Itália e Holanda discordam e União Europeia adia acordo sobre resgate econômico

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

Um desacordo entre Itália e Holanda fez com que a reunião entre os principais países da UE para selar o destino de quase meio trilhão de euros no combate ao coronavírus não tivesse um final feliz.

A agência Reuters informou que os dois países não chegaram a um consenso sobre quais condições deveriam ser atribuídas ao crédito da zona do euro para os governos que lutam contra a pandemia.

“Após 16 horas de discussões, chegamos perto de um acordo, mas ainda não chegamos lá”, disse Mario Centeno, presidente do Eurogrupo. “Suspendi o Eurogrupo e continuaremos amanhã (quinta)”, completou.

A expectativa da reunião girou em torno de um acerto sobre o programa de meio trilhão de euros para atenuar a crise econômica e financiar a recuperação em relação à pandemia.

Uma fonte ouvida pela agência Reuters informou que os italianos querem que uma referência à mutualização da dívida como um possível instrumento de recuperação seja analisada no futuro, mas os holandeses discordam.

Em sua conta no Twitter, Olaf Scholz, ministro das Finanças da Alemanha, pediu união à Europa em uma hora tão difícil quanto essa.

“Juntamente com Bruno Le Maire, peço a todos os países do euro que não se recusem a resolver essas difíceis questões financeiras e facilitem um meio-termo — por todos os cidadãos”, postou, colocando o ministro das Finanças da França em seu apelo conjunto.

Discussão se arrasta faz tempo

A discordância sobre o que fazer para evitar uma recessão ainda maior na Europa já vem se arrastando desde a última semana de março.

No último dia 24, Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, afirmou à AFP, após duas horas de videoconferência, que “ainda há muito trabalho para alcançar a meta”.

“Estamos comprometidos em explorar todas as possibilidades necessárias para apoiar nossas economias para superar esses tempos difíceis”, avisou.

A luta contra a recessão tem preocupado principalmente os países mais afetados pela pandemia do coronavírus até o momento: Itália, Espanha e França.

Nadia Calviño, ministra da Economia da Espanha, afirmou que espera uma resposta maciça de todos os parceiros em o que chamou de “ato histórico de solidariedade”.

“É hora de mostrar a força da União Europeia. É uma crise simétrica, que afeta todo o bloco comunitário”, comentou.

Os três países mais abalados com a crise pedem, há algum tempo, eurobonds para mutualizar as dívidas dos 19 países do euro, como forma de estabilizar a zona do euro e unificá-la um pouco mais.

Segundo Mário Centeno, a proposta segue de pé, pois “nenhuma solução foi descartada”.

Norte da Europa tem outra visão

Os países menos afetados até o momento pela crise causada pelo coronavírus acreditam que as medidas anunciadas pelo Banco Central Europeu podem ser suficientes para combater a Covid-19.

Peter Altmaier, ministro das Finanças da Alemanha, havia rejeitado antes da reunião tratar dessa questão, que, segundo ele, se trata de um “falso debate sobre motivos ideológicos” para abordar soluções para “cinco ou dez anos”.

Independentemente das opiniões divergentes, o caminho traçado para o fundo estipulado em aproximadamente 400 bilhões de euros parece definido.

Segundo a AFP, o Mede (Mecanismo de Estabilidade e Crescimento) será usado principalmente para resgatar os países mais necessitados e que não têm, até o momento, condições de se levantar sozinhos.

Outro país que espera por ajuda “urgente” da União Europeia é Portugal. Em entrevista para a rede de notícias SIC, o primeiro-ministro Antonio Costa foi taxativo:

“Precisamos já de dinheiro novo da União Europeia e um bom sinal seria a emissão de eurobonds”, avisou.

“Essas medidas serviriam para responder aos custos acrescidos que os serviços nacionais de saúde estão a ter em toda a Europa, para podermos aumentar o número de testes na população e para dotarmos os sistemas de saúde com os equipamentos essenciais”, concluiu.

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