IPO da Yuny: incorporadora quer se consolidar no mercado de alto padrão

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O que não faltam na nova leva de IPOs (Oferta Pública Inicial) são  empresas do setor imobiliário buscando recursos no mercado de capitais. A paulista Yuny Incorporadora quer aproveitar o bom momento do mercado para fazer sua estreia na Bolsa de Valores.

Focada no desenvolvimento de projetos residenciais e comerciais de alto padrão em regiões nobres de São Paulo, a empresa também possui uma joint venture especializada na realização de projetos residenciais econômicos.

Quer conhecer mais sobre a Yuny? Neste post, mostramos a história da empresa, os números e detalhes divulgados até agora do IPO.

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A história da Yuny

A Yuny foi criada em 1996 pelos irmãos Marcelo Yunes e Marcos Yunes.

Marcos agregou a experiência financeira obtida na distribuidora de valores Tecbens, especializada em fundos de investimentos. E Marcelo, advogado de formação, fez a estruturação jurídica dos negócios imobiliários.

Quando iniciaram a Yuny, o foco era atender imóveis residenciais de alto padrão em São Paulo. Mas, com o tempo, a empresa ganhou capilaridade e se expandiu.

Em 2006, após uma década focada no segmento de altíssimo-padrão, a Yuny Incorporadora se consolidou e cresceu. Começou então a atuar também em segmentos residenciais e comerciais de médio-alto padrão.

No ano seguinte, firmou parceria com o Golden Tree Insite Partners, um fundo de investimentos norte-americano. O investimento de R$ 700 milhões deu o suporte necessário para que a Yuny acelerasse seu crescimento. Surgiu então a Atua Construtora, fruto da joint venture entre Yuny Incorporadora e a Econ Construtora, direcionada para o segmento econômico.

Em 2010, a Yuny associou-se ao Grupo VR, que há mais de 30 anos desenvolve negócios em vários setores. Assim, a sociedade proporcionou à Yuny mais  musculaura para investir, lançar empreendimentos inovadores e gerar empregos.

A Yuny também tem desde 2014 um canal de vendas, para atender os clientes que desejam conhecer seu portfólio: a Yuny Store.

Polêmica

Em 2018 a empresa se envolveu em uma polêmica. Em delação premiada, o operador financeiro Adir Assad afirmou ter repassado, entre 2010 e 2011, de R$ 1,2 milhão a R$ 1,4 milhão em espécie para a Yuny Incorporadora. O pai de Marcos e Marcelo Yunes é José Yunes, um conhecido advogado, amigo e ex-assessor de Michel Temer. José Yunes deixou o governo Temer após ter sido citado na delação de Cláudio Mello, da Odebrecht.

As empresas de Marcos e Marcelo, todas ligadas a Yuny, aparecem em 113 transações com a SM Terraplanagem e em 28 operações com a Legend Engenheiros. Segundo a revista Época, a Legend e a SM, de acordo com investigações do Ministério Público Federal, não possuíam condições para funcionar. Eram, segundo o MPF, emissoras de notas frias utilizadas para produzir dinheiro em espécie que abastecia o caixa 2 de empresas interessadas em pagar vantagens indevidas a agentes públicos e partidos políticos.

Na época, em nota, a Yuny afirmou que “tanto a empresa como seus representantes nunca tiveram nenhum relacionamento comercial ou pessoal” com Adir Assad. Afirmou ainda que, “para a implementação de seus empreendimentos, conta com a colaboração de dezenas de construtoras e mais de 3.000 fornecedores e outros prestadores de serviço terceirizados, a maior parte indicada pelos próprios contratados”.

 

Alguns números da Yuny

  • 70 empreendimentos lançados;
  • 17 mil unidades entregues;
  • 2,5 milhões de m² construídos;
  • R$ 15 bilhões em VGV desenvolvidos;
  • Banco de terrenos de aproximadamente R$ 3,7 bilhões de VGV;
  • Os acionistas da Yuny são Marcos Mariz de Oliveira Yunes e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes. Cada um deles tem 50% da companhia;
  • A Yunny registrou um lucro líquido de R$ 40 milhões em 2019, contra R$ 6,2 milhões no ano anterior. Nos seis primeiros meses de 2020 o prejuízo líquido foi de R$ 372 mil;
  • A dívida líquida da empresa ficou em R$ 9 milhões em 2018 e em R$ 60 milhões em 2019. No primeiro semestre de 2020, a dívida líquida acumulada era de R$ 96,9 milhões.

 

IPO e projetos futuros

A Yuny fez a solicitação de IPO em 7 de agosto e quer ser listada no Novo Mercado. O processo encontra-se em análise pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A empresa fará uma oferta primária e secundária de ações simultaneamente.  Mas detalhes sobre prazos e valores ainda não foram divulgados.

A operação deve ser coordenada pelo Itaú BBA e pelo BTG Pactual.

Segundo a Yuny, os recursos captados serão direcionados para a aquisição de terrenos (67%), reforço de capital de giro (30%) e investimento em iniciativas digitais (3%).

O foco é continuar atuando na região metropolitana de São Paulo. O banco de terrenos da empresa inclui áreas em bairros nobres de São Paulo, como Jardins, Itaim, Brooklin, Vila Olímpia, Ibirapuera e Pinheiros.

A empresa também tem investido em inovação. Em 2019 foi lançada a YunyLab, uma unidade de negócios exclusivamente focada em desenvolver inovação dentro da incorporção  imobiliária, além de produtos com novos modelos de negócio.