Irã rejeita assinar novo acordo nuclear para substituir o de 2015

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: GettyImages

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, rejeitou nesta quarta-feira (15) proposta de um novo acordo nuclear para substituir o atual, assinado em 2015, mas abandonado pelos Estados Unidos três anos depois.

Para Rouhani, o governo norte-americano é que deveria retornar ao acordo original. Nele, o Irã concordou em restringir suas atividades atômicas em troca da suspensão de todas as sanções internacionais contra o país.

Como Donald Trump já afirmou recentemente, via Twitter, que enquanto ele for presidente, o Irã “jamais terá armas nucleares”, Rouhani disse que a oferta é “estranha”, afinal é um acordo que não permite o país desenvolver armas atômicas; e criticou Trump, por “sempre quebrar promessas”.

O acordo de 2015 ainda vale

A ideia de um novo acordo chegou ao conhecimento de Rouhani por um comentário feito pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, na terça-feira (14). O britânico sugeriu que o acordo nuclear iraniano de 2015 deveria ser substituído por outro proposto por Donald Trump, para garantir que Teerã não obtenha uma arma atômica.

“Esse primeiro-ministro de Londres, eu não sei como ele pensa. Ele diz para deixarmos de lado o acordo nuclear e pôr em ação um plano de Trump. Escolha o caminho certo, e o caminho certo é retornar ao acordo nuclear”, disse Rouhani, em reunião ministerial transmitida pela televisão.

No Twitter, Trump compartilhou a sugestão de Boris Johnson, concordando com a ideia de um novo acordo.

Para o país persa, entretanto, o acordo de 2015 ainda vale. Apenas os Estados Unidos é que se retiraram. As demais nações, não.

Por isso, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, disse recentemente, em visita à Índia, que o acordo de 2015 está de pé, apesar dos anúncios iranianos de que reduzirá seu cumprimento, em represália às posições norte-americanas.

Segundo ele, a saída americana do pacto tornam inúteis novas negociações com Washington, já que são conversas que não fazem mais sentido: “tive um acordo com os EUA e os EUA romperam esse acordo. Se eu tiver um acordo proposto por Trump, quanto tempo irá durar?”.

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Mais sanções

O aumento das tensões, que chegou à beira de um conflito armado, entre Irã e Estados Unidos, só pioraram as possibilidades diplomáticas.

Desde que deixou o acordo nuclear, Washington voltou a impor sanções para bloquear as exportações de petróleo do Irã. É o mesmo artifício que utiliza contra a Venezuela, por exemplo.

Os Estados Unidos dizem que seu objeto é forçar Teerã a concordar com um pacto mais amplo, que estabeleça limites mais rigorosos para a atividade nuclear, que restrinja o programa de mísseis balísticos e encerre as ditas guerras regionais “por procuração”.

O lado iraniano diz que não negociará enquanto as sanções forem mantidas e, como resposta, tomou algumas medidas para reduzir o cumprimento do acordo. Chegou a anunciar, em 5 de janeiro, que iria abandonar todas as limitações ao enriquecimento de urânio.

Mais ameaças de Trump

Trump ultrapassou uma barreira inimaginável há até pouco tempo. Segundo o jornal The Washington Post divulgou nessa quarta-feira (15), o presidente ameaçou impor uma tarifa de 25% contra a indústria automobilística europeia se a França, a Alemanha e o Reino Unido não denunciassem o Irã por romper o acordo nuclear.

A medida seria uma pressão inédita exercida contra seus mais tradicionais aliados no planeta. O jornal informou que diplomatas europeus classificaram a ameaça de Trump de “extorsão”.

Aliados

Apesar disso, os três aliados, Reino Unido, França e Alemanha, acusaram o Irã formalmente, ainda na terça-feira (14), de violar os termos do pacto. A reação veio ativando um mecanismo de disputa, o que poderia levar à reimposição de sanções da ONU contra Teerã.

Para o Irã, isso foi um “erro estratégico”. O país censurou a trinca europeia por não resistir à pressão de Trump, e de agirem como marionetes. Rouhani ainda insistiu que a intenção do Irã não é construir armas atômicas: “todas as nossas atividades estão sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”.

Eleições iranianas

Rouhani pediu que as Forças Armadas que “peçam desculpas” pela derrubada acidental do avião comercial ucraniano, no último 8 de janeiro.

Para ele, o mundo e o povo iraniano precisa saber o que aconteceu de fato. “As pessoas precisam entender que o Irã não quer esconder nada”, disse.

As eleições legislativas estão previstas para 21 de fevereiro e essa deve “ser a primeira etapa” da transformação política desejada nesse momento. Segundo Rouhani, as pessoas querem a garantia de que as autoridades as tratam com sinceridade, integridade e confiança.

Com informações da Folha de São Paulo e de O Globo.