IRB (IRBR3) aprova aumento de capital de até R$ 2,3 bi

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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O IRB-Brasil Resseguros (IRBR3) comunicou na noite de quarta-feira (8) que o conselho de administração da companhia aprovou novo aumento de capital social.

Desse modo, o incremento no capital deve ficar entre R$ 2,1 bilhões a R$ 2,3 bilhões, informou a companhia.

Para isso, serão emitidas ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal para subscrição privada, dentro do limite do capital autorizado.

Serão emitidas, no mínimo, 303.030.304 ações e, no máximo, 331.890.331, ao preço de R$ 6,93 por papel.

Além disso, os acionistas terão direito de preferência para subscrever ações na proporção de 0,35938828 nova ação ordinária para cada 1 ação de que forem titulares, no fechamento do pregão da B3 do dia 13 de julho de 2020 (Data de Corte).

O prazo de exercício do direito de preferência para subscrição terá início em 14 de julho de 2020 até 12 de agosto de 2020.

Investidores Âncora

Os Investidores Âncora, Bradesco Seguros e Itaú Seguros, comprometeram-se a acompanhar o aumento em suas participações proporcionais no capital da Companhia, com investimento total de, no mínimo, R$355,05 milhões e R$ 259,72 milhões via subscrição e integralização das ações.

Os Âncora consideram, ainda, subscrever sobras não subscritas para que a companhia tenha garantia de receber recursos equivalentes ao montante mínimo do aumento de capital.

Destinação dos recursos

De acordo com a IRB, os recursos provenientes do aumento de capital contribuirão para o reenquadramento da companhia aos critérios definidos pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), para os fins previstos na Resolução CNSP 321/2015, que dispõe sobre “a cobertura” das Provisões Técnicas e da Margem Adicional de Liquidez Regulatória.

Além disso, a capitalização fortalecerá a estrutura de capital da companhia e, incrementará sua solvência, o que permitirá a implementação de outras estratégias de negócios da companhia para os próximos anos.

Condutas irregulares

No final de junho, uma auditoria realizada no IRB constatou “a existência de robustos indícios de prática de atos irregulares” pelo CFO Fernando Passos e pelo CEO José Carlos Cardoso, envolvendo o pagamento de bônus no valor de aproximadamente R$ 60 milhões e divulgação de informações falsas relativas à participação acionária da Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett.

Também houve indícios de que Passos teria aprovado a compra de ações da companhia no programa de recompra fora do limite autorizado pelo conselho de administração. Os dois executivos renunciaram aos cargos em março.

O IRB informou em documento que as investigações internas indicam com clareza quem foram os autores das condutas irregulares e por isso propõe a ação contra eles.

E alerta que ainda existem investigações internas em curso que podem implicar outros ex-diretores, como Lucia Maria da Silva Valle, a depender da confirmação ou identificação de condutas, ações e omissões que mantenham relação com os fatos acima descritos, ou mesmo que representem novos fatos.

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Contas do IRB de 2019

Por isso, recomendou que as contas os antigos diretores estatutários relativas a 2019, sem exceção, sejam aprovadas com reservas e ressalvas abrangentes.

Quanto aos demais administradores, a empresa sugere a aprovação das contas sem reservas, uma vez que estas operações irregulares foram realizadas à sua revelia e não foram encontrados indícios de participação nas irregularidades.

O imbróglio envolvendo o IRB teve início em fevereiro quando a gestora Squadra denunciou manipulação contábil em seus balanços.

Depois disso, quase toda cúpula deixou o cargo e teve início uma auditoria interna que apontar as irregularidades.

Balanço

No balanço relativo ao primeiro trimestre de 2020 foi registrado uma queda de 92% no lucro líquido, que somou R$ 13,8 milhões.

Em teleconferência, o presidente interino da companhia Antônio Cássio dos Santos, afirmou que existiam sinistros que não estavam lançados nos registros da empresa.

O diretor vice-presidente executivo de riscos e conformidade, Wilson Toneto, afirmou que a empresa está trabalhando para solucionar a insuficiência de liquidez regulatória constatada no trimestre.