IRB (IRBR3): UBS reduz preço-alvo para R$ 4,80; ações caem

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação

O Banco UBS reduziu o preço-alvo para ações da IRB (IRBR3) de R$ 48,00 para R$ 4,60.

Isso representa um potencial de queda de 47% em relação ao fechamento de ontem (R$ 8,09). Nesta terça-feira (6), o papel fecho cotado a R$ 7,17, queda de 17,11%.

Dessa forma, o banco suíço rebaixou a recomendação dos papeis da IRB de compra para venda.

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Em relatório, assinado pelos analistas, Mariana Taddeo e Kaio Prato, o UBS escreveu que “levará tempo para que o IRB recupere a lucratividade (e alcance níveis semelhantes aos de seus pares globais)”.

O banco acrescentou que espera que o IRB diminua o ritmo de crescimento de seus prêmios, com uma nova administração priorizando a lucratividade.

Margens pressionadas

Segundo o UBS, as margens de subscrição do IRB devem ser impactadas por um índice de sinistralidade mais alto, uma vez que uma abordagem mais conservadora para as provisões é adotada enquanto os resultados financeiros são pressionados por taxas de juros estruturalmente baixas.

Assim, o banco projeta um ROE de 4% em 2021, ante 9,6% entre os pares globais. Somente em 2024, atingindo 12,3%, o que é ligeiramente acima dos principais pares globais no longo prazo (~ 11%).

De acordo com o relatório, o mercado está precificando o ROE em aproximadamente 20% e em 62% o índice de perda no longo prazo (em linha com a média de 2014-19), o que UBS acredita ser muito alto, dada a indicação da administração de sustentável um índice de perda de 67,5-73,0%.

Prêmios emitidos e sinistralidade

O UBS espera que o crescimento dos prêmios emitidos diminua para 7% em 2021 (+ 12% em 2020), com o IRB revisando seu portfólio atual e reduzindo a exposição de negócios internacionais.

Já em relação aos sinistros, o banco acredita que continuarão a ser pressionados no curto prazo devido ao:

  • foco da administração anterior no crescimento;
  • o impacto do câmbio sobre os sinistros decorrentes da expansão internacional; e
  • relatórios de sinistros mais rápidos do que o esperado e cobranças ao IRB feitas por cedentes e retrocessionários como resultado de seu recente problema de liquidez regulatória.

Por fim, segundo o UBS, para recuperação da confiança, o IRB precisa reestabelecer a liquidez regulatória, fornecendo mais visibilidade sobre o resultado do projeto de re-subscrição e estratégia de crescimento.

Além disso, o nível de renovação do contrato de resseguro e o resultado das negociações em andamento dos acordos de retrocessão também serão importantes para amenizar nossas preocupações sobre o relacionamento do IRB com os parceiros comerciais, bem como para entender a rentabilidade daqui para frente.