JBS (JBSS3) está capitalizada e vai manter capex, diz CEO

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Os solavancos enfrentados por conta do coronavírus não intimidaram a fabricante de proteína JBS que pretende manter os investimentos para o Brasil tão logo a pandemia amenize.

CEO da companhia, Gilberto Tomazoni não especificou quais são esses investimentos, mas garantiu que a empresa está focada em preservar empregos e manter as operações.

A JBS tem 240 mil funcionários, dos quais 130 mil no Brasil. “O impacto do Covid-19 é um fato novo para a indústria. Esse vírus não vai embora amanhã”, disse.

A afirmação do executivo faz menção à nova conjuntura econômica. Se por um lado bares e restaurantes foram bastante prejudicados, os supermercados seguraram parte da demanda.

“As fabricas vão ter que operar. Vamos ter que criar possibilidades de continuar trabalhando mesmo com o vírus entre nós”, frisou.

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Infectologista

Conforme ele, a JBS se apoiou em especialistas da saúde para viabilizar as operações. A empresa contratou o infectologista Adauto Castelo, da USP.

“Vamos operar as fábricas como hospitais”, disse, acrescentando que a companhia reorganizou horários, escalas e turnos.

A empresa também isolou grupos de risco e distribuiu máscaras a todos os funcionários. “Direcionamos protetores faciais aos setores onde não há separação física”, frisou.

E mais: “vacinamos todos contra gripe, colocamos acrílicos nos refeitórios, dobramos o número de veículos para transporte de funcionários, para que sente uma pessoa a cada dois bancos.”

A companhia também implementou túneis de desinfecção. As medidas atendem à consultoria contratada, de maneira a aumentar a segurança contra o coronavírus.

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Finanças

A companhia lucrou R$ 356 milhões no terceiro trimestre do ano passado. Foram R$ 20 bilhões em faturamento, que deixaram o caixa da empresa livre e alavancada.

A informação é do diretor financeiro Guilherme Cavalcanti, para quem “o ano terminou com a melhor situação financeira possível da história da JBS.”

Conforme ele, a empresa esta com balanço robusto, liquidez e preparada para acelerar quando a retomada econômica vier.

Público-alvo

A companhia previa 2,8 milhões de pessoas a mais no mundo nos próximos anos.

Embora o cenário tenha mudado, a empresa ainda acredita que a população ainda vá crescer, bem como o consumo de proteína de maneira geral.

De acordo com Tomazoni, a empresa está preparada para o futuro. “Temos time alinhado e balanço robusto”, disse.

Olhado para o futuro, a JBS firmou parceria com a universidade do Colorado (JBS), bem como escola de robótica, visando projetos de automação e digitalização.

 

Unidade de suíno nos EUA

A JBS EUA fechará por período indeterminado instalação de abates de suínos localizada em Minnesota, nos Estados Unidos. A planta produz 5% da carne suína do país.

A medida limita o volume de carne que os EUA podem produzir para os consumidores durante a epidemia e aumenta o estresse sobre os produtores que estão perdendo fatia de mercado.

São mais de dois mil funcionários na cidade de Worthington, Minnesota, processando cerca de 20 mil suínos por dia.

Os executivos sugeriram que os funcionários sigam a orientação do Estado, ficando em casa como forma de impedir a propagação do coronavírus, até que a instalação no condado de Nobles reabra.

A instalação de Worthington encerrará as operações nos próximos dois dias com uma equipe reduzida, para que a carne de porco que já está na operação possa ser utilizada para dar apoio à oferta de alimentos.

Os concorrentes Tyson Foods e Smithfield Foods já fecharam fábricas de suínos devido ao contágio do vírus entre os funcionários.

Em linhas com as últimas ações, a JBS e a National Beef encerraram as atividades de fábricas produtoras de carne bovina.