IPCA-15 varia -0,01% em abril e confirma tendência de queda da inflação

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O IPCA-15, considerado uma prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma variação de -0,01% em abril. É a menor leitura para o mês desde o início do Plano Real, de acordo com o IBGE.05

O resultado ficou 0,03 ponto percentual abaixo do registrado em março, quando foi de 0,02%. No mesmo mês de 2019, a taxa foi de 0,72%.

No ano (janeiro a abril), o IPCA-15 acumula alta de 0,94%. Em 12 meses, a variação acumulada é de 2,92%.

IPCA-15

Gasolina derruba preço dos Transportes

Seis dos nove grupos pesquisados tiveram deflação em abril. O grupo Transportes teve variação de -1,47%, sendo a maior contribuição negativa – com queda de 0,30 pontos percentuais.

A queda em Transportes (-1,47%) deve-se principalmente ao recuo nos preços dos combustíveis (-5,76%). A gasolina (-5,41%), o etanol (-9,08%) e o óleo diesel (-4,65%) tiveram quedas mais intensas que as do mês anterior. Ao longo de março, a Petrobras anunciou várias reduções no preço do combustível.

Outros cinco grupos também tiveram deflação em abril, com destaque para os Artigos de residência (-3,19%). Os eletrodomésticos e equipamentos e os artigos de tv, som e informática, cujos preços haviam subido em fevereiro e março, registraram quedas de 7,15% e 1,95%, respectivamente.

IPCA-15: alimentos e bebidas registram alta

Já o grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 2,46%, tendo impacto de 0,48 pontos percentuais no resultado do IPCa-15.

Destaque para a alimentação no domicílio, que subiu 3,14%.

A alimentação fora do domicílio, estimulada pela demanda crescente do serviço de delivery, também acelerou de março (0,03%) para abril (0,94%), influenciada pela alta do lanche (3,23%).

IPCA-15

Entenda o IPCA-15

O IPCA-15 é um indicador que aponta a variação dos preços para famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.

A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica.

Para o resultado de abril, a pesquisa foi feita entre os dias 17 de março a 14 de abril de 2020. A comparação é com o período de 12 de fevereiro a 16 de março.

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Por conta da pandemia de coronavírus e das medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a coleta de dados está sendo feita, desde 18 de março, via telefone, sites de internet ou e-mail. No entanto, sem prejuízo aos resultados, de acordo com o IBGE.

Projeções para o IPCA

De acordo com as expectativas do mercado financeiro captadas pelo último Boletim Focus (publicado na segunda-feira, 27), o IPCA deve ficar em 2,20% no ano. Há uma semana, a expectativa era de inflação a 2,23%.

Para Paulo Filipe de Souza, da EQI Investimentos, a inflação baixa deve abrir brecha para novos cortes da taxa Selic.

“A inflação em queda brusca demonstra o quanto o mercado espera que a economia desaqueça”, diz.“A gente vê espaço para mais cortes violentos na Selic. A projeção é de 3%, mas tem casas de análise que já trabalham com Selic a 1,5% até o final do ano”, complementa.

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