Ipea eleva para 2,3% projeção para inflação em 2020

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Ipea prevê inflação maior em 2020

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reviu a previsão de inflação em 2020 de 1,8% para 2,3%.

O motivo, de acordo com o instituto, são as altas nos preços dos alimentos, que em 12 meses até agosto subiram 11,4% e responderam por 70% da alta do IPCA, índice oficial de inflação.

O instituto prevê que esse grupo registre uma alta de 11% no acumulado do ano. A projeção anterior era de 3%.

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O estudo aponta que o aumento da demanda mundial por alimentos pressiona as commodities agrícolas no mercado internacional. Esse fator, somado a uma forte desvalorização cambial em 2020, aumentou a rentabilidade das exportações, o que fez com que os preços no mercado interno subissem. Além disso, a elevação do dólar aumentou os custos de produção e a expansão do consumo ajuda a manter a pressão inflacionária.

Serviços

Já as projeções para outros segmentos que compõem o índice foram revisadas para baixo, como serviços educacionais, que passou de 5% para 1,2%, em razão da retração das mensalidades escolares.

Demais serviços livres foi de 2% para 0,7%. Embora a expectativa seja de leve aceleração na margem – principalmente nos segmentos de serviços pessoais, recreação e alimentação fora do domicílio – o Ipea avalia que as medidas de isolamento social se estenderam por um período maior que o previsto no trimestre anterior, daí a mudança na previsão.

Com relação aos preços monitorados, a estimativa de alta passou de 1,2% para 1%, em decorrência da trajetória recente dos combustíveis, que caíram 6% nos primeiros oito meses do ano. E é esperada ainda uma estabilidade nos preços do barril de petróleo em níveis baixos.

Para 2021, a taxa de inflação estimada pelo grupo de conjuntura do Ipea ficou em 3,3%. A expectativa é de um comportamento mais favorável dos alimentos e uma pressão maior dos demais preços livres e dos administrados, em razão do cenário de atividade econômica mais dinâmico no ano que vem.

Ipea revê PIB

Com relação ao PIB, o Ipea prevê uma recuperação maior da atividade econômica. Antes a queda prevista era de 6% e agora é de 5% em 2020. A mudança se deve ao desempenho melhor do que esperado para o terceiro trimestre.

As estimativas para agosto são de crescimento da produção industrial de 6,1% em relação a julho; serviços devem crescer 7,6%; vendas no varejo ampliado, +7,5%; e vendas no varejo restrito, +5,6%.

O Ipea avalia que, apesar do cenário de recuperação, o ano deve fechar com ociosidade elevada na economia. O hiato do produto, que mede o grau de ociosidade, saltou de 4,2% no primeiro trimestre deste ano para inéditos 13,9% no terceiro trimestre.

Para 2021, foi mantida a projeção de crescimento de 3,6% para o PIB.

As projeções do Ipea estão próximas das estimativas do mercado financeiro, medida pelo Boletim Focus do Banco Central. Na versão desta semana, a previsão para o PIB em 2020 era de queda de 5,04%, enquanto para o IPCA era de +2,05%.

E diferem um pouco mais do que espera o Ministério da Economia, que prevê uma queda de 4,7% para o PIB e alta de 1,83% para o IPCA neste ano.