Janot diz nunca ter sofrido interferência como narrada por Moro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Em entrevista à BBC Brasil, o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que nunca sofreu tentativas de interferência em seu trabalho como as narradas no anúncio de pedido de demissão do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, feito na sexta-feira (24).

“Os antecessores de Bolsonaro jamais tentaram obter informações sobre uma apuração em curso, afirmou Janot. Ele se referia ao período em que esteve na Procuradoria Geral da República. Período que compreende os governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).

“Em quatro anos enquanto PGR, eu jamais fui abordado de forma indevida por quem quer que seja do Poder Executivo. A Polícia Federal, pelo menos a Polícia Federal Judiciária, que exercia sua atividade nos inquéritos judiciais perante o Supremo, jamais sofreu qualquer tipo de interferência”, disse Janot.

Para Janot, as acusações precisam ser apuradas com rigor, porque ameaçam a democracia.

“A democracia é preservada a partir do momento em que você resguarda as instituições”, defende.

Moro denunciou interferência

Em sua fala no anúncio de demissão, Moro justificou sua saída pela repentina exoneração do diretor-geral, Maurício Valeixo, da Polícia Federal. E também pela interferência do governo nos trabalhos da PF.

Essa interferência, afirmou o ex-ministro, tinha como objetivo ter acesso a investigações sigilosas. Algumas das investigações comandadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).