IRB (IRBR3): auditoria revela fraude de R$ 60 mi em bônus; ação sobe

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação

O IRB (IRBR3) informou nesta sexta-feira (26) o resultado da auditoria realizada pela KPMG Assessores e Felsberg Advogados sobre a divulgação de informações acerca da base acionária da empresa.

De acordo com o IRB, a investigação identificou os responsáveis pela disseminação de informação falsa sobre a participação acionária da Berkshire Hathaway, de Warren Buffet.

Os atos irregulares foram executados em caráter individual, fora de seus mandatos e de seus poderes regulares de gestão.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

A nova diretoria da empresa também detectou a existência de irregularidades no pagamento de supostos bônus a ex-Diretor e outros colaboradores do IRB e suas controladas, no valor de aproximadamente R$ 60 milhões.

Além disso, em fevereiro e março de 2020 foram realizadas operações de recompra de ações da companhia que ultrapassaram as quantidades autorizadas pelo Conselho de Administração em 2,850 milhões de ações.

“Os responsáveis primários já identificados por todas estas irregularidades apuradas não integram mais os quadros da companhia”, conforme informou o IRB.

A companhia apresentou os resultados da auditoria para Ministério Público Federal, CVM e Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Por fim, o IRB informou que tomará as providências legais para se ressarcir dos prejuízos que lhe foram causados.

Histórico

Desde o começo do ano, escândalos afetaram a imagem da resseguradora e derrubaram o valor das suas ações na B3.

No começo de fevereiro, a corretora carioca Squadra publicou uma carta acusando o IRB de manipulação contábil em seus balanços.

A Squadra prosseguiu nas suas acusações, embora o IRB tenha negado irregularidades.

No dia 26 de fevereiro, o executivo Ivan de Souza pediu demissão da presidência do Conselho.

No dia seguinte, o executivo-chefe do IRB, José Carlos Cardoso, e o chefe financeiro de operações, Fernando Passos, disseram em uma conferência que o mega investidor Warren Buffett havia comprado uma participação no IRB.

Buffett negou ter comprado e ter a intenção de comprar parte da empresa. Os executivos foram demitidos. E um processo de investigação foi aberto para apurar irregularidades.

Tá, e aí?

Em relatório, a Eleven Financial destaca que o fato relevante apresentado “está em linha”, com o esperado da nova gestão, que é transparência.

“A tentativa de manipulação de mercado, com a divulgação de uma base acionária falsa, que levou ao afastamento do CEO e do CFO, deveria ser apurado pelas autoridades competentes”, escreveu a Eleven, em relatório assinado por Carlos Daltozo e Daniela Bretthauer.

Os analistas destaca que há outros “potenciais esqueletos”, que podem surgir das “entranhas do IRB”, e que o fato relevante divulgado nesta sexta-feira aponta “vários destes esqueletos, que estão em todos os lugares”.

De acordo com os analistas, mais esclarecimentos devem ser prestados na divulgação do resultado do primeiro trimestre, nesta segunda-feira (29), como qual é o resultado recorrente de 2019, tirando eventos como a venda de fatia em shopping e reversão de provisões antigas como apurado pela Squadra.

Os questionamentos foram objeto de duas cartas, por parte da gestora, levando as ações da companhia a fortes perdas.

Cara ou barata?

Apesar da sinalização positiva da empresa, a Eleven ressalta que o momento é de cautela. “Ainda não temos todas as informações necessárias para estimar o futuro da companhia”, escreveram.

Assim, destacam, mantém a recomendação Neutra, até a divulgação dos resultados.

Já o preço-alvo, em um cenário base, é de R$ 25, enquanto num pessimista, de R$ 15.

Nesta sexta-feira, as ações IRBR3 apresentavam forte alta, de 6,49%, às 14h50, cotadas a R$ 11,98.