IPP: preços ao produtor sobem 4,78% em março, segunda maior alta da série histórica

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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O Índice de Preços ao Produtor (IPP), do IBGE, teve alta de 4,78% em março, ante 5,16% em fevereiro.

Esta é a segunda maior alta da série histórica, iniciada em 2014. Em fevereiro, a alta recorde foi revisada de 5,22% para 5,16%. Com o resultado, o índice acumula recordes de 14,09%, no trimestre, e de 33,52%, nos últimos 12 meses.

Variação do IPP mês a mês

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Reprodução/IBGE

Variação do IPP em 12 meses

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Reprodução/IBGE

IPP tem vigésimo aumento consecutivo

Esse é o vigésimo aumento consecutivo do índice, desde agosto de 2019. O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

De todas elas, 23 apresentaram variações positivas, repetindo o desempenho apresentado nos meses de fevereiro e janeiro.

A elevação nos preços foi sentida principalmente em refino de petróleo e produtos de álcool (16,77%), outros produtos químicos (8,79%), madeira (7,73%) e papel e celulose (7,18%).

Alta do dólar explica resultado

Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia da Coordenação de Indústria, diz que o resultado do mês de março reflete o impacto da depreciação do real frente ao dólar, que afeta tanto os preços dos produtos exportados pelo Brasil quanto os preços dos produtos importados, em particular das matérias primas. No caso do aumento de custo, isso gera um efeito em cascata em diversas cadeias industriais.

“Muitas matérias primas estão com os preços majorados e essas altas se espalham por diversas cadeias. Se aumenta o preço do óleo bruto de petróleo, aumentam os preços dos derivados. Se a nafta sofre aumento, alguns produtos químicos que a utilizam como matéria prima também têm seus preços elevados e isso acaba impactando o setor de plásticos, que processa alguns desses produtos químicos. O mesmo é válido em relação ao preço do minério, que tem impacto na metalurgia e, num segundo momento, em indústrias como a automotiva ou a produtora de eletrodomésticos”, explica.

Demanda chinesa também pressiona o índice

Outro fator que contribuiu para a elevação de preços no mês de março foi o aumento da demanda internacional, especialmente da China, impactando o preço das commodities, sobretudo agrícolas.

“As commodities têm aumentado de preço porque o mercado internacional está pressionado pela demanda, em particular a exercida pela China por produtos da agroindústria, como os derivados da soja e as carnes, em particular bovina. Mas também há pressões sobre produtos siderúrgicos e de celulose”, diz Brandão.

Ele destaca que alimentos, setor mais pesado da economia, não apareceu entre as principais influências nem em janeiro nem em fevereiro. Todavia, voltou a aparecer em março e, na perspectiva do indicador dos últimos 12 meses, é a maior influência no índice de 33,52% (7,58 pontos porcentuais).