Irã pode estar ocultando casos de covid-19, segundo médicos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / PMOI site

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu denúncia de um grupo de 70 médicos iranianos que moram nos Estados Unidos e Europa, alegando que o Irã estaria ocultando o verdadeiro alcance do novo coronavírus, conhecido como Covid-19, no país. Para esse grupo de médicos, o país podem ter mais de 3 mil mortos e não 500, como as estatísticas oficiais mostra.

Atualmente e oficialmente, nos dados repassados para a OMS, o Irã tem 11.364 casos confirmados, com 514 mortes e 2.959 pacientes recuperados. São 7.891 ativos ainda. As informações são de 13:30h do dia 13 de março e são atualizados constantemente.

“Nossos colegas no Irã destacam que a principal razão da expansão do coronavírus aconteceu devido a considerações políticas do regime, unidas a falta de um alerta oportuno à opinião pública e à incompetência para gerir crises”, diz o texto, dirigido ao diretor geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Oposição no Irã

A acusação não é nova. No início de março, o site da People’s Mojahedin Organization of Iran (PMOI), oposição ao regime iraniano, já havia alertado sobre essa possibilidade.

Na ocasião, os informes oficiais davam conta de que menos de 100 mortos haviam sido contados, mas a PMOI acreditava que já passavam de 1 mil: “a contagem provavelmente aumentou ainda mais após os últimos relatórios. Esses números atrozes são resultado da recusa do regime em fornecer os relatórios necessários sobre o coronavírus”, diziam.

Em uma revelação chocante, o vice-ministro da Saúde do regime iraniano, Ghasem Janbabaei, reconheceu em uma entrevista à TV estatal, naquele momento, que mais de 12.000 pessoas foram hospitalizadas após serem diagnosticadas com o coronavírus e este é apenas 20% dos indivíduos que deram positivo para o Covid-19.

“Menos de 20% dos indivíduos com teste positivo para o coronavírus realmente entram nos hospitais. 80% dos indivíduos infectados pelo coronavírus apresentam sintomas leves ou suas condições permitem que permaneçam em casa”, disse Janbabei.

A enfermeira Parvaneh Tarverdian, segundo a Folha de São Paulo, que vive no Canadá e apresentou o documento em Genebra, na Suíça, afirmou que ao ocultar dados, o governo do país asiático pode ter minado os esforços da Organização Mundial de Saúde para contar a pandemia.

“O regime se nega a dar os números reais dos afetados e mortos, pelo interesse de controlar a sociedade e reprimir qualquer protesto”, afirmou a signatária.

O Irão pediram um empréstimo de US$ 5 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), para o combate ao coronavírus.

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