Grupo Fartura, de hortifrúti, pode fazer IPO ainda este ano

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O Grupo Fartura, dono da rede de hortifrútis Oba, protocolou seu pedido de IPO (Oferta Pública Inicial) em outubro e está se preparando para fazer sua estreia na bolsa ainda este ano.

A empresa que nasceu como um pequeno sacolão em Minas Gerais fará uma oferta primária (quando o dinheiro vai para o caixa da companhia) e secundária (quando os recursos vão para o bolso dos acionistas).

Com a captação, o grupo planeja abrir novas lojas, investir em canais digitais e na cadeia logística.

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Hoje, o maior acionista da companhia é o fundador Carlos Roberto Alves (54,88%). Depois vem a gestora Crescera, que é a antiga Bozano, com 30%. Raimundo  Desidério Alves Caetano, também fundador, tem uma fatia menor, de 10,50%.

A seguir, você vai conhecer  melhor a empresa e seus planos com o IPO.

Sobre o Grupo Fartura

Embora  tenham o mesmo sobrenome, Carlos e Raimundo eram apenas amigos que trababalhavam no mesmo ramo, em Belo Horizonte, na década de 70. Carlos, desde os 15 anos, comprava frutas e verduras no Ceasa em São Paulo. Raimundo era funcionário de uma quitanda.

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Quando conseguiu juntar dinheiro, Carlos Roberto Alves decidiu abrir um sacolão. Raimundo chegou como funcionário e, logo depois, já virou sócio. A ideia de vender os produtos a um preço único, numa época de inflação alta, deu muito certo e foi copiada no País inteiro. Ela não sobreviveu, porém, ao Plano Real. Para não quebrar, os dois começaram a trabalhar com preços diferentes e apostar alto na qualidade. Em vez de sacolão, teriam uma espécie de feira “vip”.

Quatro décadas depois, os mineiros são donos de um dos maiores negócios de hortifrúti do país. No ano passado, o grupo faturou R$ 1,3 bilhão.

O Oba Hortifruti é uma rede varejista especializada em produtos perecíveis frescos que representam, em média, 77% das vendas das lojas.

“Desde o início de nossas operações em 1979, calcamos nosso crescimento em 3 pilares estratégicos que entendemos serem essenciais para o nosso sucesso. A experiência de compra única, preocupação com o produto e excelência operacional”, explica a empresa.

São 56 lojas distribuídas em 14 cidades, dois Estados (São Paulo e Goiás) e Distrito Federal. Além de dois centros de distribuição, o Grupo Fartura também tem um frigorífico próprio.Essa unidade entregou uma produção média de 424 toneladas por mês de janeiro a setembro de 2020.

Carlos hoje é presidente do conselho do Grupo Fartura. O CEO é o executivo Alex Brito, que está na empresa desde 2005.

O modelo de negócios

Segundo a empresa, mais da metade da base de clientes frequenta as lojas ao menos uma vez por mês. “Essa alta frequência nos oferece uma grande proximidade aos nossos clientes e uma oportunidade de maximizar cada vez mais nosso share of wallet com novos produtos”.

O modelo tem como pilar uma logística integrada, baseada em grupos de lojas ao redor de um centro de distribuição regional.

Geralmente os grupos são formados dentro de um raio de 10 km  a 20 km a partir desses centros de distribuição. “Esse modelo nos permite centralizar o recebimento das mercadorias, avaliar sua qualidade e entregar diariamente – ou, muitas vezes, mais de uma vez ao dia – produtos perecíveis em nossas lojas, proporcionando maior frescor e sabor, sem perda de qualidade destes alimentos”, explica a empresa.

Nos centros de distribuição, a qualidade dos produtos é consistentemente controlada através de profissionais especializados, que possuem know-how e expertise, da utilização de métricas e de ferramentas específicas que garantem a qualidade, incluindo frescor, doçura, crocância, entre outros atributos da categoria de frutas, legumes e verduras.

O Oba Hortifruti conta com 34 marcas próprias. Elas representam cerca de 18% da receita de vendas acumuladas até 30 de setembro de 2020.

As lojas têm, em média, 834 metros quadrados, com 8 estruturas de caixas por loja e 4 mil unidades de controle de estoque  vendidas por mês.

O ambiente digital do Grupo Fartura, lançado em 2019, representou 5,9% da receita da companhia entre janeiro e setembro/2020.

Detalhes do IPO do Grupo Fartura

O pedido de abertura de capital foi protocolado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 22 de outubro. Mas detalhes de prazos e valores ainda não foram divulgados.

A empresa quer ser listada no Novo Mercado.

A oferta será primária (recursos destinados ao caixa) e secundária (recursos vão para o bolso dos acionistas vendedores).

Os valores captados na oferta primária serão destinados para abertura de novas lojas; investimento nos canais digitais; e investimento na cadeia logística.

Os acionistas vendedores são o fundo de investimento da gestora Crescera e acionistas pessoas física.

Os coordenadores da oferta do Grupo Fartura serão o Itaú BBA, o Bradesco BBI, o UBS BB e o BTG Pactual.

Números da empresa

Nos primeiros nove meses de 2020, o lucro líquido totalizou R$ 43 milhões, contra R$ 25,9 milhões de 2019.

O lucro líquido foi de R$ 22,6 milhões (2017), R$ 36,1 milhões (2018) e R$ 21,6 milhões (2019).

A receita líquida da empresa atingiu R$ 1,273 bilhão nos acumulado de 9 meses de 2020. Ou seja, 31,4% superior ao mesmo período de 2019.

A receita líquida do Grupo Fartura aumentou consideravelmente nos últimos anos. Assim, passou de R$ 885 milhões (2017) para R$ 1,33 bilhão (2019).

O Ebitda somou R$ 150 milhões nos nove primeiros meses deste ano. Ou seja, 45,1% mais que o Ebitda dos nove primeiros meses de 2019.