Itaú Unibanco (ITUB4) tem queda de 43% no lucro do 1TRI20

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Itaú-Divulgação

O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,912 bilhões no primeiro trimestre, um desempenho 43,1% inferior ao reportado no mesmo período do ano passado.

Este desempenho se refere ao resultado recorrente atribuído aos acionistas controladores em BRGAAP.

Já em IFRS, o lucro líquido recorrente dos acionistas controladores somou R$ 3,784 bilhões, queda de 43,9%.

Crédito

Conforme o Itaú, o custo de crédito no primeiro trimestre de 2020 atingiu R$ 10,1 bilhões, um aumento de 73,6% quando comparado ao quarto trimestre de 2019. O produto bancário reduziu 8,3% no trimestre.

De acordo com o relatório, a carteira de crédito total atingiu R$ 769,216 bilhões ao final do primeiro trimestre, alta de 8,9% frente o encerramento de 2019 e de 18,9% na comparação anual.

“A margem financeira com clientes recuou em função da menor receita com cheque especial por alteração regulatória vigente desde o início do ano e da redução da taxa básica de juros”, informou.

Adicionalmente, a instituição acrescentou que a redução da margem com mercado está associada com o aumento da volatilidade na segunda quinzena de março.

Ativos e provisões

Segundo o banco, o total do ativo cresceu 20,0% nos últimos 12 meses e 14,0% no trimestre.

Na comparação trimestral, merecem destaque os crescimentos de 9,7% em operações de crédito e de 11,1% em títulos mobiliários e derivativos.

De acordo com o relatório, estes números foram parcialmente compensados pelo aumento de 18,9% em provisões para créditos de liquidação duvidosa em função da alteração das perspectivas macroeconômicas.

Por conta das provisões, a rentabilidade do banco medida pelo ROE atingiu 12,8%, ante 23,7% do final do ano passado e 23,6% ante um ano antes.

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Inadimplência

O Itaú informou que a carteira com atrasos acima de 90 dias registrou um aumento total de 13,6% em relação ao trimestre anterior, por causa dos aumentos do atraso de pessoas físicas e grandes empresas no Brasil e de pessoas jurídicas na América Latina.

Já o índice de inadimplência acima de 90 dias total aumentou em relação ao trimestre anterior devido às operações na América Latina, em clientes específicos do segmento corporate no Chile e na Argentina.

No Brasil, aumentou em função dos segmentos de pessoas físicas e grandes empresas.

Até 90 dias

Por sua vez, o índice de inadimplência total entre 15 e 90 dias aumentou em relação ao trimestre anterior devido à maior inadimplência observada em todos os países da América Latina, tanto na PF quanto PJ.

Em compensação, no Brasil, o índice ficou estável com aumento nos segmentos de pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas, compensado pela redução em grandes empresas.

No Brasil, o índice de inadimplência entre 15 e 90 dias aumentou no segmento de PF em relação ao trimestre anterior, principalmente pela sazonalidade típica do primeiro trimestre.

Também houve aumento do índice para micro, pequenas e médias empresas. No segmento de grandes empresas, o índice reduziu em relação ao trimestre anterior devido.

Cenário

Segundo a empresa, a pandemia do novo coronavírus, a partir da segunda quinzena de março, alterou de maneira relevante o cenário macroeconômico e as perspectivas financeiras das pessoas e empresas, impactando o custo do crédito.

“Nosso modelo de provisionamento por perda esperada, em vigor desde 2010, reflete em nosso balanço todo o risco de perda das operações de crédito desde o início da concessão e é atualizado em função das condições macroeconômicas.”

Itaú elimina projeções

O Itaú Unibanco informou ainda que decidiu suspender as projeções para o ano de 2020, divulgadas por meio de fato relevante em 10 de fevereiro de 2020.

“A decisão de suspender as projeções decorre da baixa visibilidade sobre a extensão e profundidade dos efeitos da crise atual trazida pela pandemia de COVID-19”, justificou.

Segundo o comunicado, a administração entende ser prudente não divulgar novas projeções neste momento, “até que seja possível estimar de forma mais precisa os impactos da referida crise sobre as operações”.

Veja os principais números do balanço:

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Fonte: balanço Itaú Unibanco

Tá, e aí?

Para o analista do setor financeiro da XP Investimentos, Marcel Campos, o lucro do Itaú, de R$ 3,9 bilhões, veio abaixo das estimativas, que era de R$ 5,9 bilhões.

“O lucro foi principalmente afetado por um maior provisionamento que visa enfrentar possíveis aumentos na inadimplência”, destacou.

Por outro lado, a linha de impostos ajudou, uma vez que os benefícios de juros sob capital próprio pagos ficaram proporcionalmente mais importantes devido ao menor lucro do trimestre.

No mais, segundo Campos, as linhas de receita e despesas vieram conforme esperado.

Na visão da XP, o Itaú “está se preparando para a guerra”.

Conforme Campos, os administradores decidiram, prospectivamente, aumentar o nível de provisões para enfrentar eventuais aumentos na inadimplência.

“Acreditamos que as atitudes conservadoras adotadas pelo banco sejam necessárias, uma vez que 70% da carteira do banco é concentrada no mais arriscado segmento de varejo, e acreditamos que agora o banco esteja mais preparado para os eventuais efeitos desta crise”, ressaltou a XP.

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Cara ou barata?

Após o resultado, a XP reiterou a recomendação neutra com preço-alvo de R$ 30,00, “uma vez que acreditamos que um eventual aumento na inadimplência já esteja precificado”.