IPO da Oceana Offshore: empresa planeja ampliar frota e comprar concorrentes

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A Oceana Offshore, que atua na construção de embarcações para exploração de petróleo, está na fila para realizar sua Oferta Pública Inicial de ações (IPO) ainda este ano na bolsa brasileira.

A companhia pretende usar os recursos captados no mercado de capitais para expandir e modernizar sua frota, na esteira do crescimento da Petrobras.

A empresa tem a segunda maior frota nacional especializada em navegação e na construção de embarcações de suporte às plataformas offshore de exploração e produção de petróleo do Brasil. São 32 embarcações e uma base de apoio em Niterói (Rio de Janeiro).

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Além disso, é uma das pioneiras no Brasil no setor de apoio marítimo à indústria de exploração e produção offshore de óleo e gás natural em operações de alto grau de complexidade.

A empresa atua por meio da sua frota de embarcações, com tripulação própria que suporta a cadeia desde a exploração, passando pela produção e descomissionamento dos projetos de exploração e produção.

Mais sobre a Oceana Offshore

Em dezembro de 2011, a gestora Pátria Investimentos criou a Oceana Offshore, por meio de um fundo de infraestrutura. Ela nasceu integrada a um estaleiro para atuar no apoio logístico a operações de exploração de petróleo em mar aberto no Brasil.

Sua atuação está focada em três pilares:

  • Franca expansão do mercado com a descoberta das reservas do “pré-sal”;
  • Explorar a demanda por construção de embarcações no Brasil, que era até então muito superior à capacidade instalada;
  • Potencial oportunidade de consolidação, uma vez que o maior operador do segmento possuía apenas 13% do market share.

Em novembro de 2012, o BNDESPar comprou 25% das ações da empresa com aporte de US$ 60 milhões. Assim, o Pátria passou a deter 75% de participação acionária.

Em setembro de 2013, a Oceana comprou duas empresas na Noruega, Vega Chaser AS e Vega Challenger AS, formadas por duas embarcações estrangeiras que já possuíam contrato de operação junto à Petrobras.

Em dezembro do mesmo ano, mais aquisições: da Companhia Brasileira de Offshore, do Estaleiro Aliança e da CBO Serviços Marítimos, empresas que faziam parte do Grupo Fischer (denominadas “CBO”). Em operação conjunta à aquisição da CBO, ocorre a entrada da Vinci Partners como acionista, com 40% de participação acionária. Assim, o Pátria passou a deter 40% das ações e o BNDESPar 20%.

Com a aquisição, o grupo começou a adotar o nome “Grupo CBO”, mantendo o nome que é reconhecido pelo mercado.

No segmento de navegação, o foco do Grupo CBO são embarcações de apoio offshore de médio porte.

Oceana Offshore - CBO

 

Novos negócios

O Grupo CBO diz ter iniciado, em 2019, um novo ciclo de crescimento, que será pautado pela aquisição de embarcações existentes. Assim, o objetivo é atender ao representativo aumento de demanda por embarcações de apoio que deverá ocorrer no Brasil em virtude da exploração do pré-sal.

“Nesse contexto, a companhia espera que os investimentos nesse segmento cresçam consideravelmente, levando a um aumento no número de sondas, plataformas e FPSOs (Floating Production Storage and Offloading – unidades flutuantes de produção e armazenamento de petróleo) e, consequentemente, aumentando a necessidade de embarcações de apoio, o que fortalece a demanda para o mercado de apoio marítimo no qual o Grupo CBO atua”, diz a Oceana Offshore no prospecto preliminar.

O Estaleiro Oceana em Itajaí (SC) entregou oito embarcações à frota do braço da navegação do Grupo CBO, concluindo desta forma um robusto plano de crescimento, de acordo com a empresa. Em maio de 2020 foi assinado um acordo de venda do Estaleiro Oceana.

Oceana Offshore em números

A receita líquida da Oceana Offshore ficou em R$ 1,1 bilhão em 2019 e R$ 669,3 milhões no primeiro semestre de 2020. Segundo a empresa, de 2017 a 2019, a receita cresceu anualmente 24,9%, em média.

Em 2019, a empresa registrou lucro líquido de R$ 139,6 milhões. Já no primeiro semeste deste ano, lucrou R$ 49,6 milhões.

O Ebtida ajustado do grupo totalizou R$ 470,8 milhões no primeiro semestre de 2020. Portanto, maior do que os R$ 370,8 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

A margem Ebtida ajustada atingiu 70,3% no primeiro semestre de 2020, ante 68% em igual período de 2019.

A dívida líquida da empresa até 30 de junho de 2020 era de R$ 4,2 bilhões.

A estrutura societária da Oceana Offshore é dividida desta forma:

  • Pátria Infraestrutura Fundo de Investimento em Participações – 40% (418.751 ações);
  • Vinci Capital Partners – 40% (418.751 ações);
  • BNDES Participações S.A – 20% (209.375 ações).

 

Sobre o IPO

O pedido de IPO foi feito em 7 de agosto. Mas informações sobre prazos, volume de ações e faixa indicativa de preço ainda não foram divulgadas.

A oferta prevê distribuição primária e secundária de ações ordinárias, com listagem no segmento Novo Mercado da B3.

Os coordenadores da oferta da Oceana Offshore são BTG Pactual (BPAC11), Bradesco BBI, Citi, Santander Brasil (SANB11), XP Investimentos, BB Investimentos e Banco ABC Brasil.

Estratégias futuras

Segundo a Oceana Offshore, os recursos captados serão direcionados ao desenvolvimento de seu plano de crescimento por meio da aquisição de embarcações. Além disso, a empresa quer modernizar sua frota e ampliar sua participação de mercado com a compra de concorrentes.

Assim, as estratégias da Oceana Offshore incluem:

  • Continuar investindo em seu plano de crescimento por meio de aquisições de embarcações já operacionais;
  • Atualizações e adequação de parte da frota (upgrade da frota);
  • Participação em licitações e processos competitivos para novos projetos;
  • Aproveitamento das perspectivas de crescimento e investimentos da Petrobras e do setor de petróleo e gás.