IPO da Lemonade: 7 fatos sobre a seguradora que quer reinventar o setor

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Lemonade

A fintech de seguros Lemonade estreou em grande estilo este mês na Bolsa de Valores de Nova York. O IPO da companhia apoiada pela Softbank foi a melhor estreia de 2020. Com as ações inicialmente ofertadas a U$ 29 cada em 2 de julho, a empresa viu a valorização subir rapidamente no mesmo dia, fechando em U$ 69,41. Um aumento de 139% em um só dia!

Mas o que faz desta startup de seguros ganhar tanta atenção assim?

O Market Watch resumiu os principais fatos para você entender o recente fenômeno da Lemonade.

 

1 – Inteligência artificial

A Lemonade tem sede em Nova York e foi fundada em 2016. Ela usa inteligência artificial e algoritmos de big data para otimizar os processos de compra de seguros e ações. Assim, minimiza a volatilidade e maximiza a confiança e o impacto social.

A Lemonade quer ser uma companhia de seguros “construída do zero em um mundo digital e com um modelo de negócios contemporâneo”.

 

2 – Fazendo do limão uma limonada

A estreia da Lemonade na Nasdaq fez com que a empresa valha mais do que o dobro da SotfBank.

No IPO, em 2 de julho, a Lemonade vendeu 11 milhões de ações, com até 1,7 milhão disponível para subscritores para cobrir cotas gerais. Entre eles estão nomes grandes do mercado, como Goldman Sachs, Morgan Stanley, Allen & Co., Barclays, JMP Securities, Oppenheimer & Co., William Blair e LionTree.

Antes do IPO, a empresa já havia levantado U$ 480 milhões através de várias rodadas de financiamento. Uma delas foi do SoftBank Group, de U$ 300 milhões, em abril de 2019.

 

3 – A carta dos fundadores

A proposta da Lemonade é reescrever as regras do setor de seguros por meio de uma dinâmica da clássica luta de David versus Golias. Isso é o que disseram o CEO Daniel Schreiber, e o diretor de operações Shai Wininger na carta dos fundadores.

Eles dizem que o setor foi alterado em revoluções anteriores e a atual não será diferente.

“Por mais transformadoras que as revoluções anteriores tenham sido para os seguros, há motivos para acreditar que hoje será ainda mais. Atualmente, nenhuma parte da cadeia de valor está imune: modelos de distribuição, modelos de negócios, ferramentas estatísticas, sistemas de gerenciamento, estruturas de custos, estruturas corporativas, cultura corporativa, pilhas de tecnologia, experiência do usuário, canais de marketing, fontes de dados, usos de dados, valor proposições, capital humano. Tudo isso e muito mais estão sendo revertidos”, dizem os donos da empresa.

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4 – Foco em clientes iniciantes

Segundo a Lemonade, seus clientes têm menos de 35 anos. E 90% contratou sua primeira apólice com a Lemonade.

O foco é oferecer seguros com serviços totalmente digitais.

“Nossos bots divertidos criam uma interação divertida e intuitiva em qualquer idade, ainda mais para uma geração que cresceu com um smartphone”, dizem os fundadores.

As cotações de seguro locatário levam cerca de dois minutos, enquanto as cotações do proprietário levam cerca de três minutos. Os pagamentos são feitos em menos de três segundos.

 

5 – Expansão a vista da Lemonade

Hoje a Lemonade oferece apenas seguros para locatários e proprietários nos Estados Unidos. Mas também tem alguma operação na Alemanha e na Holanda.

A estratégia é expandir para outros produtos de seguros, como seguros de automóveis, seguros de vida e guarda-chuva, à medida que sua base de clientes jovens amadurece.

A empresa faturou US$ 67 milhões ano passado. Ou seja, quase 3x mais que em 2018. Mas seu prejuízo dobrou no período — de US$ 52 milhões para US$ 108 mi.

Hoje, após o IPO, ela já está avaliada em US$ 6 bilhões.

 

 6 – Causas sociais

A empresa aposta nas causas sociais como parte de sua marca.

Quando os clientes se inscrevem na Lemonade, eles escolhem uma causa de caridade em que “pretendemos doar sobras de dinheiro” ou prêmios residuais, em uma doação anual conhecida como “devolução”.

Em 2019, a Lemonade doou US$ 600 mil a 26 causas sem fins lucrativos. No entanto, o que se pretende como um apelo a jovens adultos socialmente conscientes também apresenta riscos.

“Nosso compromisso com doações de caridade por meio de nosso programa de devolução pode não alinhar nossos interesses com os de nossos clientes como imaginamos”, disse a Lemonade. “Além disso, nosso compromisso com doações pode não ressoar com nossos clientes existentes ou falhar em atrair novos clientes”.

 

7 – Ceticismo com a Lemonade

Mas, como outras recentes entradas no mercado de ações, a Lemonade tem sua parcela de ceticismo.

O capitalista de risco Bill Gurley, um dos mais famosos do Vale do Silício, está cético em relação a Lemonade. Ele considera que a Lemonade era anteriormente mal avaliada e até acredita que “o sistema está quebrado”.

Esse ceticismo também pode ser explicado ao se concentrar nos próprios negócios da Lemonade. Suas perdas permanecem bem acima de seus prêmios, com um EBITDA no vermelho e, acima de tudo, despesas de marketing que representam mais da metade das despesas. Um fato surpreendente, mas que não é totalmente incongruente para uma startup que ainda está na fase de lançamento, mas que não deixou de surpreender alguns observadores.