Com IPO, Açu Petróleo quer aproveitar expansão do setor

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/Açu Petróleo

Criada em 2015, a Açu Petróleo é uma joint venture entre as empresas Prumo e Oiltanking. A empresa presta serviços de infraestrutura logística de transbordo de petróleo no Porto do Açu (RJ) e quer abrir o capital na bolsa brasileira para aproveitar o futuro ciclo de expansão do setor no país.

O pedido de IPO (Oferta Inicial de Ações) foi protocolado no início de setembro na Comissão de Valores Mobiliários e pode acontecer ainda neste ano.

A empresa tem contratos com os maiores players do mercado no setor, como Shell, Petrobras, Petrogal, Equinor e Repsol.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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História da Açu Petróleo

A Açu Petróleo opera no Complexo do Porto do Açu, o maior complexo portuário industrial privado do Brasil. Ele está localizado próximo às bacias de Campos e de Santos, no Rio de Janeiro, e tem as maiores bacias de petróleo offshore do Brasil, no coração do polígono do pré-sal.

Os serviços de infraestrutura logística da Açu Petróleo consistem em operações de transbordo de petróleo bruto no terminal de petróleo, facilitando a transferência do petróleo produzido offshore através de navios tanque aliviadores com posicionamento dinâmico para grandes navios petroleiros de exportação.

O transbordo através de navios tanque de posicionamento dinâmico é a modalidade logística de exportação de petróleo predominante no Brasil, representando 82% da exportação de petróleo no Brasil em 2019.

O terminal de petróleo opera desde 2016 e tem capacidade máxima de transbordo de 2,1 milhões de barris de petróleo por dia (mbpd).

O CEO da empresa é Victor Snabaitis Bomfim. Antes ele trabalhava para a Subsea 7, empresa de engenharia e construção de serviços submarinos.

Expansão à vista

A Açu Petróleo está expandindo sua infraestrutura. O objetivo é ser um ponto alternativo de entrada de petróleo bruto para refinarias localizadas na região Sudeste do Brasil.

Essa expansão consiste na construção de uma instalação de armazenamento de petróleo de grande escala em terreno de propriedade da Açu Petróleo.

Está em projeto também a construção de dois oleodutos de petróleo, com 45km de comprimento, para interligar a instalação de armazenamento de petróleo à malha de dutos de petróleo já existente.

Assim, a companhia espera se beneficiar do crescimento esperado na produção de petróleo bruto brasileiro e do aumento resultante na demanda por serviços de infraestrutura de logística.

O Brasil é o maior produtor de petróleo da América Latina, à frente de México e Venezuela, e o décimo do mundo. Há uma década, estava na 13ª posição. E a expectativa é de que continue avançando neste ranking.

Um estudo publicado em setembro pela BP (Energy Outlook 2020) indica que países que estão fora da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), como é o caso do Brasil e dos EUA, tendem a ganhar mercado até os anos 2030.

Parceria de empresas

A Açu Petróleo é uma parceria entre as empresas Prumo e Oiltanking. Conheça as duas companhias:

  • Prumo: controlada desde 2013 pelo fundo americano EIG Global Energy Partners. É responsável pelo empreendimento do complexo do Porto do Açu, um dos maiores complexos porto-industriais do mundo;
  • Oiltanking: subsidiária da Marquard & Bahls, empresa alemã que atua com abastecimento de energia, trading e logística. Oiltanking é a segunda maior companhia independente no mundo em armazenagem de derivados de petróleo, produtos químicos e gases.

Números da empresa

As receitas da Açu Petróleo são principalmente compostas pelas tarifas referentes aos serviços de transbordo de petróleo que presta no âmbito de contratos take-or-pay. Ou contratos de operações avulsas firmados com grandes empresas produtoras de petróleo nacionais e internacionais.

Com os clientes Petrobras, Shell, Petrogal, Equinor, Total e Repsol, são celebrados contratos de prestação de serviços de transbordo.

Em receita, a Açu Petróleo atingiu R$ 236,5 milhões em 2019.  Até setembro de 2020, a empresa registrava prejuízo líquido de R$ 95,2 milhões. Ebitda de R$ 205,7 milhões e receita líquida de R$ 309,7 milhões.

A Açu Petóleo vem registrando prejuízo desde 2017.

Já o Ebtida alcançou R$ 121,1 milhões em 2019. A margem Ebitda foi de 51% no ano passado.

Sobre o IPO da Açu Petróleo

O pedido de oferta pública de ações foi protocolado na CVM em 2 de setembro.

Segundo o prospecto, a empresa realizará oferta primária e secundária de ações. Mas detalhes como prazo e valores ainda não foram definidos. A empresa quer ser listada no Novo Mercado.

A coordenação da oferta será do Bank of America Merrill Lynch, Bradesco BBI e Santander.

Os recursos levantados na oferta primária serão direcionados para implementação do Projeto SPOT.

Assim, a empresa irá construir um parque de tancagem de até 11 mil barris de petróleo e oleoduto de 45 km de extensão, conectando-se com a rede nacional de oleodutos já existente.

Por fim, na tranche secundária, os acionistas vendedores são Prumo Logística e a Oiltanking GmbH.

Vantagens e fatores de risco 

No prospecto preliminar, a empresa destacou entre suas vantagens competitivas sua localização estratégica, instalações modernas e recém construídas. Além de sua capacidade de expansão.

Já entre os fatores de risco, está a possível necessidade de capital adicional para financiar a expansão. A empresa aponta também o risco de as receitas virem abaixo do previsto por fatores macroeconômicos e contratuais. Riscos de inadimplência também estão no radar.

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