IPO: Tok&Stock está na fila para abrir o capital em 2021

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Com mais de 40 anos de mercado, a varejista de móveis e acessórios de decoração Estok, dona das lojas Tok&Stock, quer aproveitar a nova onda de IPOs no mercado brasileiro para abrir seu capital, provavelmente no primeiro semestre do ano que vem.

A companhia, fundada por um casal de franceses que se mudou para o Brasil na década de 70, é controlada desde 2012 pelo fundo de private equity Carlyle. Esses fundos compram participação em empresas, reestruturam o negócio com foco no crescimento, para vender sua fatia anos depois com lucro. O IPO costuma ser essa porta de saída.

Não é a primeira vez que os sócios tentam uma listagem na bolsa brasileira. Em 2014, eles anunciaram essa intenção, mas desistiram com a piora da economia. Agora, viram uma nova oportunidade.

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A história da Estok

A empresa foi fundada em 1978 pelo casal de franceses Régis e Ghislaine Dubrule, ambos formados em ciências políticas. “Eu e minha mulher deixamos a França dispostos a mudar o mundo”, contou à revista PEGN. “Chegamos ao Brasil em 1975, com poucos recursos para mobiliar a casa. Não havia pronta-entrega. Desenhamos algumas peças de linhas retas e encomendamos a um marceneiro. Assim como nós, outras pessoas tinham a mesma dificuldade.”

A partir de uma dificuldade pessoal, nasceu a ideia de abrir um negócio. Antes, Régis chegou a trabalhar na Vogue Modulados, onde aprendeu sobre o varejo de móveis. Em 1978, investiram US$ 100 mil na abertura da primeira loja no Itaim. Um ano depois já estavam no Rio de Janeiro e, na sequência, se estabeleceram em todas as capitais. Hoje, a rede tem 59 lojas em quatro formatos diferentes.

Em 2012, depois uma disputa entre diversos fundos de investimento, o Carlyle comprou 60% da Tok&Stok, por cerca de R$ 700 milhões.

“Nossos últimos anos têm sido marcados pelo maior foco em eficiência e rentabilidade e pela transformação digital, que acelerou a participação de vendas online de 5% da nossa receita líquida no exercício de 2017 para mais de 24% no período de nove meses findo em 30 de setembro de 2020”, explica a empresa no prospecto.

O modelo de negócios

Desde o início, a varejista tenta aliar preço e design. Em vez de trabalhar com uma fábrica de móveis, opera com centenas de fornecedores.

Os produtos são os protagonistas do modelo de negócios da Estok. O sortimento é composto por mais de 10.000 unidades, sendo 75% exclusivos e quase todos comercializados sob a marca Tok&Stok.

A Estok tem 900 fornecedores e 150 parceiros como arquitetos e designers, além de um time interno de design.

Após a implementação do conceito de corredor infinito na inauguração em 1978, a empresa lançou o atendimento via telemarketing em 1996 e cinco anos depois já possuía vendas por e-commerce e possibilidade de consultar os estoques online.

Em 2017, o canal digital foi expandido para comercialização de acessórios. Recentemente, foi integrado aos canais os serviços de retirada em loja (“pick-up in store”), a partir de 2019, e drive-thru, atendimento via WhatsApp e pagamentos por link, a partir de 2020. Em setembro de 2020, a empresa lançou um aplicativo.

Números da Estok

A Tok&Stok registrou prejuízo líquido  de R$ 50,1 milhões nos nove primeiros meses de 2020. No mesmo período do ano passado teve um lucro líquido de R$ 32,2 milhões.

No consolidado dos últimos anos, a empresa passou de um prejuízo de R$ 12,8 milhões (2017) para um lucro de R$ 73 milhões (2018) e lucro de R$ 53,5 milhões (2019).

No ano passado, a receita líquida foi R$ 1,20 bilhão.

Detalhes do IPO da Estok

A Estok protocolou pediu de oferta inicial de ações (IPO, na sigla inglês) em 20 de outubro.

A empresa já definiu o ticker pelo qual será conhecida no mercado: STOK3.

As ações devem ser listadas no Novo Mercado. Mas ainda não há detalhes sobre prazos e valores, pois o pedido está em análise.

A oferta de ações da Estok será primária (recursos vão para o caixa da empresa) e secundária (venda de participação social dos acionistas).

Os recursos levantados com o IPO serão destinados para execução do plano de expansão e melhoria na experiência do consumidor (40%); transformação digital e tecnologia (25%); desenvolvimento de nova marca e aquisições (20%); desalavancagem e melhoria da estrutura de capital da companhia (15%).

A operação é coordenada por Itaú BBA, Credit Suisse, Bank of America, Bradesco BBI, Santander e UBS-BB.