Com IPO, 2W quer levantar recursos para investir em energia limpa

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: 2W/Divulgação

Entre as empresas que estão na fila para  fazer sua estreia na bolsa de valores em 2020, está a comercializadora independente de energia 2W. A empresa registrou seu pedido na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em julho. Segundo fontes do mercado, espera levantar cerca de R$ 1,5 bilhão com a Oferta Inicial de Ações  (IPO). 

Com os recursos, a 2W pretende se consolidar no “varejo”, vendendo energia para pequenas e médias empresas no chamado mercado livre. Nesse ambiente, a 2W pode negociar diretamente com os consumidores finais, que podem ser indústrias, por exemplo.

Para ficar mais claro, é preciso saber que no setor elétrico existe também um outro mercado, onde a venda da energia se dá por meio de concessionárias e distribuidoras e as tarifas são reguladas pelo governo. Nesse caso, ao contrário do mercado livro, não há concorrência.

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O plano de crescimento da 2W a partir do IPO passa também pela entrada no segmento de geração de energia renovável, especificamente eólica e solar.

A empresa quer dobrar sua base de clientes nos próximos anos, ter geração 100% renovável a partir de 2022, além de expandir seus projetos eólicos e solares.

2W

 

Sobre a 2W Energia

A 2W Energia tem como principal acionista o empresário Ricardo Delneri, um dos fundadores da Renova Energia (RNEW4), empresa que atualmente está em recuperação judicial.

Criada em 2001, a Renova era considerada uma das empresas mais interessantes do País no segmento de energia limpa. Recebeu aportes da Cemig e da Light. Porém, mais tarde, teve difculdades de colocar em prática seu ousado plano de negócios.

Já a 2W surgiu no ano passado a partir da fusão de duas outras empresas: a Clime Trading e RR Comercializadora. Essas, por sua vez, já estão no mercado de energia há cerca de dez anos.

O nome da companhia é uma referência à “second wave”, ou segunda onda. A 2W se posiciona no mercado como empresa que vai liderar a segunda onda de geração energética no País, voltada para o mercado livre.

Além de direcionar 100% de suas vendas para o mercado livre, a 2W pretende ter 100% de sua geração proveniente de fontes renováveis a partir de 2022.

A empresa, que tem sede em São Paulo,  tem 953 clientes, 4.2GW médios comercializados em 5 anos e 2,1GW em parques eólicos e solares prontos para construção no Nordeste.

Em julho eles lançaram a plataforma digital integrada de comercialização e geração de energia, a Economia Garantida. A proposta permite às empresas migrarem para o mercado livre com descontos na conta de luz de até 30% para planos de até 10 anos.

“Esperamos uma aceleração na migração de clientes para o mercado livre, com potenciais 40 mil novos clientes até 2027”, afirmou Claudio Ribeiro, CEO da 2W Energia.

Claudio foi, até o ano passado, vice-presidente de Finanças, Desenvolvimento e Relações com Investidores da Renova Energia.

Os planos da empresa

Um dos focos da 2W Energia é ter novos 1.000 clientes até 2024. Ou seja, dobrar a base de clientes em menos de quatro anos.

O plano de expansão inclui a construção de 1 GW de capacidade em parques eólicos no Nordeste até 2024. Além disso, estão previstos outros 1GW de parques solares até 2026, gerando energia própria 100% renovável.

O aumento da equipe ajuda a dar uma dimensão da expectativa de crescimento da empresa. Em julho, a 2W tinha 16 agentes autônomos. Mas pretende chegar a mais de 100 até o fim de ano.

Com o IPO, a empresa quer levantar recursos para a construção de usinas eólicas e solares. Com isso, pretende criar uma plataforma de venda de energia renovável no mercado livre.

Segundo o prospecto, os recursos serão divididos em três partes: investimentos nos projetos de expansão de energia [95%]; investimentos em mídias digitais e canais de vendas [2,5%]; e para reforço de estrutura de capital e aumento de liquidez da 2W [2,5%].

O IPO da 2W

O pedido de IPO à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) foi feito em 16 de julho e ainda está em análise.

O prospecto preliminar detalha como deverá ser o IPO da empresa de energia, mas nem todos os dados foram fornecidos ainda.

Uma auditoria da empresa foi feita pela Ernst & Young. As ações serão listadas no Novo Mercado.

As ofertas da 2W serão coordenadas por BTG Pactual, Credit Suisse, XP Investments e Bank of America.

Hoje o capital social da empresa é de R$ 145,2 milhões. Assim, o valor compreende 113 mil ações ordinárias.

Com o IPO, o estatuto da 2W permite a ampliação do capital social para até 398 mil ações ordinárias.

Hoje os principais acionistas são Ricardo Lopes Delneri (75%), administradores (10,5%), NII Participações (7%) e Walter Milan Tatoni (5%). Tatoni é conselheiro da Renova.

Os valores e prazos da oferta ainda não foram divulgados.

Os números da empresa

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A receita bruta da empresa caiu de R$ 759 milhões no primeiro semestre de 2019 para R$ 375 milhões este ano.

Em 2019, a 2W faturou R$ 1,6 bilhão – metade do faturamento do ano anterior. O Ebtida foi de R$ 15,6 milhões em 2019.

A companhia possui endividamento (empréstimos e) de R$ 9 milhões em 30 de junho de 2020.

O número de clientes da 2W vem crescendo nos últimos anos. Saiu de 183, em 2017, para 523 em 2019. Só nos primeiros seis meses deste ano, a empresa conquistou 309 novos clientes.

Apesar dos impactos negativos na economia mundial, as operações da 2W não foram significativamente afetadas pela Covid‐19.

“Ao contrário, os resultados do primeiro semestre foram positivos.  Acreditamos que a Covid‐19 pode trazer diversas oportunidades para a nossa companhia”, diz a empresa.