus direitos políticos.
  • Para a transferência de ações de emissão da Eneva de titularidade dos referidos veículos de investimento.

No aspecto estratégico, a expectativa da Eneva é de que o acordo “permitirá a formação de um bloco de acionistas  independente, ágil  e articulado, formado pelas três gestoras, em benefício do melhor interesse de longo prazo da companhia”.

Visão de longo prazo

Ao mesmo tempo, Atmos, Dynamo e VELT manifestaram posição de que a criação deste bloco de acionistas “reforça o apoio à administração da Eneva, para continuar executando as estratégias com visão de longo prazo”.

De igual forma, as empresas citadas não pretendem exercer o controle acionário ou alterar a estrutura administrativa da Eneva.

Na visão da Eneva, Atmos,  Dynamo e  VELT “são  investidores  que  compartilham  visão  semelhante  em  relação  ao investimento  na  Eneva,  cuja  estratégia  e  condução  dos  negócios  vêm  apoiando  continuamente”.