Irã emite comunicado e admite ter derrubado avião por “erro humano”

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

Acabou o mistério. O Irã admitiu, em comunicado oficial assinado pelo presidente do país, Hassan Rouhani, ter sido responsável pela queda do Boeing 737-800, da Ukraine International Airlines, que vitimou os 176 passageiros na última quarta-feira (8).

Ao contrário do que muitos podem pensar, no entanto, o míssil que atingiu a aeronave não foi disparado de forma proposital. Pelo menos não em direção ao alvo.

Segundo Rouhani, foi um “erro humano” no momento de analisar o alvo que transformou o avião civil ucraniano a receber os “disparos equivocados”.

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“Na atmosfera de ameaças e intimidação do agressivo regime americano contra a nação iraniana após o martírio do general Qasem Soleimani, e para nos defendermos de possíveis ataques do exército americano, as Forças Armadas da República Islâmica do Irã estavam em alerta total, o que infelizmente levou a esta terrível catástrofe que tirou a vida de dezenas de pessoas inocentes por causa de erro humano e disparos equivocados”.

Assim como fez o presidente do país, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, também afirmou que a pressão militar americana foi o que motivou o erro.

“Um erro humano em tempos de crise, causado pelos aventureiros norte-americanos, levou a esse desastre”, postou, em sua conta no Twitter.

As suspeitas de que um míssil havia derrubado a aeronave começaram após o jornal The New York Times divulgar um vídeo, de aproximadamente 20 segundos, em que é possível ver algo atingindo um avião perto do aeroporto de Teerã, local da queda.

O chefe da Organização de Aviação Civil do Irã, Ali Abedzadeh, emitiu comunicado na sexta (10) classificando como “rumores ilógicos” a possibilidade de o avião ter sido derrubado por um míssil, teoria que foi comprovada pouco depois pelo presidente do país.

Os mortos

O avião abatido caiu em Teerã apenas poucas horas após o Irã ter disparado mísseis contra as bases militares norte-americanas em Bagdá.

O voo tinha como destino o aeroporto Internacional Boryspil, em Kiev, na Ucrânia e, segundo informações do país, levava a bordo 82 iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, 4 afegãos, 3 alemães e 3 britânicos.

Sanções econômicas

Como prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (8), um dia após o ataque iraniano com misseis às bases americanas no Iraque, a retaliação imediata seria com o endurecimento de sanções econômicas ao país persa.

Nessa sexta-fera (10), o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, anunciaram que o país cortará “bilhões de dólares” do regime do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

Não foram divulgados os detalhes das novas sanções. Segundo o UOL, “Pompeo disse não haver dúvidas de que o Irã pretendia matar americanos no ataque e considerou as sanções autorizadas pelo presidente como uma resposta apropriada”.

“Observei a atividade iraniana na região naquela noite. Eles tinham intenção total de matar as forças americanas, fossem nossos militares ou o pessoal da diplomacia na região”, afirmou Pompeo.

Resposta apropriada

“Estou confiante de que a resposta que o presidente deu é apropriada. O presidente disse que não queremos guerra. Queremos que o Irã se comporte como uma nação normal”, continuou Pompeo.

Para o secretário de Estado, “ficou muito claro” que o EUA seriam atacados a qualquer momento. “O próprio Qassim Suleimani estava planejando um ataque amplo e de larga escala contra os interesses americanos, e esses ataques eram iminentes. Tínhamos informações específicas sobre uma ameaça iminente. E essas ameaças incluíam ataques às embaixadas dos EUA”.

As declarações de Pompeo soaram como justificativas para o ataque que acabou matando Suleimani, no último dia 2. A Câmara dos Representantes, de maioria Democrata, ainda não digeriu a investida americana.

Os deputados aprovaram nesta quinta-feira (9) uma resolução que limita as ações militares do presidente Donald Trump no conflito com o Irã. Pela nova determinação, que ainda precisa ser aprovada no Senado, onde os Republicanos, partido de Trump, têm maioria, o presidente é obrigado a pedir autorização ao Congresso antes de tomar outras medidas relacionadas ao tema.