Iranianos residentes nos EUA enfrentam temor por aumento do preconceito

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Facebook

A população de aproximadamente 200 mil iranianos residente nos Estados Unidos está apreensiva com a guerra envolvendo seu país natal e o atual lar.

Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo neste domingo (12) revelou o temor de alguns destes iranianos com relação a um possível aumento do preconceito para com eles.

Manouchehr Mohagheghian, professor de pintura e caligrafia de 60 anos, há 34 residente norte-americano, apoiou a iniciativa militar dos Estados Unidos que culminou com a morte do general Qassam Suleimani e colocou fogo na região.

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“Quando existe um câncer, é preciso fazer quimioterapia e matar a célula doente”, comparou. “A morte de Suleimani fez do mundo um lugar melhor”, completou.

Apesar do apoio declarado, Mohagheghian admitiu que o sentimento dos compatriotas que costumam frequentar sua galeria, situada em uma região conhecida como Teerangeles, é de medo.

“Talvez algumas pessoas temam por suas famílias no Irã ou pretendam viajar ao país e tenham medo que algo aconteça”, explicou, justificando o porquê de ter sido o único iraniano a aceitar conversar com a reportagem do jornal brasileiro e ceder seu nome real.

Em condição de anonimato, uma cineasta de 32 anos, que há 13 reside em terras norte-americanas, confirmou a declaração de Maouchehr, conhecido popularmente nos EUA como “Mike”.

“Me assustou que alguém pudesse matar uma figura tão importante de outro país e de forma tão abrupta”, confessou, assegurando não ter qualquer simpatia com o general morto no ataque norte-americano.

“Acho compreensível que tenhamos medo, mesmo vivendo longe, pois, se uma pessoa tem ligação com o Irã ou quer viajar para o Irã, pode ter problemas com o governo”, completou.

Discriminação aumentou no governo Trump

Outros iranianos declararam terem sofrido assédio por parte das autoridades norte-americanas ao cruzar a fronteira que separa os Estados Unidos do Canadá um dia após o ataque que vitimou Suleimani.

“Esse é um caso flagrante de discriminação”, sintetizou a advogada Mehrnoush Yazdanyar, que tem ascendência iraniana e trabalha em um escritório em Beverly Hills.

Segundo ela, o número de iranianos-americanos detidos pelo governo Trump para inspeções adicionais na fronteira “sem nenhum motivo” aumentou significativamente.