IPO da Compass (PASS3): empresa da Cosan pode movimentar R$ 4 bi

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Compass/Comgás/Youtube

A Compass (PASS3), empresa de gás e energia, pode protagonizar um dos maiores IPOs (Oferta Inicial de Ações) do ano na B3, com uma captação de R$ 4 bilhões.

Controlada pela Cosan (CSAN3), a empresa quer lucrar com as reservas do pré-sal brasileiras e com a expectativa de dobrar a produção de gás natural do Brasil na próxima década.

A estreia na Bolsa está marcada para 30 de setembro e os principais detalhes da oferta já estão definidos. A reserva de ações começou no dia 15 de setembro.

Confira principais Ações para investir em Outubro

Estamos acompanhando essa nova onda de IPOs com uma série de publicações sobre as companhias que devem estrear na Bolsa em 2020. Para saber mais, confira essas reportagens:

Sobre a Compass

A Compass Gás e Energia é uma empresa controlada pelo grupo de energia e infraestrutura Cosan, que atua há mais de 80 anos no país. Ela foi criada para gerir o negócio de gás da Cosan, em infraestrutura, distribuição, geração e comercialização do combustível.

Basicamente, a empresa atua em quatro segmentos dentro de energia e infraestrutura:

Monitore completamente sua Carteira

  1. Distribuição de gás natural, por meio da Comgás (CGAS5).
  2. Infraestrutura e originação de gás, acessando a oferta de gás do pré-sal e importando gás natural liquefeito;
  3. Comercialização de gás;
  4. Geração térmica a gás e trading de energia elétrica, transformando gás em eletricidade.

A Comgás é a maior distribuidora de gás do país. Tem 18 mil km de rede instalada e 2 milhões de clientes nos segmentos residencial, comercial, industrial e veicular. Em 2019, foram distribuídos 4,5 bilhões de m³ de gás, ou 31% de todo o gás canalizado distribuído no Brasil. Atualmente, a empresa está presente em 88 municípios do Estado de São Paulo, incluindo a região metropolitana de São Paulo.

Em janeiro de 2020, as empresas passaram por uma reestruturação societária. Assim, o controle que a Cosan possuía na Comgás foi transferido para a Compass.

Nelson Roseira Gomes Neto é o atual presidente da Comgás e também da Compass Gás e Energia. Ele está na empresa há cinco anos. Mas será substituído do cargo de presidente da Comgás em 1º de outubro. Quem assume é Antonio Simões, que era o vice-presidente de energia da Raízen. Assim, Nelson passará a se dedicar integralmente ao processo de desenvolvimento da Compass.

Expectativas para o setor

A Compass cita estudos que mostram que a produção de gás natural no Brasil deve dobrar em dez anos, sobretudo em razão das reservas do pré-sal. Esse aumento de produção, aliado às iniciativas de abertura do mercado propostas pelo governo, pode oferecer oportunidades às empresas privadas no desenvolvimento e integração dos setores de gás e energia.

“A descoberta de grandes reservas de gás no pré-sal e a regulação do Novo Mercado de gás figuram como os principais catalisadores de uma transformação no mercado nacional”, diz a Compass.

Segundo a IHS Markit, espera-se que a produção de gás no Brasil dobre nos próximos dez anos para 95 milhões de m³/dia. Assim, a oferta de gás deve ser beneficiada pelo novo marco regulatório, promovendo concorrência e abertura do mercado livre.

Portanto, há a expectativa de preços cada vez mais competitivos, estimulando o desenvolvimento da demanda interna, em particular do setor industrial e de geração termoelétrica.

A oferta global também tem crescido de forma pronunciada nos últimos anos. Isso é consequência do aumento de produção nos Estados Unidos e investimentos em novos projetos voltados para exportação de GNL.

IPO bilionário

A expectativa da Compass é alta: levantar até R$ 4,4 bilhões com o IPO.

Registrado em agosto na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os detalhes do IPO já foram anunciados pela empresa. A oferta será totalmente primária, ou seja, quando os recursos vão para o caixa da empresa.

A faixa indicativa de preço está entre R$ 25,50 e 31,50. A fixação do valor por papel será feita em 28 de setembro. O início de negociação das ações no Novo Mercado da B3 será em 30 de setembro.

O IPO da Compass envolve a distribuição primária de 117.647.060 ações ordinárias. Mas há ainda a possibilidade de papéis suplementares e adicionais que levariam o volume total a até 158.823.531.

Pelo preço médio de R$ 28,50, a oferta inicial atingiria R$ 3,3 bilhões. Ou então os R$ 4,4 bilhões incluindo os lotes adicional e suplementar.

A operação é comandada pelos bancos Itaú BBA, Santander Brasil, Morgan Stanley, BTG Pactual, Bradesco BBI, Citigroup , BB Investimentos, UBS, Banco Safra e XP Investimentos.

Números e objetivos da Compass

A Compass teve receita líquida de R$ 4,035 bilhões nos seis primeiros meses deste ano. Houve uma queda de 8,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido caiu 2,6%, chegando a R$ 508,453 milhões.

Os recursos líquidos do IPO serão usados pela empresa para potenciais aquisições. Assim como investimentos em privatizações considerados estratégicos para consolidação de ativos de distribuição de gás (80%) e reforço da sua estrutura de capital (20%).

A estratégia da Compass é ser uma plataforma complementar no setor de gás e energia. Assim, a empresa espera expandir a demanda e a presença no segmento de distribuição, a partir da Comgás. E ainda construir um portfólio com múltiplas fontes de suprimento, através do desenvolvimento de infraestrutura para o escoamento do gás do pré-sal e regaseificação de GNL importado

Por fim, a Compass tem ainda como objetivo comercializar esse portfólio de gás competitivo para uma demanda crescente das concessionárias de distribuição, dos clientes do mercado livre e das usinas de geração termoelétricas. Ela quer ainda explorar o potencial de geração de gás natural, através de usinas termoelétricas com contratos de longo prazo.