Metade das empresas que fizeram IPO em 2020 está em queda na bolsa

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Divulgação/Petz

Das 13 empresas que fizeram sua oferta inicial de ações (IPOs) em 2020, 6 ainda têm seus papéis negociados em alta. O número inclui a Petz, que levantou R$ 3 bilhões no dia 11 de setembro, o maior volume movimentado no ano entre as estreias na bolsa até agora.

A líder absoluta de valorização é a Locaweb, com aumento acumulado de mais de 180% nos seus papéis desde fevereiro. Logo após, aparecem Aura Minerals e Lojas Quero Quero no ranking, com valorizações de, respectivamente, 23% e 15% desde o IPO.

Entretanto, alguns desempenhos deixaram a desejar. A pior performance entre as iniciantes foi a da Moura Doubeux, que acumula queda de 52% no ano.

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A Priner, uma das primeiras a abrir capital este ano, registra o segundo pior desempenho, com desvalorização de 30%. Por fim, a incorporadora Mitre acumula queda de 27% no valor de suas ações desde o IPO, em fevereiro.

O ritmo intenso de novas captações no mercado acionário lembra um pouco a euforia dos IPOs em 2007. Agora, em 2020, a queda da taxa Selic e a injeção de liquidez promovida pelos grandes bancos centrais são os principais motivos apontados por especialistas para explicar essa onda de IPOs.

Por outro lado, a grande quantidade de IPOs no ano tem despertado questionamentos sobre a capacidade de o mercado absorver toda essa oferta.

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IPOs: voltamos ao ritmo de 2007?

O assessor de investimentos e sócio da EQI, Elias Wiggers, diz que a situação hoje é bem diferente da de 2007. Naquela ocasião, havia uma grande euforia com toda a melhora que o Brasil estava vivendo, muito impulsionada pelo aumento do consumo. “Era como se, naquele momento, o Brasil estivesse gastando no cartão de crédito. E poucos de deram conta de que a fatura chegaria”, conclui.

Entretanto, o momento hoje é outro. Isso porque, atualmente,  vivemos uma crise de proporções globais. E, diferentemente de outros períodos, o Brasil está totalmente inserido nesse ciclo econômico mundial.

Ou seja, o País estava sempre alguns passos atrás desse movimento financeiro. Porém, agora, “é como se todos tivessem sido jogados para cima. Entretanto, alguns caíram em colchões financeiros mais fortes. É o caso dos EUA e Europa, que possuem mais espaço fiscal para isso”, conclui.

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Taxas de juros

Outro forte motivo para o momento ser diferente são as baixas taxas de juros no mundo inteiro, também por conta da pandemia. Logo, não há mais tanta oportunidade em juros altos, e isso acaba levando o investidor a procurar oportunidades na renda variável.

Elias cita o exemplo do Japão:

“O País tem juro negativo há mais ou menos 10 anos. Isso porque eles têm uma poupança interna muito forte, e precisam acelerar a economia. Desse modo, a preocupação é colocar o dinheiro na mão da população. O objetivo é fazê-la gastar em vez de guardar dinheiro em bancos. Por isso, o juro é negativo.

No Japão, há tempos a forma de fazer o dinheiro trabalhar é investir em empresas. Logo, o que ocorre há 10 anos naquele  País é o que está acontecendo no mundo inteiro hoje.

Por um lado, há investidores sedentos por novas oportunidades de ganhos. Em contrapartida, as empresas identificam o momento como uma boa oportunidade para se capitalizarem com IPOs na B3.

E como o mercado enxerga essa quantidade de IPOs?

Segundo Elias, o mercado entende que, tomados os devidos cuidados, é plenamente normal, esperado e saudável esta nova onda de IPOs. Inclusive entende como um momento especial para os investidores pessoas físicas começarem a entrar na bolsa.

O problema é que existem algumas precificações acima do devido. Para Elias, isso advém um pouco da falta de parâmetro que as pessoas ainda têm com o mercado acionário. “Numa economia consolidada, é muito difícil uma ação ter esse descolamento da realidade em termos de valores. O motivo é que, lá fora, existe mais concorrência e as pessoas têm mais referências.”