Itaú (ITUB4) aposta no ambiente digital para superar crise

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Itaú (ITUB4) aposta no ambiente digital para superar crise mundial

Maior banco privado do país, o Itaú aposta no ambiente digital para superar a crise econômica decorrente do coronavírus, que atravancou o cenário econômico mundial.

Presidente da instituição, Candido Bracher reforçou a confiança nesse tipo de operação. “O ambiente digital está crescendo muito”, disse em teleconferência na manhã desta terça (5).

O banco contratou mais de 640 funcionários para a área de tecnologia nos últimos doze meses. Também ampliou em 54% a capacidade nessa área entre 2016 e 2019.

Esse movimento mostra que o aporte tem sido gradual. Embora não tenha detalhado, Bracher informou que o banco dobrou o número de abertura de contas por meio do aplicativo.

“A comunicação com o cliente tem sido diária”, frisou, elencando mais de duas mil visualizações no YouTube, mais de oito mil comentários, e mais de 30 mil novos seguidores.

Isso porque, na opinião dele, a geração de conteúdo com dicas, explicações e conversas com especialistas têm sido fundamental para o novo modelo operacional que se abre.

“São conteúdos direcionados aos clientes comuns, bem como aos investidores, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Tudo feito para auxiliá-los nas tomadas de decisões”, ressaltou.

A iniciativa de se voltar para o meio digital é um reflexo das incertezas trazidas pelo coronavírus. “Não temos condição de avaliar a duração da crise, mas entendemos que será um período longo”, declarou.

Por conta disso, o Itaú cancelou o Guidance. Trata-se da projeção que a empresa faz acerca dela própria e de todas as suas operações no curto, médio ou longo prazo.

“O retorno à normalidade será gradual e isso demandou ajustes no balanço, que teve forte impacto nos resultados do trimestre”, disse, em relação à pandemia.

A afirmação do executivo diz respeito ao lucro líquido da companhia que recuou 43% no primeiro trimestre de 2020 frente igual período do ano passado.

“O começo de ano estava bastante robusto, mas, o resultado do trimestre já vem com efeitos da crise do coronavírus”, frisou.

Os três setores mais impactados na carteira do banco são óleo e gás, turismo e companhias aéreas. “À medida que a crise se alonga, a capacidade de recuperação também se distancia.”

Veja o desempenho do ITUB4 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

Manter a liquidez

A perspectiva do banco para os próximos dias, conforme o executivo, é manter os níveis de liquidez e capitalização adequados aos cenários de stress test.

O banco entende que os principais fatores que influenciarão o crescimento da carteira de crédito no curto e médio prazo serão a maior participação do segmento de grandes empresas, menor demanda de pessoas físicas e relativamente alto volume de renegociações.

Além disso, fazer crescer a margem financeira com clientes em torno do crescimento da carteira de crédito.

Isso porque as receitas de serviços e seguros seguirão pressionadas em função da menor atividade econômica e da indisponibilidade do mercado de capitais.

Já o custo do crédito e o estoque de provisões, seguindo o modelo de perda esperada, será ajustado sempre que houver alterações substanciais no cenário macroeconômico e nas variáveis financeiras dos clientes.

“Mantemos nosso compromisso de redução nominal nas despesas não decorrentes de juros, refletindo a gestão diligente e estratégica de custos, os investimentos feitos em tecnologia, o reflexo da menor atividade econômica em nossos custos variáveis e benefícios do novo modelo de trabalho e atendimento remotos”, frisou.

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Ações implementadas

De acordo com Bracher, o Itaú antecipou o 13 salário para suprir qualquer necessidade adicional dos funcionários.

Também colocou expressiva parcela dos funcionários em home office, além de antecipar férias aos colaboradores que integram o grupo de risco.

Segundo ele, pesquisas internas de satisfação alcançaram o nível “extraordinário” de 92 pontos contra os 72 pontos registrados normalmente.

O banco doou cerca de R$ 1 bilhão para combate à pandemia e formou uma governança para gerir aplicação desses recursos com grupo de seis especialistas.

Para os clientes, concedeu carência de 120 dias para pessoas físicas e 180 dias para pessoas jurídicas como forma de ajudá-los a atravessar a crise.