IPO: o que é, como funciona e quando é uma oportunidade?

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: B3/Divulgação

Se você acompanha o noticiário financeiro já percebeu que a sigla IPO voltou com tudo. No mercado, a expectativa é de que ao menos 30 empresas façam sua estreia na bolsa de valores até dezembro.

Mas você sabe o que significa um IPO? Como ele funciona? Quais as vantagens e desvantagens para o investidor?

IPO é a sigla para “Initial Public Offering”. Em português, significa Oferta Pública Inicial. 

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Ao fazer um IPO, a empresa coloca parte de suas ações à venda na bolsa de valores com o objetivo de captar recursos a um custo mais barato do que um financiamento bancário, por exemplo. Esse evento marca a primeira venda de ações de uma empresa, podendo movimentar milhões ou até bilhões em um só dia. 

Com mais dinheiro em caixa, a empresa pode ampliar fábricas, expandir operações, comprar concorrentes ou até mesmo pagar dívidas.

Ao abrir o capital, no entanto, terá que atender a uma série de regras de transparência e prestação de contas ao mercado e aos órgãos reguladores.

A principal vantagem para a empresa é que ela obtém dinheiro sem precisar pagar juros. Por outra lado, terá que dividir parte de seus lucros com os novos sócios.  

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), os IPOs movimentaram R$ 10,2 bilhões em 2019 – alta de 51,7% em relação a 2018.

Em 2019, cinco empresas brasileiras fizeram sua estreia na B3: Centauro (CNTO3), Vivara (VIVA3), Banco BMG (BMGB4), C&A (CEAB3) e Neoenergia (NEOE3). 

Só no primeiro semestre de 2020, cinco IPOs foram registrados. Entraram na bolsa brasileira Mitre Realty (MTRE3), Moura Dubeux (MDNE3), Locaweb (LWSA3), Priner (PRNR3) e AllPark (ALPK3).

IPO da Centauro em abril de 2019

IPO da Centauro em abril de 2019 Foto: Divulgação

Como funciona um IPO?

O dia do IPO de uma empresa é sempre muito aguardado e festejado. O movimento demonstra que a companhia tomou uma decisão importante e estratégica e está focada em expandir os negócios. Ela passa a mensagem ao mercado de que o negócio tende a prosperar e que quer crescer.

Mas como se dá essa operação? 

Quando a empresa decide abrir seu capital para novos investidores na bolsa de valores, ela precisa deixar de ser uma companhia limitada e se tornar uma S.A (Sociedade Anônima).

É básico ter um plano de negócios bem elaborado e uma sólida estrutura corporativa e financeira. Além de mecanismos de compliance (que evitam fraudes e desvios éticos), gestão de riscos e uma eficiente relação com investidores. 

O processo para chegar até o IPO pode levar mais de ano para sair do papel. A empresa precisa contratar assessores financeiros e fazer um intenso processo de planejamento. É preciso, por exemplo, realizar uma auditoria financeira detalhada e apresentar três anos de balanços auditados.

Para cada tipo de negócio há também regras e riscos inerentes de cada setor, com ambientes regulatórios diferentes a serem respeitados. Assim, cada IPO é um processo único, complexo e minuciosamente planejado.  

Algumas etapas de planejamento de um IPO:

  •         Roadshow: reuniões de apresentação realizadas por instituições financeiras que assessoram as operações para o mercado. Elas têm o objetivo de despertar o interesse de grandes investidores a participar do negócio;
  •         Registro: é necessário realizar registro de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e solicitar listagem à B3, a bolsa brasileira. As empresas também devem solicitar autorização para realizar a venda de suas ações ao público;
  •         Prospecto: este documento, que tem centenas de páginas, apresenta as informações essenciais para que o investidor entenda a companhia que está abrindo o capital;
  •         Bookbuilding: esse mecanismo considera a quantidade de ações e a que valor que os investidores institucionais indicaram que querem comprar para estabelecer o preço a que os papéis serão efetivamente lançados.

 Ofertas primárias x ofertas secundárias

Você já deve ter ouvido falar que existem dois tipos de ofertas de ações: as primárias e as secundárias. Elas diferem na origem dos papéis e no destino dos recursos levantados.

Nas ofertas primárias, a própria empresa oferece novas ações ao mercado. Os recursos obtidos com os investidores no IPO vão para o caixa da companhia. Ou seja, é uma maneira de a empresa se financiar ou captar recursos para seu capital social.

Nas ofertas secundárias, quem vende as ações é o empreendedor e/ou algum de seus atuais sócios. Portanto, são ações existentes que estão sendo vendidas. Como os valores arrecadados irão para o vendedor, ele é que receberá os recursos, e não a empresa. Os investidores passam então a ser seus parceiros e proprietários de um pedaço da empresa.

Quais as diferenças entre IPO, OPA e Follow-on?

