Japão declara estado de emergência e prevê pacote de US$ 1 tri

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/iStock Photos

Mesmo sendo vizinho da China, o Japão vinha registrando poucos casos de Covid-19 desde o início da pandemia em janeiro. Isto até abril. Neste mês, o país passou de 400 para 4 mil casos.

Agora, o Japão caminha para uma crise nos níveis vistos nos Estados Unidos e em vários países da Europa. Por conta disso, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, declarou estado de emergência em sete cidades do país nesta terça-feira (7). São elas: Tóquio, Osaka, Kanagawa, Saitama, Chiba, Hyogo e Fukuoka.

“Por considerar que existe o temor de que a situação afete gravemente a vida das pessoas e a economia, declaro o estado de emergência”, afirmou Abe.

Ele anunciou também um pacote recorde de estímulo econômico, “o maior que o Japão já teve”, de 108 trilhões de ienes (cerca de US$ 1 trilhão). “Este será um dos maiores pacotes econômicos do mundo”, afirmou, segundo a Bloomberg.

Ele prometeu ainda empréstimos a juros zero de 200 milhões de ienes para pequenas e médias empresas. E auxílios em dinheiro também para as famílias. Mais detalhes do pacote devem ser anunciados ainda hoje.

Abe também disse que planeja aumentar a capacidade de teste de vírus para 20 mil por dia, além de aumentar o número de leitos hospitalares e ventiladores.

O que significa o estado de emergência?

Com a declaração de emergência, os governos locais passam a ter autonomia para conter a propagação do vírus, inclusive pedindo aos moradores que fiquem em casa.

“Não estamos mudando a política do Japão, mas fortalecendo-a e pedindo cooperação total”, disse Abe. “Quero deixar claro que, mesmo que uma emergência seja declarada, não imporemos um bloqueio como foi feito no exterior. É de opinião de nossos especialistas que isso não é necessário”, afirmou.

O transporte público continuará funcionando e os supermercados permanecerão abertos. Ao contrário de países como a França – onde os moradores podem ser multados por deixarem suas casas -, não há poder legal para impor limites aos movimentos das pessoas.

“Golpe final” na economia do Japão

Para o pesquisador sênior do Japan Center for Economic Research (JCER), Jun Saito, o coronavírus foi o “golpe final” à economia japonesa.

Em entrevista à CNBC, ele afirmou que o país viverá um a “recessão acentuada”. Isto porque a economia vem desacelerando desde o final de 2018, com os impactos das tensões comerciais entre a China e os EUA.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O cenário foi agravado pelo aumento dos impostos sobre consumo em outubro de 2019. Além disso, o adiamento dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos deste ano colocaram “mais pressão descendente” sobre a economia japonesa, disse ele.

Em vez de tentar estimular a economia, agora o caminho é “impedir a queda livre da economia”.

Em sua opinião, primeiro deve-se dar apoio ao desenvolvimento de vacinas e medicamentos para o coronavírus. Em seguida, deve ser dado apoio aos trabalhadores que perderam o emprego.

Por fim, as pequenas e médias empresas que sofreram uma perda de demanda e estão enfrentando dificuldades financeiras devido ao impacto econômico do coronavírus também precisam de apoio financeiro.