IPP: inflação ao produtor sobe 1,86%, com aumento em todas as atividades

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Pixabay

Foi divulgado nesta quarta-feira (29) o Índice de Preços ao Produtor, pelo IBGE. A inflação ao produtor subiu 1,86%, com aumento em todas as 24 atividades analisadas, o que só havia ocorrido em agosto de 2020. No ano, a alta acumulada é de 23,55% e, em 12 meses, de 33,08%. Os alimentos tiveram o maior impacto em agosto.

O indicador mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

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Segundo Manuel Souza Neto, gerente da pesquisa, a demanda aquecida do comércio internacional e a desvalorização do eeal frente ao dólar vêm impactando os preços industriais no mercado interno.

O movimento dos preços do minério de ferro e do óleo bruto do petróleo, por exemplo, afeta de forma quase direta os setores de químicos, de refino e de metalurgia. No setor alimentício, as exportações de commodities, como soja e milho, pressionam para cima os custos das rações para animais e, por consequência, das carnes, ele diz.

Variação IPP mês/mês

IPP

Reprodução/IBGE

Alimentos têm maior impacto no IPP

O setor de alimentos foi o que mais influenciou o resultado geral do IPP de agosto (0,51 ponto percentual). Na comparação com o mês de julho, os alimentos subiram 2,19%, sendo a sétima taxa positiva observada ao longo do ano (a única negativa foi a de junho, em 0,14%) e a segunda maior de 2021, perdendo apenas para os 2,66% registrados em abril. No ano, o segmento acumula alta de 12,47%.

“A elevação dos preços foi impactada tanto pelo aumento de custo na criação dos animais quanto pela maior demanda. Além das exportações, também houve o impacto do mercado interno, com a volta às aulas presenciais e a tendência de substituição da carne bovina pela de frango”, ressalta Souza Neto.

Ele acrescentou que a combinação de entressafra e fatores ligados ao clima contribuiu para elevar os preços de alguns alimentos.

IPP: contribuições (%) por atividade

IPP

Reprodução/IBGE