Ipea: estudo prevê retração de 10% a 20% nas exportações em 2020

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

Estudo divulgado nesta terça (28) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica possíveis impactos da pandemia de Covid-19 sobre a balança comercial brasileira entre 2020 e 2021.

As projeções do Ipea mostram recuo da atividade de comércio exterior do país, já este ano, como efeito do agravamento da crise financeira global.

A expectativa de queda no comércio exterior brasileiro se baseia em dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Queda nas exportações e importações

Para as exportações, estima-se queda entre 10% e 20% ainda em 2020. Isso representa recuo ao patamar de US$ 180 bilhões.

O estudo do Ipea também projeta retração de 20% nas importações brasileiras, que devem ficar em U$ 140 bilhões.

De acordo com a pesquisa, “a queda acentuada no mercado de commodities – especialmente no setor de petróleo – deverá ser um dos motores da retração, com impactos na balança comercial do país e queda expressiva nas exportações brasileiras.”

 

Reduções

O trabalho apresenta três cenários possíveis a partir da análise de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“A OMC prevê dois cenários: um pessimista, com redução em cerca de 30% nas exportações e importações mundiais para o período analisado, e outro otimista moderado, com redução de 19%”, diz o Ipea.

“Já o FMI aponta queda de 20% nos fluxos de importações e exportações no cenário global até 2021”, assinala o estudo.

União Europeia e América Latina

Os dados analisados confirmam o cenário de retração nas exportações e negociações brasileiras com parceiros comerciais como a União Europeia, “que devem sofrer redução de até 20% no próximo biênio em razão da crise de Covid-19.”

A pesquisa também indica forte impacto da crise sobre os países latino-americanos. Muitos deles são altamente dependentes da produção e exportação de commodities energéticas e minerais.

“Isso poderá ter efeitos muito negativos sobre as exportações brasileiras de bens manufaturados e, por tabela, na própria capacidade de recuperação da indústria do país”, diz o coordenador de Estudos Econômicos Internacionais do Ipea, Fernando Ribeiro, um dos autores do estudo.

 

Queda de renda

Mesmo após o pico da pandemia e o retorno da vida ao normal, aponta o estudo, ‘haverá queda de renda e um esperado aumento no nível de endividamento das famílias, exercendo uma pressão para baixo na demanda por bens de consumo duráveis e semiduráveis. “

A tendência poderá continuar a “provocar impactos na atividade de comércio exterior, com possíveis comprometimentos para o cenário de retomada do crescimento da atividade comercial no cenário global”, afirma Ribeiro.

Apesar das perspectivas negativas, a atividade de comércio exterior não deverá permanecer totalmente estagnada no atual biênio.

“Mesmo com as dificuldades, o país deverá preservar um superávit em 2020. Mas o cenário de eventual recuperação deverá ficar para 2021”, pondera.

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