Mas além do IPO existem outros dois termos do mercado financeiro que você precisa conhecer: OPA e Follow-on.

Vamos mostrar o conceito dos três para diferenciar cada uma delas:

  • IPO: o IPO (Oferta Pública Inicial) é quando a empresa decide abrir o capital pela primeira vez no mercado primário. A empresa se torna de capital aberto e vende suas ações diretamente aos compradores.
  • OPA: a Oferta Pública de Aquisições de Ações ocorre quando um dos acionistas pretende comprar uma participação ou todas as ações de uma empresa cotada na bolsa de valores. O objetivo pode ser ter algum controle sobre o negócio ou pode ocorrer quando a companhia quer fechar o capital. Assim, o acionista majoritário deve fazer uma proposta de compra das ações minoritárias.
  • Follow-on: assim como no IPO, o Follow-on tem objetivo de captar mais recursos para investir em projetos. A diferença é que o Follow-on só ocorre após a empresa já ter feito um IPO. Assim, as novas ações podem ser ofertadas para qualquer interessado ou só para determinados investidores ou acionistas. Por isso, o Follow-on pode ser primário (quando a empresa disponibiliza as novas ações) ou secundário (quando um grupo de acionistas coloca os papéis à venda).

 A oferta pública inicial é vantajosa para o investidor?

Agora que você já sabe o que é exatamente o IPO deve estar se perguntando: mas será que é vantajoso investir no IPO de uma empresa?

Como qualquer decisão sobre investimentos, a resposta direta é: depende. Primeiro você deve avaliar o tipo de investimento que pretende fazer. Analise os concorrentes daquela companhia e o que ela pretende fazer com o dinheiro que vai captar.   

“Normalmente os IPOs acontecem nos momentos estratégicos. É justamente o momento em que a empresa pensa que vai comprar um concorrente, concentrar o mercado em volta de si, ou fazer um aumento de sua capacidade produtiva. Ou seja, você está entrando junto com uma empresa, que normalmente já é lucrativa, em uma nova empreitada. É um novo degrau de crescimento da empresa, e normalmente você vai lucrar com isso”, diz Juliano Custódio, CEO daEQI Investimentos.

Mas também existem riscos ao entrar em um IPO.

Algumas empresas fazem a oferta pública para pagar dívidas ou para botar dinheiro no bolso dos empresários. Nesses projetos,  quando não se tem clareza dos objetivos da empresa, é melhor ficar de fora.

Ou seja, antes de entrar no IPO você precisa saber para onde irá esse dinheiro. Analise o ROI (Retorno sobre Investimento) do projeto e saiba qual é a taxa de retorno esperada para o novo objetivo.

Uma dica é: acompanhe as análises de diferentes especialistas antes de tomar uma decisão. Eles têm um grande conhecimento do mercado e conseguem entender melhor a situação das empresas.

É importante também que sua estratégia de investimentos esteja alinhada para participar de um IPO.  Alguns investidores compram ações no momento do IPO por que querem ser sócios de longo prazo. Mas outros querem apenas ganhar com a valorização a curto prazo.

Como participar de um IPO?

Se você já entendeu tudo de uma oferta pública de ações e decidiu que quer participar de um IPO agora é hora de partir para a ação.

Para participar de um IPO você deve ter conta em uma corretora. É preciso analisar bem a empresa que irá abrir capital, avaliar o que ela pretende fazer com o dinheiro captar e fazer o pedido de reserva.

Mas o processo é um pouco diferente de comprar ações no mercado secundário.

Vamos ver como funciona?

  1. Analise a empresa que fará IPO: consulte sites da CVM, B3, da sua corretora ou de casas de análises sobre a empresa. Procure conhecer o que cada companhia faz e analisar as perspectivas dos seus negócios. É importante saber os detalhes para evitar comprar ações e depois se arrepender; Converse com seu assessor de investimentos.
  2. Analise o plano de negócio com o IPO: além de analisar em detalhes a empresa, o ramo do negócio e os concorrentes, analise também a oferta pública de ações. Saiba no que consiste o IPO, para que servirá o dinheiro e os planos futuros da empresa com esse recurso.
  3. Abra uma conta em uma corretora: se você já se decidiu, abra uma conta em uma corretora independente ou de banco. Você deve solicitar os documentos para fazer um pedido de reserva de ações. Ali você indicará quanto quer comprar da empresa e quanto você aceita pagar por ação no leilão. Você definirá um valor mínimo e máximo por cada ação. Só após essa etapa será formado o preço oficial das ações na oferta pública.
  4. Realize o pagamento: quando o processo de bookbuilding for finalizado, você será informado sobre o preço final dos papéis e também sobre o número exato que conseguirá adquirir. Por fim, você deverá transferir os recursos para sua conta para efetuar o pagamento.